A “memória” na construção da cena teatral

Texto de Rogério Santos de Oliveira – Professor Adjunto-Universidade Federal de Ouro Preto – Doutor pela Universidad de Alcalá – e Luiz Carlos Costa Sarto – Graduando do Curso de Bacharelado em Direção Teatral-Bolsista de Iniciação Científica da Universidade Federal de Ouro Preto.

RESUMO: Este texto relata os resultados obtidos durante um projeto de pesquisa realizado sob nossa orientação: o projeto em questão buscou compreender como se manifesta a “memória teatral”, tanto em seu conteúdo teórico, a partir de uma pesquisa bibliográfica sobre o assunto, como na pratica teatral, durante o processo de construção de uma cena teatral, que teve como centro de análise e investigação a função da referida “memória teatral” na elaboração dos sentidos da cena teatral, que se constroem nas relações estabelecidas com outros elementos cênicos durante o processo criativo de um objeto cênico.

Palavras-chave: Memória teatral, Prática teatral, Processo criativo, Elementos cênicos, Pesquisa bibliográfica

RESUMEN: Este texto presenta los resultados obtenidos durante un proyecto de investigación realizado bajo nuestra orientación. El proyecto buscó comprender cómo se manifiesta la “memoria teatral”, tanto en su contenido teórico, a partir de una investigación bibliográfica sobre el tema, como en la práctica teatral, durante el proceso de construcción de una escena. Se tuvo como centro de análisis e investigación la función de dicha “memoria teatral” en la elaboración de los sentidos de la escena teatral, los cuales se construyen en las relaciones establecidas con otros elementos escénicos durante el proceso creativo de un objeto escénico.

Palabras clave: Memoria teatral, Práctica teatral, Proceso creativo, Elementos escénicos, Investigación bibliográfica

ABSTRACT: This text reports the results obtained during a research project carried out under our guidance. The project sought to understand how “theatrical memory” manifests itself, both in its theoretical content, based on a literature review on the subject, and in theatrical practice, during the process of constructing a scene. The analysis and investigation focused on the role of said “theatrical memory” in developing the meanings of the theatrical scene, which are built through the relationships established with other scenic elements during the creative process of a scenic object.

Keywords: Theatrical memory, Theatrical practice, Creative process, Scenic elements, Literature review

O fluxo da ação

OLIVEIRA, Rogério Santos. O “fluxo de Ação”. Ouro Preto: Universidade
Federal de Ouro Preto. Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas do
Instituto de Filosofia, Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto.
Professor Adjunto III.

RESUMO:
Este texto relata os resultados obtidos durante um projeto de pesquisa
realizado sob nossa orientação. O projeto em questão buscou compreender
como se manifesta o que chamamos de “fluxo de ação” a partir de uma
pesquisa pratica durante o processo de construção de uma cena teatral, que
teve como centro de análise e investigação a função do referido “fluxo de
ação” na elaboração dos sentidos da cena teatral, que se constroem nas
relações estabelecidas com outros elementos cênicos durante o processo
criativo de um objeto cênico.


PALAVRAS CHAVE: Teatro: Fluxo de ação: Cena Teatral.

RESUMEN:
Esse texto habla sobre los resultados durante un proyecto de investigación
hecho sob nuestra orientación: el proyecto en cuestión ha buscado
compreender como se manifiesta lo que llamamos de “fluxo de ação” a partir
de una investigación practica durante el proceso de construcción de una
escena teatral, que tuve como centro de analisis y investigación la función del
referido “fluxo de ação” en la elaboración de los sentidos de la escena teatral,
que se construye en las relaciones establecidas con los otros elementos de la
escena durante el processo creativo de uno objeto escenico.


PALABRAS CLAVE: Teatro: Fluxo de ação: Escena Teatral.

A partir da prática teatral, buscamos compreender como se pode desenvolver
novas ferramentas para o trabalho do ator e suas relações com outros
elementos cênicos. Assim pensando, organizamos uma abordagem do
processo atoral pensado a partir da “escrita automática” surrealista.

A primeira questão que se colocou foi: como transpor o “fluxo de escrita” para
um possível “fluxo de ação” e quais as relações que se poderia estabelecer
com os demais elementos cênicos que constituem a dinâmica da criação
atoral.

A primeira parte do trabalho então, deveria ser a disponibilidade física dos
atores para uma imersão num fluxo diferenciado de percepção da realidade
de seu entorno de trabalho, a sala de ensaio.

Trabalhamos com a relação entre as estruturas orgânicas dos corpos e suas
relações entre a estrutura física do espaço, suas possíveis dinâmicas e as
interações entre os outros corpos.

A desestruturação dos “modus operandis” dos corpos se fez claramente
necessária, uma vez que percebemos que as dinâmicas físicas e as formas
de utilização do corpo para expressar as relações culturais de cada indivíduo,
se encontravam muito cristalizadas nas suas formas de desenvolver as ações
no espaço e nas relações que de aí se multiplicavam entre os elementos
cênicos.

Um procedimento que nos pareceu interessante utilizar foi voltar a trabalhar
com os atores a percepção sobre o próprio corpo e seu entorno imediato, a
sala de ensaio e todos os elementos aí dispostos. Tanto no sentido interno
das relações físicas, como no sentido externo de relacionar o corpo com o
espaço e suas estruturas.

Utilizamos o trabalho de descontinuidade de ações e de dinâmicas a partir da
movimentação física no espaço de trabalho, através da alternância de ritmos,
velocidades e pulsações respiratórias.

Isso provocou uma liberação dos impulsos dos atores em relação ao seu
próprio corpo e, de maneira orgânica, uma outra forma de percepção do
espaço e suas relações criativas com os outros elementos cênicos.

Partindo deste ponto começamos a trabalhar possíveis maneiras de entender
essa nova abordagem física e suas reverberações na maneira de
compreender o processo de criação atoral.


Ficou claro que tendo essa parte do trabalho concluída – a desestruturação
física dos atores, isto é: uma outra percepção de suas potências corpóreas –
se fazia necessário também uma nova forma de abordagem da percepção da
narrativa cênica. Posto que a consciência do entorno dos atores, a partir de
uma nova forma de abordagem física no espaço, os levava a uma outra
maneira de perceber a realidade e outra dinâmica em relação aos seus
impulsos criativos.


Isso nos obrigou a repensar as relações entre a consciência espaço/temporal
dos atores e seus fluxos mentais. Entendemos que o pensar e o agir se
integram em alternâncias de consciência e ação, e posteriormente de
consciência sobre a ação realizada.


A forma que entendemos ser a mais positiva, foi construir um entorno criativo,
a partir da transformação da sala de ensaio em um ambiente mais acolhedor,
que possibilitasse aos atores agirem livremente e de maneira confortável pelo
espaço, gerando uma confiança para que pudessem trabalhar a nova forma
de entender todas essas questões, sem receio de parecerem desconectados
com seus próprios impulsos criativos.


Assim criamos um clima de confiabilidade entre os atores e seu trabalho
atoral, propiciando a eles liberdade suficiente para interagir com os
elementos cênicos e entre si.


A partir desse momento, o “fluxo de ação” ficou cada vez mais potente e
orgânico, potencializando uma nova narrativa física sobre o espaço/tempo da
criação. Já não importava se as estruturas narrativas, por parte dos atores,
faziam sentido lógico ou não, revertemos a lógica da ação, o que importava é
se havia uma lógica interna entre os impulsos sentidos e as ações realizadas.
Sentir e agir passou a ser a mesma coisa para os atores e as reverberações
entre as ações e seu entorno imediato, como num jogo de espelho, passou a
corresponder a um mesmo processo de relação entre as ações e seus efeitos
no espaço/tempo criado.


A narrativa então já se organizava sozinha, sem a necessidade de
interferência nossa sobre o trabalho dos atores. Ao “entrar” no “fluxo de
ação”, os atores automaticamente já iam criando uma narrativa também em
fluxo, ou seja, as relações entre os atores e os elementos cênicos, se
produzia de maneira orgânica e sem mediações afetivas.


Assim nossa função no trabalho criativo da cena também se modificou. A
partir do momento que percebemos a autonomia do processo de trabalho dos
atores, reorientamos nossa ação no sentido, não de construir uma narrativa
que desse lógica a cena, mas numa ação contínua sobre o espaço/tempo de
ação dos atores.


Assim fomos agindo sobre o trabalho criativo da cena, a partir das relações
entre os elementos cênicos e os atores. Na verdade, os atores passaram a
se configurar como um elemento a mais da cena e não o foco principal da
nossa ação criativa. Organizar o espaço/tempo passou então a ser interferir
esteticamente no espaço e criar ambiências para o trabalho dos atores.


A cada interferência nossa, novas relações criativas surgiam naturalmente, e
a percepção de como essas modificações iam criando novas possibilidades
de interferência estética sobre o trabalho como um todo ficou sendo a nossa
função no processo.


A autonomia dos atores em relação a narrativa da cena e a uma ordenação
dessa narrativa por parte da direção, também provocou uma autonomia na
direção em relação a ação dos atores, produzindo uma nova forma de
abordagem dos problemas da cena.


Nesse momento, a direção passou a agir cada vez mais intensamente na
estética da cena. Criar já não era organizar os elementos cênicos, mas agir
sobre eles de forma independente da estruturação de uma narrativa lógica da
cena, seguindo nossos próprios impulsos criativos, em consonância com o
“fluxo de ação”.


A direção se apropriou então da técnica do “fluxo” para construir sua criação,
integrada com todos os elementos cênicos e os atores. Inclusive se
movimentando dentro da área de criação para perceber os ritmos internos
dos movimentos narrativos da cena, o que propiciou uma outra percepção
sobre a função da direção dentro do trabalho.


Assim entendemos que toda maneira de abordagem de um trabalho, deve
caminhar integrada entre todos os elementos criativos do mesmo. Uma nova
orientação em relação ao trabalho da direção se faz necessária toda vez que
os procedimentos criativos se alternam.


Tentar elaborar uma cena sem perceber como ela se organiza internamente,
é o mesmo que trabalhar apenas a partir da superfície, omitindo a
importância das percepções subjetivas do trabalho de criação. Fato que não
se pode desassociar das relações criativas que se produzem no momento de
criação da cena.


A partir dessa reflexões sobre nosso trabalho de criação teatral, entendemos
que construímos, para a continuidade de nosso processo criativo, uma ponte
entre o fazer e o pensar a obra. Elaborando um material de pesquisa para o
nosso próprio fazer e contribuindo para uma discussão mais ampliada sobre
os processos da criação teatral.


Bibliografia:


BRAUN, Edward (1986). El Director y la Escena. Buenos Aires: Editorial
Galerna.
CEBALLOS, Edgar (1992). Princípios de Direción Escénica. México: Grupo
Editorial Gaceta, SA.
CHEKHOV, Michael (1986). Para o ator. São Paulo, Martins Fontes.
FISCHER-LICHTE, Erika (1999). Semiótica del Teatro. España: Arco/Libros,
S.L.
GALIZIA, Luiz Roberto (1986). Os processos criativos de Robert Wilson. São
Paulo, Editora Perspectiva.
SANTOS, Milton (2002). A Natureza do Espaço. São Paulo: Editora EDUSP.

EL PROCESO CREATIVO TEATRAL: CONCEPTUALIZACIÓN Y ANÁLISIS A TRAVÉS DE SU APLICACIÓN A LA OBRADE ALBERT BOADELLA Y ELS JOGLARS

Tese de doutorado – Universidad de Alcalá (España)

Autor: Rogério Santos de Oliveira

RESUMEN: En la presente Tesis Doctoral se propone, diseña y aplica un modelo de análisis apto para estudiar el proceso creativo teatral generado a partir de la práctica de la improvisación llevada a cabo durante los ensayos.
El desarrollo de la misma se sirve del examen de los procesos creativos emanados, a lo largo de la historia del teatro contemporáneo, de la actividad de las más notables figuras de la dirección y de la teoría teatrales, bien desde la faceta artística, bien desde la faceta investigadora (con frecuencia, de carácter experimental), bien (en la mayor parte de los casos) desde la conjunción de ambos propósitos. En consecuencia, en la Tesis se estudian de manera sistematizada las labores creativas llevadas a cabo, durante los siglos XIX y XX, por el Duque de Meiningen, Stanislavski, Brecht, Artaud, Grotowski y, en especial, por el grupo teatral Els Joglars y por su director Albert Boadella. A fin de contrastar la validez e idoneidad del modelo propuesto, éste es aplicado de manera rigurosa al estudio del proceso de ensayo que dio lugar al espectáculo Daaalí (1999), de Boadella y Els Joglars.

ABSTRACT: In this present doctorate thesis, we proposed to create an analysis model of the theatrical creative process during the rehearsals. Many improvisation methods were observed, taking into consideration several creative processes, from different dramatists that maintain, or maintained this practise as a source of creative and investigative work. In order to do that, we have studied and analysed the theatrical processes of some directors plays from XIX and XX centuries, such as Meiningen, Brecht, Artaud, Stanislavski Grotowski, and specially the theatrical group Els Joglars and its director Albert Boadella. And for proving the validity and dimension of our “model”, we have applied it to the rehearsal of the performance Daaalí (1999), from the group Els Joglars.

Lei PNAB entra em contagem regressiva: Rondônia corre risco de perder recursos fundamentais para a cultura

Por Adailtom Alves Teixeira – Professor Adjunto da Universidade Federal de Rondônia; doutor e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp); graduado em História pela Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul); um dos fundadores e articulador da Rede Brasileira de Teatro de Rua.

Fonte: https://teatroempvh.blogspot.com/2025/04/lei-pnab-entra-em-contagem-regressiva.html

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Faltam apenas 78 dias para que estados e municípios cumpram os prazos de execução da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), sob risco de perder os repasses previstos para o próximo ano. Apesar de os recursos já estarem depositados nas contas dos entes federativos que aderiram ao programa, a esmagadora maioria dos municípios de nosso estado ainda não lançou os editais públicos necessários para a aplicação do montante. A situação é especialmente preocupante quanto ao estado de Rondônia, onde o atraso não só compromete o volume de recursos destinado, mas também afeta todos os municípios – inclusive aqueles que, por motivos diversos, não aderiram formalmente à política.

A PNAB representa um avanço importante na consolidação de uma política pública de fomento cultural de caráter continuado no Brasil. Diferente das ações emergenciais anteriores, como a Lei Aldir Blanc (em sua primeira versão) e a Lei Paulo Gustavo, a PNAB visa estabelecer uma estrutura permanente de financiamento à cultura, respeitando a diversidade regional e promovendo a descentralização dos recursos. O não cumprimento dos prazos significa, na prática, abrir mão do desenvolvimento cultural, social e econômico local, bem como abrir mão da construção de uma identidade cultural forte em nosso estado.

A cultura é vetor de desenvolvimento. Gera emprego, renda, movimenta o turismo e fortalece a economia dos territórios, mas também pode ser motivo de orgulho de um povo, posto que as produções artísticas chegam onde outros fatores não costumam chegar. Em estados como Rondônia, onde ainda não há uma política pública de cultura efetiva e estruturada, o desperdício desses recursos equivale a negligenciar oportunidades reais de transformação. A ausência de editais e a morosidade na execução do que está previsto em lei vão na contramão da realidade vivida por centenas de trabalhadores da cultura que dependem desses incentivos para continuar produzindo.

O histórico recente não é animador. Mesmo com os impactos positivos gerados pela Lei Paulo Gustavo – responsável por fomentar a produção de filmes, mostras, festivais, espetáculos e outras expressões artísticas no estado, alguns já realizados e outros ainda em processo – a Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel) não conseguiu executar a totalidade dos recursos. Muitos projetos contemplados sequer foram pagos, e parte do dinheiro precisou ser devolvido ao Tesouro Nacional. O temor da classe artística é que a história se repita com a PNAB.

Desde a primeira Lei Aldir Blanc, passando pela Paulo Gustavo até o atual marco da PNAB, o Conselho Estadual de Política Cultural (CEPC) e a sociedade civil organizada têm atuado incansavelmente na defesa da cultura em Rondônia. São esses atores que pressionam, dialogam e propõem soluções para garantir que os recursos cheguem à ponta. No entanto, a falta de prioridade política e administrativa tem minado os esforços coletivos.

Com o tempo se esgotando, é urgente que os gestores públicos ajam com responsabilidade. Cada dia perdido representa uma oportunidade a menos para centenas de fazedores de cultura, coletivos e comunidades tradicionais que, historicamente, têm sido invisibilizados pelas políticas estatais. Se o dinheiro está disponível, já em conta. Há que se perguntar:  O que falta aos gestores públicos? Só uma política pública efetiva e robusta será capaz de fortalecer a cultura e impulsionar o desenvolvimento do nosso estado. E a PNAB é o caminho para que isso ocorra.

Naurú, o poeta das guerras, da arte e da vida

Os ecos de Naurú continuam reverberando nos nossos sentidos.

A natureza pede socorro: me salvem dos “negócios”, dos “negócios”, dos “né.gó.ci.os”.

O sangue nos olhos; o sangue no arame farpado; o sangue na terra desértica pelo desmatamento; o sangue que corre nas veias dos rios intoxicados; que jorra pela boca dos animais; que, como lágrima de borracha, se derrama das árvores, e pelas árvores.

Flor.Esta. Flo.Resta!

Os gritos de Naurú ainda ecoam nos nossos ouvidos!

Naurú é força. É arte. É vida. Naurú é espetáculo que flui grandemente, como poesia, pelo grande palco arredondado da experiência. Que com seus olhos vê o céu sem fumaça, repleto de luzes coloridas, de estrelas e de aves noturnas que gorjeiam.

Naurú também é dia. Naurú é bebê e criança. Brincadeira. É ainda adulto que se fere e doente que se cura. Naurú é preto. Naurú é mulher. Naurú é afeminado. É minoria.

Naurú é ancestral, seja do vasto e rico continente africano, seja dos povos originários das américas feridas pela cobiça europeia.

A flor.que.resta da Amazônia é Naurú. É puro poema, diria Carlos Drummond de Andrade. Mas, infelizmente, essa vastidão de verde tem versos em branco: seria o cerrado ou os desmatamentos?

Naurú não é guerra. Todavia, luta as batalhas da guerra para salvar a vida.

O “Xapiri Pê” é um guerreiro Naurú: um coletivo de artistas democratas que, como um manifesto, combate a violência institucional. Esta, que como monstros sombrios, vem de dentro. Que luta contra a grilagem de terras. Os maus políticos. Os ditadores e as suas ditaduras. Que combate a má polícia e apoia os bons policiais. Que a.ti.ra na bu.rri.ce. Ditadura nunca mais. Precisamos de verdade, memória, justiça… E reparação!

A força e a poesia de Narú se vê emblematicamente na bandeira. No suor do trabalho do agricu-Ator.

Narú é rito, caboclagem, dança, linguagem desconexa, dialeto. Marcação. Demarcação já!

O coral da floresta, composto por naipes de onças, cantos de pássaros e roçar das folhas, também é Naurú.

Mas em nome do progresso, do comércio e do agronegócio, querem calá-lo.

As ordens militares, os tiros de escopeta e de metralhadora, os roncos de motores de tratores e de hélices de helicóptero não calarão a sabedoria do “Poeta das GuErras”. Censura nunca mais!

A arte é para todos e para os mais diferentes lugares, diria Naurú frente a negação do espaço público pelas forças que querem o silenciamento. Não, o sábio poeta não se calará! E exigirá o que é seu de direito: a terra, as águas, as riquezas e o teatro.

Ah, o teatro! Naurú convoca Brecht e Artaud. Chama, dialeticamente, a loucura deliciosa para a criação. Requer uma dose de insanidade. Até um pouco de cachaça. E muito axé!

Naurú aclama os mortos pela ditadura e os ambientalistas assassinados pelos gananciosos dos frutos da terra. Cuidado, estes pertencem à natureza. E ela se vinga!

Naurú é história, filosofia, dramaturgia, biologia. São os conhecimentos amazônicos (e “amazônidos”). É Rondônia. Brasil. América Latina. É “mundo, mundo, vasto mundo”!

Naurú é teatro contemporâneo.

“Naurú *** Poeta das GuErras” é um espetáculo de 2025 criado pelo “Coletivo Xapiri Pê”, de Porto Velho, que dialoga com o presente. Mas não esquece o passado. E se preocupa com o futuro.

Créditos das imagens: Fotos de Raquel Melyssa, Thales Gomes e Matheus Duarte.

Continue lendo “Naurú, o poeta das guerras, da arte e da vida”

Um pouquinho de história de Direito de Família e o empoderamento feminino!, por Bia Camponogara

Compartilho com meus leitores o link do belíssimo e profundo texto de Bia Camponogara, de Florianópolis, sobre direito de família e empoderamento feminino, publicado em seu blog em 2019: https://saboresesaberesbybia.blogspot.com/2019/08/um-pouquinho-de-historia-de-direito-de.html

A própria autora resume o objetivo de seu escrito: “O texto também tem a finalidade de mostrar que o direito de família não é uma súmula vinculante, e cada família é única; todas são diferentes na forma, na cultura, nos princípios, na essência, merecendo o devido respeito!!!!”

Façam seus comentários no blog dela!

Boa leitura!!!

Luciano Oliveira

Fonte da imagem destacada: https://pt.pngtree.com/freepng/a-gay-couple-of-different-race-with-disability-black-white-in-love_14905833.html

O Pesadelo da Borboleta: um devaneio de espetáculo!

Marilyn Clara Nunes, a mais recente professora do Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), e atriz fundadora do Oposto Teatro Laboratório, apresentou, em 24/02/2024, sábado, no Espaço Caixa Mágica de Porto Velho, o fascinante espetáculo solo O Pesadelo da Borboleta.

Com a competente encenação da renomada atriz Julia Varley, do grupo Odin Teatret, da Dinamarca, esse solo, apresentado pela terceira vez na capital rondoniense, possui em seu histórico diversas premiações, a exemplo do prêmio “Myriam Muniz- montagem sudeste”, de 2016. O Pesadelo da Borboleta estreou na Dinamarca em setembro de 2018, após quatro longos e árduos anos de ensaio, e já foi apresentando Brasil afora, bem como no México. 

Com seu profissionalismo lapidado internacionalmente, Marilyn Nunes representa, de modo muito profundo e vertical, uma pintora que

está reclusa em seu ateliê de obras inacabadas quando adormece e tem um sonho – ou seria um pesadelo? Ela recorda passagens de sua primeira infância: seu nascimento, as primeiras flores e borboletas que viu, os rios, pássaros, árvores…e desse acesso às memórias surge também a lembrança da inesperada morte do pai. Acompanhada pela voz de sua mãe, que narra os detalhes desses acontecimentos, ela adentra o seu trauma. O isolamento em que vive é como o tempo de uma lagarta que espera o momento de tornar-se borboleta, ela busca por sua ‘metamorfose humana’.

A atriz Marilyn Nunes, com sua densa e complexa personagem, nos faz refletir sobre o tempo, sobre a morte/vida, sobre a memória/passado, sobre nossos aprisionamentos, sobre aqueles que amamos, e também sobre o porvir, pois, como disse o autor moçambicano Mia Couto, o “futuro é uma coisa que, existindo, nunca chega a haver” (“Mar me quer”).

Aliás, além de (ins)Pirações em Mia Couto, nas obras “Antes de Nascer o Mundo”, “Confissões da Leoa” e “O último voo do Flamingo”, O Pesadelo da Borboleta recorre, para sua intrincada tecitura dramatúrgica, às obras “O Diário de Frida Kahlo”, de Frida Kahlo, “Infância”, de Graciliano Ramos, “Violeta Velha e outras flores”, de Matheus Arcaro, “Viagem ao Oriente”, de Herman Hesse, e ao poema “Pirata”, de Hilda Hilst. E não menos importante, às próprias histórias de vida da atriz, como a perda de seu genitor quando tinha apenas três anos de idade.

A interpretação de Marilyn Nunes atinge um grau de virtuosismo sagrado. Ela, aproximando-me analogicamente ao Katkakali e ao Odissi indianos, enfrenta-se com os espectadores enquanto atriz, bailarina, cantora e musicista. E por que não como artista plástica, lembrando o princípio da atuação polifônica do encenador russo Vsevolod Meyerhold? Em termos metodológicos e didáticos, as ações cênicas que ela desenvolve são um exemplo primoroso do teatro antropológico de Eugênio Barba; um livro prático dos princípios poéticos e estéticos do teatro contemporâneo ocidental, desde Grotowski, passando por Peter Brook, e desembocando no próprio Barba e nos integrantes do seu Odin Teatret. E isso tudo com um toque da “peste virulenta” e da “loucura” de Antonin Artaud. Parafraseando esse teórico, Marilyn é “uma atleta afetiva” que, como uma borboleta em seu processo de metamorfose, emerge de sua pupa, expressando toda sua beleza, dor, plenitude e complexidade.

O Pesadelo da Borboleta é um espécime de ética profissional que faz transbordar nos espectadores os mais intensos sentimentos. Um gigante de sonhos profundos a despertar e voar pelos mais esplendorosos festivais de teatro do mundo! Um devaneio de espetáculo!

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Foto destacada da capa: Tommy Bay

FICHA TÉCNICA COMPLETA
Atriz criadora: Marilyn Nunes
Direção: Julia Varley
Assistente de direção: Flávia Coelho
Colaboração na criação de materiais cênicos: Laís Taufic e Flávia Coelho
Figurino e iluminação: Oposto Teatro Laboratório
Sonoplastia: “Canção para ninar Oxum”, cantada por Juçara Marsal; “Acalanto”,
cantada por Nana Caymmi e “Quando a saudade insistir”, cantada por Isaura
Garcia. Narração-Depoimento:Lucimar Sukert.
Montagem de sonoplastia: gravação e primeira edição: Marilyn Nunes; Segunda
edição: Flávia Coelho. Melhoria sonora: Beto Guedes. Edição de músicas: Flávia
Coelho; programação: Marilyn Nunes.
Texto inspirado em excerto das obras: “Antes de Nascer o mundo”, “Confissões
da Leoa” e “O último voo do flamingo”, de Mia Couto, “O Diário de Frida
Kahlo”, de Frida Kahlo, “Infância”, de Graciliano Ramos, “Violeta Velha e outras
flores”, de Matheus Arcaro, “Viagem ao Oriente”, de Herman Hesse. Poema de
Hilda Hilst “Pirata”.
Direção de montagem do texto: Julia Varley
Adaptação e pesquisa textual: Flávia Coelho, Lais Taufic e Marilyn Nunes
Cenário, figurino e adereços: Julia Varley, Marilyn Nunes e Flávia Coelho
Construção de adereços em madeira: Hjalmar Andersen
Fotografia: Tommy Bay e Ed Wesley
Gravação audiovisual do espetáculo: Studio Águia.
Produção: Oposto Teatro Laboratório.
Coprodução: Nordisk Teaterlaboratorium

Corpos do Prazer ganha prêmio internacional

O vídeo-teatro performativo Corpos do Prazer, produção do Coletivo 2 x 2 – RO, recebeu o prêmio de Melhor Vídeo Teatro no Salão Internacional de Artes Presencial (https://vemsac.com/), ocorrido em dezembro de 2022, em Portugal.

Corpos do Prazer é uma obra artística resultante das investigações empreendidas por Ádamo Teixeira, egresso do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe a lançar-se como artista ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social, da transfobia e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência e o moralismo tão em voga no Brasil.

Estamos deveras contentes com a primeira premiação do Coletivo 2×2 – RO e com a primeira premiação internacional do ator Ádamo Teixeira e dos diretores Luciano Oliveira e Luís Gustavo Aldunate.

Dedicamos esse prêmio à todas as travestis de Porto Velho e de Rondônia que, nos seus cotidianos, enfrentam inúmeras violências e exclusões!

Corpos do Prazer pode ser assistido a partir deste link: https://www.youtube.com/watch?v=j83gbP_xock

Ficha Técnica:

Atuação, figurino, maquiagem, cenografia e iluminação: Ádamo Teixeira

Direção/orientação, técnica e produção: Luciano Oliveira

Publicitário, direção de vídeo e edição: Luís Gustavo Aldunate

Assessoria de imprensa: Dennis Weber

Elenco de apoio: Luciano Oliveira e Luís Gustavo Aldunate

Intérprete de Libras: Jamilly Martins

Corpos do Prazer será exibido em Portugal

O vídeo-teatro performativo Corpos do Prazer (https://www.youtube.com/watch?v=j83gbP_xock&list=PLJlPTUTgz-Y6T__wPBSiXQlM9muFFrBTC&index=6), produção do Coletivo 2 x 2 – RO (https://www.instagram.com/coletivo2x2rondonia/), do qual eu também faço parte, será exibido, em dezembro de 2022, no Salão Internacional de Artes Presencial (https://vemsac.com/) em Lisboa, Portugal.

“Corpos do Prazer” é uma obra artística resultante das investigações empreendidas pelo discente Ádamo Teixeira, do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe a lançar-se como artista ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social, da transfobia e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência e o moralismo.

Estamos muito felizes com a primeira exibição internacional do nosso trabalho!

Ficha Técnica:

Atuação, figurino, maquiagem, cenografia e iluminação: Ádamo Teixeira

Direção/orientação, técnica e produção: Luciano Oliveira

Publicitário, direção de vídeo e edição: Luís Gustavo Aldunate

Assessoria de imprensa: Dennis Weber

Elenco de apoio: Luciano Oliveira e Luís Gustavo Aldunate

Intérprete de Libras: Jamilly Martins

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