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TALISMÃ – Cia. Noturnos

Os talismãs Didi Vilela e Dirlean Loyolla, sob a direção do competente diretor e professor de teatro Marcelo Rocco, protagonizam o espetáculo Talismã, nova e delicada produção da Cia. Noturnos, de Belo Horizonte. Com duração justa de 50 minutos, o espetáculo insere os espectadores nas complexas, dicotômicas e paradoxais relações entre mãe e filho, em que o último deseja mais que o batom e os vestidos da primeira.

De caráter fortemente performático, uma das linhas de pesquisa de Marcelo Rocco, Talismã ganha o público pela excelente e comovente interpretação dos seus atores, pelo figurino e cenário mais que dignos de Ines Linke e Thálita Motta e pela fantástica (e deliciosa) trilha sonora de Maria Tereza Costa.

Talismã estará em cartaz, no Espaço Gruta!, até o dia 20 de outubro, sempre às sextas, sábados e domingos.

Se, como eu, você quiser se emocionar pela via da percepção e das sensações, não deixe de assistir e de levar os parentes e amigos à essa deliciosa produção da Cia. Noturnos.

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The talismans Didi Vilela and Dirlean Loyolla, under the direction of  the competent director and theatre teacher Marcelo Rocco, are the protagonists of the show “Talismã”; new and well done production of “Cia Noturnos” in the city of Belo Horizonte. Lasting exactly 50 minutes, the show inserts its spectators in the complex, paradoxical and dichotomous relationship between mother and son, the latter want more than the lipstick and the dresses of the first.

Of strongly performative character, one of the academic research lines of Marcelo Rocco, “Talismã” wins over the public for the excellent and  touching interpretation of its actors and the beautiful costumes and scenery of Ines Linke and Thalita Motta and the fantastic (and delicious) soundtrack of Maria Teresa Costa.

Talismã will be shown at “Espaço Gruta!”, until October 20th, always on Fridays, Saturdays and Sundays.

If, like me, you want to be moved by emotions by means of perception and sensation, be sure to attend and bring your family and friends to this nice production of “Cia Noturnos”.

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Serviço:

TALISMÃ, ESPAÇO GRUTA! RUA PITANGUI, 3613 – HORTO . TEL 2511-6770

SET 09.14.15.16.22.23.30
OUT 05.06.07.12.13.14.19.20

SEX e SAB 20h . DOM19h

INGRESSOS: R$ 20,00 (inteira) . R$ 10,00 (meia)

CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DE Talismã

Um sonho de Cordel

Aos 5 de agosto de 2012, assisti ao espetáculo “Um Sonho de Cordel”, do Grupo de Teatro Macacos Bêbados – Teatro Universitário da UFMG. O mesmo ocorreu na Praça dos Fundadores (ou praça das cabeças), no Parque Municipal de Belo Horizonte.

O parque estava repleto de pessoas felizes, principalmente pais com suas crianças serelepes. E foi no intuito de atraí-las para a apresentação, que ocorreu um cortejo muito animado dos personagens pelos principais caminhos do verde e iluminado parque. Não senti o tempo passar, haja vista o clima gostoso que foi instaurado pela trupe. Mas acredito que a passeata  durou cerca de 40 minutos. Em hipótese nenhuma isto é um desmérito, muito pelo contrário.

Ao voltarmos à Praça dos Fundadores, uma plateia maior se formou. Nos dispusemos em círculo (teatro de arena). Aliás, esse tipo de disposição dita uma estética específica para um espetáculo teatral, em que os artistas devem jogar com todo o público que o cerca. Nesse sentido o trabalho foi um pouco falho! Talvez isso se deva à pouca idade dos atores e atrizes (lembro os leitores que são alunos do 1º Ano do Curso Técnico em Teatro do TU). Uma outra questão relevante para essa pequena falha foi a colocação de uma câmera filmadora na parte da frente das “cabeças dos fundadores”. O grupo estava gravando o trabalho para inscrevê-lo no FETO (Festival Estudantil de Teatro de BH). Isso condicionou a interpretação à frontalidade, ou seja, à estética do palco italiano. Assim, tomando o cordel como uma das mais importantes formas de manifestação cultural do Brasil, e que se passa junto ao povo, e que é feita pelo povo para o povo, faz-se importante uma reflexão sobre essa disposição frontal da cena. Ela foi proposital?

 Fernando Limoeiro, o criativo diretor do trabalho, possui um trabalho  muito forte e interessante com diversos tipos de manifestações artísticas populares, principalmente com o Mamulengo do nordeste brasileiro.  Isso contribuiu em muito para as cores, para a alegria, para o jeito descontraído e para o ritmo gostoso do espetáculo. Os cordéis que são narrados e interpretados pelo grupo teatral são uma delícia para os ouvidos. Mas, é necessário cuidado com as palavras difíceis e velozes dos cordéis. Em certos momentos, principalmente no início da apresentação, alguns atores (estou falando dos meninos) falaram muito baixo e de forma não inteligível. Atenção, garotada!

As músicas também são deliciosas e contagiantes. A partir de diversos instrumentos musicais, alguns deles improvisados (como a metade de uma garrafa pet), a trupe fazia nascer o ritmo, como num passe de mágica, à nossa frente. Isso é muito difícil, ainda mais para artistas jovens, por isso alguns atravessamentos que ocorreram no ritmo são mais que perdoados.

As maquiagens, os figurinos e os adereços são lindos! Ah, tem também um mamulengo incrível no espetáculo: seria fantástico se ele aparecesse um pouco mais, hein!

Bem, já falei o quanto o espetáculo foi contagiante. Contudo, vale a pena ressaltar a imensa alegria das crianças que o assistiram nessa linda manhã de domingo na capital mineira. Olhos brilhantes, mãozinhas inquietas, sorrisos sem dentes, perninhas que dançavam felizes e carinhas assombradas pelo medo (por causa do capeta e do boi bravo), constituíram o maior prêmio para os atores, atrizes e diretor do trabalho, além dos aplausos intermináveis da plateia. “E óia que vi um sinhó colocá 50 real num charpéu nu final da peça”.

Tenho certeza que “Um Sonho de Cordel” brilhará no FETO desse ano.

Luciano Oliveira

 

 

 

 

Textos do Fundo do Baú de um Fundo Fundo.

Ontem a noite, quando organizava meu material acadêmico, encontrei dois pequenos textos da época em que eu era estudante do curso de Artes Cênicas da UFOP. Isso, lá pelos idos do princípio do século XXI (2000-2001). Apesar da ingenuidade do pensamento, até que os textos me pareceram interessantes. Por isso irei publicá-los, sem vergonha alguma, inclusive com os erros ortográficos e de pontuação. Em cada época temos a maturidade que devemos ter! Isso parece óbvio, mas não é. Hoje, às 32 primaveras, olho para trás e vejo com clareza os diferentes momentos da minha vida: sejam profissionais, amorosos, artísticos e/ou familiares. É um privilégio amadurecer amando e tendo grandes perspectivas profissionais.

Bem, o primeiro texto chama-se “O Belo Adormecido”. Foi escrito para a disciplina Expressão Corporal I, ministrada por Mônica Ribeiro, no 1º Período do Curso de Direção Teatral. Se não me engano, ela pediu que respondêssemos à uma pergunta mais ou menos assim: “Como é o seu corpo e como você o percebe?”.

Vamos à resposta:

O BELO ADORMECIDO

         O nosso corpo é uma casa onde queremos morar. Uma casa habitada por fantasmas e inquilinos que conhecemos desde crianças.

         – “Ah, o rim é o bago de feijão! E tem também o pulmão, o coração e o fígado que é bão. O baço, o pâncreas, o estômago, o intestino e o cérebro também são. Tem também os sexos que… talvez serão”.

         Todos os processos: involuntários ou voluntários, e a escadaria colunada, formam uma imensa mansão, a qual está fora dos nossos domínios. Uma mansão repleta de preguiçosos que levam uma vida sedentária, comendo e bebendo, comendo e bebendo do bom e do ruim.

         – Vai um cigarrinho aí, senhorita Pulmão?

         – E que tal uma cervejinha gelada, hein, Sr. Figadão?

         – Manda uma salada bem verdinha aí, patrão!

         Saindo: um hambúrguer, dois Spy-colas, um litro de poluição, dois engarrafamentos, uma pitadinha de tensão, meia dúzia de angústia, depressão. Junte todos os ingredientes e leve ao multiprocessador. Ah, não se esqueça da agitação!

         Sem problemas. Logo iremos à academia e faremos alguns abdominais. No final de semana estaremos enxutos. Colocaremos aquele jeans apertadinho, uma sunga sufocante, aquele salto belíssimo! Aperta um pouco, só um pouquinho! Valerá à pena! Ficaremos sexs e elegantes.

         Na segunda-feira virá a consequência. Na segunda não! Esses acontecimentos se dão cotidianamente. E nós… pobres de nós… Achando que cuidando do físico, cuidamos do corpo, e tiramos da consciência o peso que nos atormenta: o de ver no espelho o reflexo da barriguinha, das estrias e…

         Não, chega! A partir de hoje iremos tomar consciência dos nossos corpos. Digo: do meu corpo! Meu corpo não falará pelos outros. Praticarei ciclismo, tênis, natação, golfe, capoeira, futebol, basquetebol, paraquedismo. Contudo, ao final do mês chegarão as contas: do gelol, do doutorzinho, do doutorzão!

         Meus amigos mencionaram uma tal antiginástica. Fui lá conferir. Um bando de lunáticos colocando bolinhas no cóccix, no sacro. Dizem que cura até impotência e a tal da rigidez muscular. Legal!

       Enfim, hoje estou me analisando de fora, vendo-me por dentro, tomando consciência do meu corpo, fazendo reflexologia e assistindo televisão. Mas é possível, é essencial sentir em nosso corpo quem somos, o que somos. Sejamos antes de tudo corpo. Sejamos enfim corpo. Sejamos.

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      O outro texto foi escrito um ano depois, em 2001. Foi uma encomenda da professora Marina Miranda, que na ocasião ministrava a disciplina Folclore. Eu já estava no 2º Período. Um pouquinho mais maduro!  Ela pediu que escrevêssemos uma autobiografia.

QUEM SOU EU?

         – Eu? Eu sou eu, pô! Um homem de uns poucos e bem vividos anos. Falo a minha idade? Não será um inconveniente? Ah, tenho 20! Tá bem: sei que estou na flor da idade e os meus hormônios me fazem um sujeito… As garotas me adoram!

         Como disse Carlos Drummond de Andrade:”Eu sou constituído de aço”. Nascido das Minas Gerais, produzido em um alto-forno e descendente de um certo francês cujo nome da cidade o homenageia: João Monlevade. Como são lindas as montanhas da minha terra: férteis e ricas em minerais! Quanta gente boa e bonita! E é dessa gente que venho. Família de nove filhos, pai, mãe, sobrinhos e primos. Esse é o nosso legado.

         Família pobre, mas lutadora. Desbravadora das dificuldades!

          Foi assim que se constituiu minha educação: de sol em sol; de madrugada, vestindo-me de gravata borboleta, paletó e abridor de garrafas. O que você achou que era? Não sou nenhum diplomata!

         Escolhi para a minha formação técnica as reações, os gases, as explosões e a insalubridade da química. Como eu gostava disso! E ainda gosto. Só que agora o meu coração tem uma nova paixão. São coisas que acontecem. Não vejo isso como traição. Foi amor à primeira vista. Ou melhor: à primeira atuação. O teatro entrou como uma tempestade, devastando minh’alma e arrancando lágrimas suaves da minha face ocular. Oh, técnica maldita! Por que me fazes sofrer assim? Por que tu não és mais simplificada? Onde se encontra tua estabilidade? Favor não interferir em minha progenitura. Quero-te pra mim! Mas, por favor, entenda minha traição!

          Assim se formou parte do meu caráter alegre, amigo, compreensivo e responsável. Contudo, às vezes, minha cabeça parece um relógio cuco: Cuco! Cuco! Cuco! Cuco! Acorda, levanta, faça isso, faça aquilo e mais aquilo. Calma! Controle-se, respire um pouco! Relaxe. Acho que preciso de uma companheira: mãe, mãezinha, cade você?

         – É, preciso mesmo!

         – Muito prazer!

                                                       Luciano Oliveira

I Encontro dos Ex-Alunos do Curso de Artes Cênicas da UFOP.

Documentário realizado pela TV UFOP sobre o I Encontro dos Ex-Alunos do Departamento de Artes (Artes Cênicas) da UFOP, ocorrido dentro do Festival de Inverno/Fórum das Artes de Ouro Preto, de 2012. Falei sobre a importância da formação de Redes Humanas para o mercado de trabalho teatral. Está tudo muito bom no vídeo, exceto que me deram o crédito errado. Não sou professor universitário, mas sim diretor, ator, produtor e professor de teatro.

FIT-BH 2012: $uce$$o total de público e crítica

Uau, o Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte desse ano está realmente incrível! Com excelente programação, o FIT-BH está atraindo os olhares de espectadores de diversos Estados do Brasil e também de outros países.

Quem ainda não teve a oportunidade de assistir a nenhum espetáculo, não pode perder o último final de semana do Festival. De hoje, desde às 12:00 hs, até amanhã, no mesmo horário, está acontecendo a Virada Teatral, em diferentes pontos da cidade, principalmente no Parque Municipal. Veja a programação em: http://www.fitbh.com.br/2012/ae.php?id=24#.T-YX85G0ZQg

Ontem, tive a grande felicidade de assistir ao espetáculo “Voyageurs Immobiles”, da Companhia Philippe Genty, da França. Sem dúvida esse foi um dos melhores espetáculos do Festival, quiçá um dos mais emocionantes de toda a história do FIT-BH. Realmente foi incrível, pois trata-se de uma montagem plasticamente linda, colorida, de temática forte e descontraída, com canções e coreografias belíssimas, trilha sonora e iluminação impactantes. Enfim, “Voyageurs Immobiles” foi de arrepiar de bonito. Em vários momentos quase chorei de emoção e também de tanto rir. Ademais, tive a sorte de ter à minha frente a atriz Teuda Bara, do Grupo Galpão, que com sua gargalhada irrestivível contagiava toda a platéia. Ao apagar das luzes, a platéia, de pé, aplaudiu, assoviou e gritou por volta de 10 minutos. Estou até com calos nas mãos!

Finalmente, gostaria de parabenizar aos organizadores e produtores do FIT-BH 2012, em especial ao Marcelo Bones e ao Cristiano Peixoto, pela excelente curadoria do Festival. Vocês muito honram a classe artística de Belo Horizonte!

Luciano Oliveira

METAFORMOSE – GIRINO TEATRO DE ANIMAÇÃO

No último domingo, 27 de maio de 2012, assisti à excelente montagem Metaformose, do Girino Teatro de Animação de Belo Horizonte. Dirigido pelo promissor e talentoso diretor Tiago Almeida, o espetáculo, inspirado no livro homônimo (Metamorfose) de Paulo Leminski,  trata de “uma viagem pelo imaginário do hibridismo humano, da instabilidade da linguagem, dos corpos e das formas”. (Fonte: Programa da Montagem).

Já no início do espetáculo, antes de entrarmos no teatro, fomos surpreendidos pela interessante performance de Aline Midori. Com sua bela máscara de papel, a performer nos apresentou a instabilidade e a efemeridade das formas, que se desintegram sob a presença dos elementos da natureza, como o fogo. (“Metamorfose”: na natureza nada se perde, tudo se transforma – Lavoisier).

De caráter contemporâneo, a montagem recorre a múltiplas linguagens artísticas: Teatro de Animação, principalmente ao teatro de bonecos e às máscaras; Teatro de Atores; Vídeo; Cinema de Animação e Música. Aliás, a trilha sonora do espetáculo é digna de um Óscar!

Não só as músicas merecem destaque. Visualmente, o espetáculo é muito bonito: bonecos, máscaras, figurinos, maquiagens, luz e objetos de cena. Talvez beleza não seja o melhor adjetivo para tratar o cenário, mas, com toda certeza, é um dos mais funcionais que vi nos últimos anos. Cena e cenário se encaixam perfeitamente bem. Ou vice-versa.

Os vídeos são incríveis!

E o interessante disso tudo é que o grupo Girino não possui patrocínio e muito menos incentivo das leis de incentivo (paradoxal, não?). Como adoráveis pontinhos e traçadas retas linhas, tudo foi sendo construído com os próprios recursos dos artistas do grupo. E o resultado é realmente impressionante. Fiquei pensando com os meus botões: como deve ter sido difícil e trabalhoso (no sentido manufatural da coisa) ter concebido esse honesto trabalho!

A metamorfose dos atores é muito boa. Principalmente a corporal. Iasmim Marques parece não ter esqueleto e muito menos cartilagens. Como é flexível essa atriz! Com os seus movimentos serpenteados ela criou um verdadeiro balé. Só uma coisa em seu trabalho não alcançou a justeza do hibridismo: a voz quase não sofre metamorfoses ao longo da representação! Exceto em alguns raros momentos. Isso dificulta um pouco o desenho cênico e as atmosferas propostas pelo diretor. Quanto ao Lúcio Honorato, a sua performance como o Professor é “justa, muito justa, justíssima”.

Híbrido como a Serpente, Metaformose joga muito bem a dinâmica das linguagens, que ora se sobrepõem, outrora se complementam, vez se antecipam e em momento nenhum se aniquilam.

Com um cartão de apresentação assim, o Girino sofre metamorfose, torna-se um imponente anfíbio, e entra de vez no circuito teatral de Belo Horizonte.

Luciano Oliveira

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Serviço:

Espetáculo MetaForMose
Direção: Tiago Almeida
Elenco: Aline Midori, Iasmim Marques, Lucio Honorato

Últimos dias: 02 e 03 de junho
Horário: sábados às 21horas e domingos às 20horas
Ingressos a $10,00 inteira e $5,00 meia-entrada

Local: Centro Cultural da UFMG
Av. Santos Dummont 174, Centro, BH

Dia Nacional de Combate à Violência e Abuso Sexual contra Crianças e Adolescentes

Hoje, 18 de maio, é o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes.

O PAIR/AMAS (Associação Municipal de Assistência Social)  realizou um evento, na Praça da Estação de Belo Horizonte, objetivando estimular e encorajar as pessoas a denunciarem situações de violência sexual e criar possibilidades e incentivos para implantação de políticas públicas para enfrentar este tipo de crime.

Com sombrinhas coloridas, dezenas de pessoas formaram um “Banner Humano” com os seguintes dizeres: 18 de maio. Veja fotos em: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2012/05/banner-humano-alerta-sobre-dia-do-combate-exploracao-sexual-em-bh.html.

Essa campanha teve a participação de diversas autoridades e personalidades mineiras, dentre elas Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, madrinha do evento.

O Grupo de Teatro de Mobilização Social da AMAS, do qual sou coordenador/diretor, também esteve presente. Abaixo, encontram-se algumas fotos dos artistas desse grupo juntamente com a madrinha do evento (Fernanda Takai) e com outros membros da AMAS.

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Veja uma reportagem interessante da TV Alterosa:

http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=77500/noticia_interna.shtml

Leia o texto que Fernanda Takai apresentou, emocionada, durante o evento:

“Alguns assuntos merecem ser abordados de uma maneira mais direta e já foi se o tempo em que a gente não podia denunciar fatos agudos que acontecem perto de nós. Não é certo sermos testemunhas de atos de covardia, violência, negligência, exploração e abuso sem tomarmos uma atitude de cidadãos. É preciso dar voz aos que ainda se calam por pressão da família ou de uma realidade bruta. Aqueles que estão à deriva de carinho e atenção. Sou mãe de uma menina de 8 anos e me parte o coração saber que outras garotas e meninos da mesma idade são forçados a amadurecer de uma forma nada natural em sua sexualidade, educação e formação de caráter. Quem puder se juntar a nós a partir de hoje, vai colaborar para construção de uma sociedade solidária, atenta e disposta a se humanizar contra todas as expectativas de competição e anulação do mundo moderno. É preciso ter responsabilidade. Olhar para o outro como se  olhássemos para nós mesmos em outras épocas. Pois uma vida se constrói com amor e dedicação. Com valores de bem. Por favor, todos aqui presentes, multipliquem essa ideia de que  podemos fazer a diferença na vida do próximo. E se esse alguém for uma criança, um jovem, essa diferença será determinante para o resto de sua vida.” (Fonte: http://www.amas.org.br/)

As últimas Flores do Jardim das Cerejeiras – Grupo Oficcina Multimédia

Uau, foi de tirar o fôlego o lindo e emocionante espetáculo “As Últimas Flores do Jardim das Cerejeiras”, do Grupo Oficcina Multimédia, de Belo Horizonte!

Ontem (05 de maio de 2012), eu, um grupo de amigos artistas e parentes fomos assistir, no Galpão Cine Horto,  a esse surpreendente espetáculo. Além de ser fã do grupo e de sua diretora Ione de Medeiros, eu tinha uma motivo muito particular para assistir à esse trabalho: “As Últimas Flores do Jardim das Cerejeiras” constitui um dos objetos de estudo do meu projeto de Doutorado.

Já na sala de entrada, que antecede o local de encenação, fomos surpreendidos por um espaço liminar do espetáculo: espécie de cômodo de espera ritualístico, em que deveríamos retirar os nossos tênis e sapatos, que nos conduziu ao cenário/labirinto do poderoso e assustador Minotauro. Porém, antes da entrada no espaço de acontecimento teatral, alguns avisos importantes foram dados pela equipe de produção. Dentre eles: “se você é claustrofóbico ou possui alguma doença cardíaca crônica, sugerimos que não assista ao espetáculo que logo começará!”. Os nossos corações foram a mil, contudo, sobrevivemos, afim de contarmos essa breve e emocionante história.

“As Últimas Flores do Jardim das Cerejeiras” é um espetáculo com fortes traços pós-dramáticos baseado na obra “O jardim das Cerejeiras”, do dramaturgo russo Anton Tchekov. O seu mote principal gira em torno dos conflitos sociais que marcaram a Rússia do final do século XIX. A pós-dramaticidade desse espetáculo deve-se, principalmente, ao deslocamento da relação dos atores com a platéia – que se encontra encerrada num cenário/labirinto e deve percorrer o espaço para acompanhar as ações cênicas -, à ausência de diálogos, à não-linearidade da narrativa, a simultaneidade e duplicidade de cenas e à utilização de uma multiplicidade de linguagens artísticas (vídeos, projeções, teatro de animação, música, dança, performance e artes plásticas), concomitantemente ao evento teatral, que extrapola o drama.

São vários os momentos que os espectadores presenciam ao longo de 50 minutos. Primeiramente, um grupo de carpideiras lamenta a morte de uma criança. Cena forte e impactante que desloca, num ritmo propositadamente repetitivo e alongado, o olhar dos espectadores. Em seguida, os Minotauros, símbolos de morte e de destruição, devoram suas vítimas  e espreitam, com seus olhos furiosos e suas mãos cortantes de facões, o público que os cercam. Mais adiante, homens e mulheres, como o Teseu de Ariadne, são lançados numa multiplicidade de encruzilhadas e de caminhos em busca dos próximos fios do espetáculo: projeções, fumaças, vídeos e/ou ainda sonoridades. Aliás, além do encontro com imagens dinâmicas, esse espetáculo proporciona ao público um grande choque de sensações. Num dos momentos mais primorosos da encenação o público dirige-se, espontaneamente, ao centro do labirinto, e com seus pés descalços produzem estouros de plásticos bolhas que, poeticamente, aludem ao som de gotas de chuva que regam e dão vida às cerejeiras. Finalmente, um grupo de gueixas desloca-se, sensual e misteriosamente, pelo labirinto. Como num passe de mágica elas surgem, com suas máscaras subjetivas, dançando e flutuando sobre os espectadores. Escadas constituem os fios que as conduzem pelos cantos superiores do cenário. Mais uma vez, o público é deslocado do seu conforto, sendo obrigado a olhar para os céus para acompanhar o desenrolar dos novelos. Este apelo estético, a introdução de gueixas num universo político-cultural russo, que poderia ser encarado como um anacronismo, “responde a uma proposta de humanização contra a barbárie de um mundo materialista e se instala como uma nova exigência para os tempos modernos” (citação retirada do programa do espetáculo).

Para encerrar, gostaria de deixar uma pequena sugestão ao grupo: para uma melhor apreciação desse belo espetáculo, talvez fosse melhor reduzir de 50 para 30 (ou ainda 20) o número de espectadores. Dessa forma teríamos um pouco mais de conforto e não perderíamos sequer nenhuma nuance desse magnífico trabalho.

Luciano Oliveira

11º FIT-BH terá 19 espetáculos internacionais

FIT BH terá 19 espetáculos internacionais – Texto de Luciana Romagnolli

Fonte: http://www.otempo.com.br/entretenimento/ultimas/?IdNoticia=27122

O 11º Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte divulgou nesta manhã os espetáculos que se apresentarão na cidade entre os dias 9 e 24 de junho. “Este é o maior festival que a cidade já realizou”, disse a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaís Pimentel. Serão 19 espetáculos internacionais – seis a mais do que na edição 2010; incluindo grupos da importância do tcheco Farm in the Cave, do peruano Yuyachkani e do italiano Fondazione Pontedera, além de trabalhos de diretores como Rodrigo García e Daniel Veronese.

Os destaques nacionais são as extensas montagens da Cia. do Latão (“Ópera dos Vivos”) e da Mundana (“O Idiota”). O festival será palco ainda da primeira apresentação em Minas da remontagem de “Romeu e Julieta”, do Grupo Galpão, que será apresentado na Praça do Papa, como foi 20 anos atrás, em sua estreia na cidade. A curadoria, dirigida por Marcelo Bones, ao lado de Grace Passô e Yara de Novaes, se pautou pelo conceito de “fronteira”, buscando espetáculos que revelassem intercâmbio com outras linguagens artísticas, diálogos com o espaço urbano e quebras de fronteiras. “Vivemos uma tensão sobre a ocupação do espaço público e achamos que o teatro pode contribuir nessa discussão”, diz Bones.

Outro foco foi radicalizar a descentralização das apresentações, que chegarão às nove regionais e aos 16 centros culturais da cidade. “É um FIT expandido sob a perspectiva da espacialização e da ocupação de territórios da cidade que ainda não tinham sido ocupados em anos anteriores”, diz o coordenador do festival, Rodrigo Barroso.

Os ingressos começam a ser vendidos no dia 21 de maio.

Confira a programação do FIT-BH 2012

* Internacionais
– Israel
“Quiet”, Arkadi Zaides Company

– Argentina
“Los Hijos se Han Dormido”, Daniel Veronese (foto)
“Tercer Cuerpo”, Timbre 4

– Itália
“Abito”, Fondazione Pontedera
“Lisboa”, Fondazione Pontedera
“Um, Nenhum e Cem Mil”, coprodução com Cacá Carvalho

– França
“Voyageurs Immobiles”, Philippe Genty
“Transfiguration”, Olivier de Sagazan

– Inglaterra
“Translunar Paradise”, Theatre Ad Infinitum

– Espanha
“Golgota Picnic”, Rodrigo García
“Domínio Público”, Roger Bernat

– Alemanha
“Time Out”, Antagon

– Guatemala
“Oxlajuj B’Aqtun”, Soltz’il Jay (foto)

– Peru
“El Ultimo Ensayo”, Yuyachkani
“Sin Tintulo – Tecnica Mista”, Yuyachkani

– Chile
“Villa + Discurso”, Teatro Playa

– Colômbia
“El Autor Intelectual”, La Maldita Vanidad
“Los Autores Materiales”, La Maldita Vanidad

– República Tcheca
“The Theater”, Farm in the Cave

* Nacionais
– Rio de Janeiro
“Estamira”, Dani Barros
“Depois do Filme”, Aderbal Freire-Filho

– São Paulo
“O Mistero Buffo”, La Mínima
“Ópera dos Vivos”, Cia. do Latão
“O Idiota”, Mundana (foto)

– Presidente Prudente
“A Farsa do Advogado Pathelin”, Rosa dos Ventos

– Fortaleza
“Por que a Gente Não É Assim? Ou por que a Gente É Assado?”, Bagaceira

– Natal
“Sua Incelença, Ricardo III”, Clowns de Shakespeare

– Salvador
“Bença”, Bando de Teatro Olodum

– Porto Alegre
“Miséria, Servidor de Estanceiros”, Oigalé

*Locais
“Romeu e Julieta”, Galpão (foto)
“Eclipse”, Galpão
“Antes do Silêncio”, Eid Ribeiro
“Nesta Data Querida”, Luna Lunera
“Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões”, Primeira Campainha
“A Mulher Sem Pecado”, Cia. Arlecchino
“Dressur + Play It Again”, Oficcina Multimédia
“Ressonâncias”, Quik Cia de Dança
“Naquele Bairro Encantado”, Grupo Teatro Público
“Palhaços à Vista”, Cia. Circunstância
“Medeiazonamorta”, Teatro Invertido
“A Pequenina América e sua Avó $ifrada de Escrúpulos”, Mayombe

Mais informações: http://www.fitbh.com.br/blog/

Tio Vânia – Aos que vierem depois de nós – Grupo Galpão

Finalmente, após algumas tentativas mal sucedidas, consegui assistir ao espetáculo “Tio Vânia” do Grupo Galpão. Depois de ler uma crítica muito negativa de Bárbara Heliodora sobre esse trabalho (http://rioshow.oglobo.globo.com/teatro-e-danca/eventos/criticas-profissionais/tio-vania-aos-que-vierem-depois-de-nos-5122.aspx) , confesso que estava um pouco desconfiado. Contudo, por não me deixar levar pela opinião alheia, resolvi ir ao Teatro Klaus Viana no último sábado, dia de Tiradentes.

Inicialmente, estranhei tudo: cenário, interpretação, música, luz e até mesmo os figurinos. Tive a sensação de não estar assistindo ao famoso Grupo Galpão de Belo Horizonte, que nos traz muita cor, alegria, despojamento e irreverência. Achei as primeiras cenas muito formais, frias e muito distantes, guardadas as diferenças estilísticas, de outros trabalhos do grupo como, por exemplo, “Till, A Saga de Um Herói Torto”, “Um Molière Imaginário”, “Romeu e Julieta”, “Um Homem é Homem”, “O Inspetor Geral”, dentre outros.  Contudo, com o passar do tempo, fui “abduzido” para dentro da encenação. O drama, aristotelicamente falando, foi pegando-me com os seus fios, seduzindo-me e enganando-me. Quando olhei para mim, me dei conta que estava completamente imerso na linda e triste história de Tchékov. O cenário trocou de roupa, o figurino ganhou nova luz, a luz adquiriu nova roupagem, as interpretações não estavam mais frias e distantes e os rostos e os olhos dos atores iluminaram-se como noite de lua cheia e de fogos de artifícios. Por fim, sinto dizer-lhe, com todo o respeito, Bárbara Heliodora: a senhora “pesou a mão” na crítica ao brilhante Tio Vânia do Grupo Galpão!

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