Leitura dramatizada do texto teatral ‘Fegues’ traz para a cena vivências e dores de personagens LGBTQIAP+

Seis personagens LGBTQIAP+ em cena falando de traumas, dores, violências e também de alegrias e sonhos. Essa é a premissa da leitura dramatizada do texto teatral “Fegues”, escrito pelo professor universitário Luciano Oliveira e que estreia no sábado (04 de junho), às 19h30 (horário de Rondônia), nos seguintes links: 

1- Sábado: https://www.youtube.com/watch?v=47E_K32aNuY&ab_channel=LucianoOliveira

2- Domingo: https://www.youtube.com/watch?v=6K8Sux49z6I&ab_channel=LucianoOliveira

O evento, que tem classificação indicativa para maiores de 16 anos e interpretação/tradução em LIBRAS, segue no domingo (05), sempre com conversas com elenco e equipe de produção ao final das exibições das leituras. 

O projeto foi contemplado no Edital nº 34/2021/SEJUCEL-CODEC – 2ª Edição Mary Cyanne – Prêmio de Produção Artístico-Cultural para Transmissões ao Vivo/Gravadas – Eixo II, Categoria B, da Superintendência Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL) do Governo de Estado de Rondônia (Lei Federal 14.017/2020 – Lei Aldir Blanc).

Do que fala Fegues?

O texto teatral Fegues (aportuguesamento da palavra inglesa fags, traduzido como bichas) surgiu a partir de depoimentos autobiográficos compilados pelo professor universitário Luciano Oliveira e foi publicado em maio de 2021. A trama se passa em Porto Velho (RO), trazendo, em síntese, um texto-denúncia sobre homofobia e complexidades amorosas homoafetivas. Na trama, um grupo de seis artistas “fegues” (bichas) tentam criar, sem muito sucesso, uma dramaturgia coletiva de um espetáculo teatral realista contemporâneo, de temática LGBTQIA+. A dramaturgia celebra, de forma cômica e dramática, as vidas das “fegues”, marcadas por episódios de homofobia e outras violências cotidianas, além de momentos em que são expressados alegrias e sonhos. “Assim, pretendemos informar para as novas gerações, de modo especial àquelas que estão perdidas nos labirintos da incerteza da sexualidade, que não há nada de errado em ser feliz e em amar uma pessoa do mesmo sexo e constituir com ela uma família sólida e feliz”, complementa Luciano.

Quem são as Fegues?

O elenco é composto por integrantes da Trupe dos Conspiradores, grupo de teatro universitário resultante de um projeto de extensão do curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Em cena, os artistas Luciano Oliveira, Dennis Weber, Rafa Correia, Luis Gustavo Aldunate, A Black Z e Ádamo Teixeira, interpretam respectivamente as personagens: Flávio (um diretor teatral marcado por memórias traumáticas da infância), Caio Fernando (um jornalista que luta para escapar de um romance tóxico que pode lhe custar a vida), Belx (uma performer não-binárie que busca se sentir bem em seus corpo e mente em construção), Renato (um policial militar assombrado pela homofobia institucional), Nêgo (um cantor vítima de ataques racistas e homofóbicos nas redes sociais) e Diamond (um enfermeiro que perdeu um grande amor para a AIDS, mas que segue resiliente em busca de novos horizontes).

Segundo o ator Ádamo Teixeira, compartilhar episódios pessoais presentes no texto teatral “Fegues” despertou várias emoções. “Foi difícil porque eu nunca tinha me aberto em público para falar de um episódio doloroso pelo qual passei. O que me emociona é saber que diante de tudo o que vivi, consegui juntar os meus cacos e me reinventar na arte. O amor que foi interrompido por um vírus e que está sendo retratado é real e faz parte da minha história. Me emociona porque mesmo após 8 anos, eu ainda tenho marcas profundas. Hoje tenho um novo amor, no entanto não tenho como esquecer o passado. Mas remexer em tudo isso teve o seu lado bom. Fazer parte do ‘projeto Fegues’ me possibilitou demonstrar meus sentimentos”, relata o artista.

Para a assistente de encenação da leitura dramatizada, Kelly Cruz, participar de “Fegues” foi um presente. “Com o convite do professor Luciano para assistir ao primeiro dia de gravação da leitura dramática, vi  a oportunidade de voltar a respirar teatro e arte. O acolhimento de todes, a receptividade e o incentivo do Luciano foram meu motor para entrar como assistente de encenação, produção, filmagem, etc. Eu não tinha experiência nos bastidores, sempre atuei em cima dos palcos, e a experiência  foi um grande desafio para mim. Ser útil, e saber que meu trabalho por trás das câmeras foi muito bem recebido por todes me deixou muito feliz. Hoje, acompanhando todo o processo desde a primeira filmagem, me considero parte sim do processo, uma ‘fegue’ por amor a essa galera tão linda e cheia de luta, que precisa ser ouvida, mostrando as lutas e as violências que as cercam. Fegues é extremamente necessário”, pontua.

O que é uma leitura dramatizada?

            O professor do curso de Licenciatura em Teatro da Unir, Luciano Oliveira explica que a leitura dramatizada é uma leitura de um texto dramático (teatral) em que os atores dão características interpretativas aos papéis (personagens textuais), mas, de certo modo, sem aprofundar nos seus caracteres interiores como, por exemplo, na emoção. Também não há, por parte da direção, uma preocupação maior com a encenação, ou seja, com a colocação do texto no espaço cênico e com as suas múltiplas relações com os elementos materiais, visuais e sonoros do espetáculo: cenário, figurino, luz, maquiagem e trilha sonora. Esse tipo de leitura diferencia-se da leitura branca justamente porque o ato de leitura dos atores é carregado por técnicas e princípios interpretativos. Na leitura branca os atores não interpretam, mas emprestam as suas próprias características físico-vocais aos papéis. Trata-se de uma leitura “neutra”.

“E qual a importância da leitura dramatizada? Primeiro, por se tratar de um modo em que os dramaturgos divulgam os seus textos aos espectadores, utilizando-se da leitura dos atores. Segundo, por possibilitar aos atores mergulharem no texto sem se preocuparem em demasia com a interpretação. Então, me parece que esses se tornam mais livres para experimentarem e errarem. Terceiro, e por último, no caso de atores de um grupo de teatro universitário, como é a Trupe dos Conspiradores, um projeto de extensão da UNIR, pela possibilidade dos alunos-atores jogarem de modo mais relaxado com o texto e com as personagens, bem como colocarem em prática alguns conteúdos adquiridos na universidade. Inclusive, para que compreendam, na prática, as diferenças entre leitura branca, leitura dramatizada e dramatização/encenação de um texto”, argumenta o docente.

Ficha Técnica

Encenação e dramaturgia: Luciano Oliveira

Assistência de encenação: Kelly Cruz

Produção: Stephanie Matos

Assistência de produção: Rafa Correia

Coordenação de plataforma virtual: Maycon Moura

Publicitário: Luís Gustavo Aldunate

Assessoria de comunicação: Dennis Weber

Direção musical: Jussara Trindade

Direção e edição de vídeo: Luís Gustavo Aldunate

Iluminação: Edmar Leite

Filmagem: Luís Gustavo Aldunate, Kelly Cruz e Rafa Correia

Intérpretes de Libras: Jamilly Martins e Emanuel Vítor Araújo

Bolsistas PIBEC: Alexia Mille, Jonathan Ignácio e Rafa Correia

Elenco: Ádamo Teixeira, A Black Z, Dennis Weber, Luís Gustavo Aldunate, Luciano Oliveira e Rafa Correia.

SERVIÇO

Evento – Leituras Dramatizadas do texto teatral “Fegues”, do artista Luciano Oliveira

Classificação indicativa – Para maiores de 16 anos

Datas e horários – Dias 04 e 05 de junho de 2022, às 19h30 (horário de Rondônia)

Local  On-line, no canal do Youtube do artista:

1- Sábado: https://www.youtube.com/watch?v=47E_K32aNuY&ab_channel=LucianoOliveira

2- Domingo: https://www.youtube.com/watch?v=6K8Sux49z6I&ab_channel=LucianoOliveira

   

Quanto? – Gratuito

Legenda: O ator Ádamo Teixeira interpreta a personagem Diamond em “Fegues” que estreia no sábado (04), às 19h30 (horário de RO)

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