Vídeos e filmes nos quais atuei

Como havia vários vídeos em que participei – como ator, elenco de apoio, manipulador, etc. – espalhados na internet, resolvi juntar todos em um único lugar: aqui no meu blog. Ainda preciso encontrar alguns que estão perdidos. Assim que o fizer postarei neste post. Aí vão os links:

1- Como elenco de apoio em Liberdade Ainda que à Tardinha:

2- Como ator-manipulador do personagem Dentinho de DRACULINHA, O VAMPIRINHO:

3- Como cenógrafo da Campanha de Carnaval AMAS/PAIR 2012:

4- Como elenco de apoio em Paixão Segundo Ouro Preto (Rede Globo) com o Grupo Galpão:

5- Como elenco de apoio em “TSE – 10 anos da Urna Eletrônica”:

6- Como locutor e editor de Bumba-meu-boi da Floresta:

7- Como ator em vídeo-montagem do Grupo de Teatro da AMAS:

8- Como ator em Leitura Dramatizada de Check-up (Paulo Pontes):

9- Entrevistas:

A- Plano Aberto (TV UFOP):  

B-  Metaformose – Relatos: 

10- Equipe de organização e produção: La Traviata, Mercado Municipal de BH:

11-  Diretor e entrevistador em “Entrevista com ilustres moradores de Peneiras – Grupo de Teatro da AMAS”:

Liberdade Ainda que à Tardinha

Em 2002, quando cursava Direção Teatral na Universidade Federal de Ouro Preto, tive a oportunidade de trabalhar como ator no curta-metragem Liberdade Ainda que à Tardinha, dirigido pelo artista mineiro Luiz Guimarães de Castro.

A narrativa do filme, escrita por esse artista, se passa na Ouro Preto de 1971. Trata da transformação na vida de um rapaz, Gilberto, que convive com as ideias libertárias do grupo de teatro estadunidense ‘Living Theatre’, cujos atores, dentre eles Julian Beck e Judith Malina, foram presos pelo regime militar. Após grande comoção mundial, em que  um abaixo-assinado foi feito em protesto à prisão dos artistas, que obteve assinaturas de John Lennon, Marlon Brando e Bob Dylan, o grupo foi extraditado pelo governo brasileiro.

Foi uma grande honra atuar ao lado de Carla Marins, Danton Mello,
Roberto Bomtempo, Rodrigo Penna, Jokayne  Idelfonso, Gilberto Miranda, Maria Gladys e Lina Bianchini. É claro que não posso esquecer os meus amigos e colegas do curso de Artes Cênicas: Geuder Martins, Kátia Katita, Flaviano Silva, Ricardo Carvalho, Pollyana Lott, Jaqueline Dutra, Carlos Gontijo (o Montanha), ‎Bárbara Mello, Fabiola Buzim, Luciene Nogueira, Charles Gouvea, Joilson Santos, Marcelino Xibil Ramos, Waltair Júnior, Zuza, Luciana Curtiss, etc.

Vejam o filme na íntegra: 

Máscara Neutra

Máscara neutra
A atriz Sabrina Rauta experimentando sua máscara neutra. Foto de Luciano Oliveira

No último mês de agosto ministrei, na AMAS (Associação Municipal de Assistência Social), as oficinas Confecção de Máscara Neutra (20 h/a) e Interpretação com Máscara Neutra (20 h/a).

Fiz um videozinho amador desta última, a partir de uma máquina fotográfica. Veja em:

http://www.youtube.com/watch?v=dRDFMGhvfPo&list=UUuLeXTEGqJ8MYXZxfQnEG1w&index=2&feature=plcp

Essa semana terminamos também as oficinas de Confecção (de) e Interpretação (com) Máscaras Larvárias. Em breve postarei algumas fotos dos processos de criação.

Por fim, daqui a alguns dias iniciaremos a confecção de máscaras expressivas visando a criação de uma esquete a ser apresentada na VI AMAS Mostra de Arte e Cultura, cujo tema de 2012 é AMAS Mostra AMAS.

TALISMÃ – Cia. Noturnos

Os talismãs Didi Vilela e Dirlean Loyolla, sob a direção do competente diretor e professor de teatro Marcelo Rocco, protagonizam o espetáculo Talismã, nova e delicada produção da Cia. Noturnos, de Belo Horizonte. Com duração justa de 50 minutos, o espetáculo insere os espectadores nas complexas, dicotômicas e paradoxais relações entre mãe e filho, em que o último deseja mais que o batom e os vestidos da primeira.

De caráter fortemente performático, uma das linhas de pesquisa de Marcelo Rocco, Talismã ganha o público pela excelente e comovente interpretação dos seus atores, pelo figurino e cenário mais que dignos de Ines Linke e Thálita Motta e pela fantástica (e deliciosa) trilha sonora de Maria Tereza Costa.

Talismã estará em cartaz, no Espaço Gruta!, até o dia 20 de outubro, sempre às sextas, sábados e domingos.

Se, como eu, você quiser se emocionar pela via da percepção e das sensações, não deixe de assistir e de levar os parentes e amigos à essa deliciosa produção da Cia. Noturnos.

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The talismans Didi Vilela and Dirlean Loyolla, under the direction of  the competent director and theatre teacher Marcelo Rocco, are the protagonists of the show “Talismã”; new and well done production of “Cia Noturnos” in the city of Belo Horizonte. Lasting exactly 50 minutes, the show inserts its spectators in the complex, paradoxical and dichotomous relationship between mother and son, the latter want more than the lipstick and the dresses of the first.

Of strongly performative character, one of the academic research lines of Marcelo Rocco, “Talismã” wins over the public for the excellent and  touching interpretation of its actors and the beautiful costumes and scenery of Ines Linke and Thalita Motta and the fantastic (and delicious) soundtrack of Maria Teresa Costa.

Talismã will be shown at “Espaço Gruta!”, until October 20th, always on Fridays, Saturdays and Sundays.

If, like me, you want to be moved by emotions by means of perception and sensation, be sure to attend and bring your family and friends to this nice production of “Cia Noturnos”.

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Serviço:

TALISMÃ, ESPAÇO GRUTA! RUA PITANGUI, 3613 – HORTO . TEL 2511-6770

SET 09.14.15.16.22.23.30
OUT 05.06.07.12.13.14.19.20

SEX e SAB 20h . DOM19h

INGRESSOS: R$ 20,00 (inteira) . R$ 10,00 (meia)

CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DE Talismã

Um sonho de Cordel

Aos 5 de agosto de 2012, assisti ao espetáculo “Um Sonho de Cordel”, do Grupo de Teatro Macacos Bêbados – Teatro Universitário da UFMG. O mesmo ocorreu na Praça dos Fundadores (ou praça das cabeças), no Parque Municipal de Belo Horizonte.

O parque estava repleto de pessoas felizes, principalmente pais com suas crianças serelepes. E foi no intuito de atraí-las para a apresentação, que ocorreu um cortejo muito animado dos personagens pelos principais caminhos do verde e iluminado parque. Não senti o tempo passar, haja vista o clima gostoso que foi instaurado pela trupe. Mas acredito que a passeata  durou cerca de 40 minutos. Em hipótese nenhuma isto é um desmérito, muito pelo contrário.

Ao voltarmos à Praça dos Fundadores, uma plateia maior se formou. Nos dispusemos em círculo (teatro de arena). Aliás, esse tipo de disposição dita uma estética específica para um espetáculo teatral, em que os artistas devem jogar com todo o público que o cerca. Nesse sentido o trabalho foi um pouco falho! Talvez isso se deva à pouca idade dos atores e atrizes (lembro os leitores que são alunos do 1º Ano do Curso Técnico em Teatro do TU). Uma outra questão relevante para essa pequena falha foi a colocação de uma câmera filmadora na parte da frente das “cabeças dos fundadores”. O grupo estava gravando o trabalho para inscrevê-lo no FETO (Festival Estudantil de Teatro de BH). Isso condicionou a interpretação à frontalidade, ou seja, à estética do palco italiano. Assim, tomando o cordel como uma das mais importantes formas de manifestação cultural do Brasil, e que se passa junto ao povo, e que é feita pelo povo para o povo, faz-se importante uma reflexão sobre essa disposição frontal da cena. Ela foi proposital?

 Fernando Limoeiro, o criativo diretor do trabalho, possui um trabalho  muito forte e interessante com diversos tipos de manifestações artísticas populares, principalmente com o Mamulengo do nordeste brasileiro.  Isso contribuiu em muito para as cores, para a alegria, para o jeito descontraído e para o ritmo gostoso do espetáculo. Os cordéis que são narrados e interpretados pelo grupo teatral são uma delícia para os ouvidos. Mas, é necessário cuidado com as palavras difíceis e velozes dos cordéis. Em certos momentos, principalmente no início da apresentação, alguns atores (estou falando dos meninos) falaram muito baixo e de forma não inteligível. Atenção, garotada!

As músicas também são deliciosas e contagiantes. A partir de diversos instrumentos musicais, alguns deles improvisados (como a metade de uma garrafa pet), a trupe fazia nascer o ritmo, como num passe de mágica, à nossa frente. Isso é muito difícil, ainda mais para artistas jovens, por isso alguns atravessamentos que ocorreram no ritmo são mais que perdoados.

As maquiagens, os figurinos e os adereços são lindos! Ah, tem também um mamulengo incrível no espetáculo: seria fantástico se ele aparecesse um pouco mais, hein!

Bem, já falei o quanto o espetáculo foi contagiante. Contudo, vale a pena ressaltar a imensa alegria das crianças que o assistiram nessa linda manhã de domingo na capital mineira. Olhos brilhantes, mãozinhas inquietas, sorrisos sem dentes, perninhas que dançavam felizes e carinhas assombradas pelo medo (por causa do capeta e do boi bravo), constituíram o maior prêmio para os atores, atrizes e diretor do trabalho, além dos aplausos intermináveis da plateia. “E óia que vi um sinhó colocá 50 real num charpéu nu final da peça”.

Tenho certeza que “Um Sonho de Cordel” brilhará no FETO desse ano.

Luciano Oliveira

 

 

 

 

Textos do Fundo do Baú de um Fundo Fundo.

Ontem a noite, quando organizava meu material acadêmico, encontrei dois pequenos textos da época em que eu era estudante do curso de Artes Cênicas da UFOP. Isso, lá pelos idos do princípio do século XXI (2000-2001). Apesar da ingenuidade do pensamento, até que os textos me pareceram interessantes. Por isso irei publicá-los, sem vergonha alguma, inclusive com os erros ortográficos e de pontuação. Em cada época temos a maturidade que devemos ter! Isso parece óbvio, mas não é. Hoje, às 32 primaveras, olho para trás e vejo com clareza os diferentes momentos da minha vida: sejam profissionais, amorosos, artísticos e/ou familiares. É um privilégio amadurecer amando e tendo grandes perspectivas profissionais.

Bem, o primeiro texto chama-se “O Belo Adormecido”. Foi escrito para a disciplina Expressão Corporal I, ministrada por Mônica Ribeiro, no 1º Período do Curso de Direção Teatral. Se não me engano, ela pediu que respondêssemos à uma pergunta mais ou menos assim: “Como é o seu corpo e como você o percebe?”.

Vamos à resposta:

O BELO ADORMECIDO

         O nosso corpo é uma casa onde queremos morar. Uma casa habitada por fantasmas e inquilinos que conhecemos desde crianças.

         – “Ah, o rim é o bago de feijão! E tem também o pulmão, o coração e o fígado que é bão. O baço, o pâncreas, o estômago, o intestino e o cérebro também são. Tem também os sexos que… talvez serão”.

         Todos os processos: involuntários ou voluntários, e a escadaria colunada, formam uma imensa mansão, a qual está fora dos nossos domínios. Uma mansão repleta de preguiçosos que levam uma vida sedentária, comendo e bebendo, comendo e bebendo do bom e do ruim.

         – Vai um cigarrinho aí, senhorita Pulmão?

         – E que tal uma cervejinha gelada, hein, Sr. Figadão?

         – Manda uma salada bem verdinha aí, patrão!

         Saindo: um hambúrguer, dois Spy-colas, um litro de poluição, dois engarrafamentos, uma pitadinha de tensão, meia dúzia de angústia, depressão. Junte todos os ingredientes e leve ao multiprocessador. Ah, não se esqueça da agitação!

         Sem problemas. Logo iremos à academia e faremos alguns abdominais. No final de semana estaremos enxutos. Colocaremos aquele jeans apertadinho, uma sunga sufocante, aquele salto belíssimo! Aperta um pouco, só um pouquinho! Valerá à pena! Ficaremos sexs e elegantes.

         Na segunda-feira virá a consequência. Na segunda não! Esses acontecimentos se dão cotidianamente. E nós… pobres de nós… Achando que cuidando do físico, cuidamos do corpo, e tiramos da consciência o peso que nos atormenta: o de ver no espelho o reflexo da barriguinha, das estrias e…

         Não, chega! A partir de hoje iremos tomar consciência dos nossos corpos. Digo: do meu corpo! Meu corpo não falará pelos outros. Praticarei ciclismo, tênis, natação, golfe, capoeira, futebol, basquetebol, paraquedismo. Contudo, ao final do mês chegarão as contas: do gelol, do doutorzinho, do doutorzão!

         Meus amigos mencionaram uma tal antiginástica. Fui lá conferir. Um bando de lunáticos colocando bolinhas no cóccix, no sacro. Dizem que cura até impotência e a tal da rigidez muscular. Legal!

       Enfim, hoje estou me analisando de fora, vendo-me por dentro, tomando consciência do meu corpo, fazendo reflexologia e assistindo televisão. Mas é possível, é essencial sentir em nosso corpo quem somos, o que somos. Sejamos antes de tudo corpo. Sejamos enfim corpo. Sejamos.

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      O outro texto foi escrito um ano depois, em 2001. Foi uma encomenda da professora Marina Miranda, que na ocasião ministrava a disciplina Folclore. Eu já estava no 2º Período. Um pouquinho mais maduro!  Ela pediu que escrevêssemos uma autobiografia.

QUEM SOU EU?

         – Eu? Eu sou eu, pô! Um homem de uns poucos e bem vividos anos. Falo a minha idade? Não será um inconveniente? Ah, tenho 20! Tá bem: sei que estou na flor da idade e os meus hormônios me fazem um sujeito… As garotas me adoram!

         Como disse Carlos Drummond de Andrade:”Eu sou constituído de aço”. Nascido das Minas Gerais, produzido em um alto-forno e descendente de um certo francês cujo nome da cidade o homenageia: João Monlevade. Como são lindas as montanhas da minha terra: férteis e ricas em minerais! Quanta gente boa e bonita! E é dessa gente que venho. Família de nove filhos, pai, mãe, sobrinhos e primos. Esse é o nosso legado.

         Família pobre, mas lutadora. Desbravadora das dificuldades!

          Foi assim que se constituiu minha educação: de sol em sol; de madrugada, vestindo-me de gravata borboleta, paletó e abridor de garrafas. O que você achou que era? Não sou nenhum diplomata!

         Escolhi para a minha formação técnica as reações, os gases, as explosões e a insalubridade da química. Como eu gostava disso! E ainda gosto. Só que agora o meu coração tem uma nova paixão. São coisas que acontecem. Não vejo isso como traição. Foi amor à primeira vista. Ou melhor: à primeira atuação. O teatro entrou como uma tempestade, devastando minh’alma e arrancando lágrimas suaves da minha face ocular. Oh, técnica maldita! Por que me fazes sofrer assim? Por que tu não és mais simplificada? Onde se encontra tua estabilidade? Favor não interferir em minha progenitura. Quero-te pra mim! Mas, por favor, entenda minha traição!

          Assim se formou parte do meu caráter alegre, amigo, compreensivo e responsável. Contudo, às vezes, minha cabeça parece um relógio cuco: Cuco! Cuco! Cuco! Cuco! Acorda, levanta, faça isso, faça aquilo e mais aquilo. Calma! Controle-se, respire um pouco! Relaxe. Acho que preciso de uma companheira: mãe, mãezinha, cade você?

         – É, preciso mesmo!

         – Muito prazer!

                                                       Luciano Oliveira

I Encontro dos Ex-Alunos do Curso de Artes Cênicas da UFOP.

Documentário realizado pela TV UFOP sobre o I Encontro dos Ex-Alunos do Departamento de Artes (Artes Cênicas) da UFOP, ocorrido dentro do Festival de Inverno/Fórum das Artes de Ouro Preto, de 2012. Falei sobre a importância da formação de Redes Humanas para o mercado de trabalho teatral. Está tudo muito bom no vídeo, exceto que me deram o crédito errado. Não sou professor universitário, mas sim diretor, ator, produtor e professor de teatro.

FIT-BH 2012: $uce$$o total de público e crítica

Uau, o Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte desse ano está realmente incrível! Com excelente programação, o FIT-BH está atraindo os olhares de espectadores de diversos Estados do Brasil e também de outros países.

Quem ainda não teve a oportunidade de assistir a nenhum espetáculo, não pode perder o último final de semana do Festival. De hoje, desde às 12:00 hs, até amanhã, no mesmo horário, está acontecendo a Virada Teatral, em diferentes pontos da cidade, principalmente no Parque Municipal. Veja a programação em: http://www.fitbh.com.br/2012/ae.php?id=24#.T-YX85G0ZQg

Ontem, tive a grande felicidade de assistir ao espetáculo “Voyageurs Immobiles”, da Companhia Philippe Genty, da França. Sem dúvida esse foi um dos melhores espetáculos do Festival, quiçá um dos mais emocionantes de toda a história do FIT-BH. Realmente foi incrível, pois trata-se de uma montagem plasticamente linda, colorida, de temática forte e descontraída, com canções e coreografias belíssimas, trilha sonora e iluminação impactantes. Enfim, “Voyageurs Immobiles” foi de arrepiar de bonito. Em vários momentos quase chorei de emoção e também de tanto rir. Ademais, tive a sorte de ter à minha frente a atriz Teuda Bara, do Grupo Galpão, que com sua gargalhada irrestivível contagiava toda a platéia. Ao apagar das luzes, a platéia, de pé, aplaudiu, assoviou e gritou por volta de 10 minutos. Estou até com calos nas mãos!

Finalmente, gostaria de parabenizar aos organizadores e produtores do FIT-BH 2012, em especial ao Marcelo Bones e ao Cristiano Peixoto, pela excelente curadoria do Festival. Vocês muito honram a classe artística de Belo Horizonte!

Luciano Oliveira

METAFORMOSE – GIRINO TEATRO DE ANIMAÇÃO

No último domingo, 27 de maio de 2012, assisti à excelente montagem Metaformose, do Girino Teatro de Animação de Belo Horizonte. Dirigido pelo promissor e talentoso diretor Tiago Almeida, o espetáculo, inspirado no livro homônimo (Metamorfose) de Paulo Leminski,  trata de “uma viagem pelo imaginário do hibridismo humano, da instabilidade da linguagem, dos corpos e das formas”. (Fonte: Programa da Montagem).

Já no início do espetáculo, antes de entrarmos no teatro, fomos surpreendidos pela interessante performance de Aline Midori. Com sua bela máscara de papel, a performer nos apresentou a instabilidade e a efemeridade das formas, que se desintegram sob a presença dos elementos da natureza, como o fogo. (“Metamorfose”: na natureza nada se perde, tudo se transforma – Lavoisier).

De caráter contemporâneo, a montagem recorre a múltiplas linguagens artísticas: Teatro de Animação, principalmente ao teatro de bonecos e às máscaras; Teatro de Atores; Vídeo; Cinema de Animação e Música. Aliás, a trilha sonora do espetáculo é digna de um Óscar!

Não só as músicas merecem destaque. Visualmente, o espetáculo é muito bonito: bonecos, máscaras, figurinos, maquiagens, luz e objetos de cena. Talvez beleza não seja o melhor adjetivo para tratar o cenário, mas, com toda certeza, é um dos mais funcionais que vi nos últimos anos. Cena e cenário se encaixam perfeitamente bem. Ou vice-versa.

Os vídeos são incríveis!

E o interessante disso tudo é que o grupo Girino não possui patrocínio e muito menos incentivo das leis de incentivo (paradoxal, não?). Como adoráveis pontinhos e traçadas retas linhas, tudo foi sendo construído com os próprios recursos dos artistas do grupo. E o resultado é realmente impressionante. Fiquei pensando com os meus botões: como deve ter sido difícil e trabalhoso (no sentido manufatural da coisa) ter concebido esse honesto trabalho!

A metamorfose dos atores é muito boa. Principalmente a corporal. Iasmim Marques parece não ter esqueleto e muito menos cartilagens. Como é flexível essa atriz! Com os seus movimentos serpenteados ela criou um verdadeiro balé. Só uma coisa em seu trabalho não alcançou a justeza do hibridismo: a voz quase não sofre metamorfoses ao longo da representação! Exceto em alguns raros momentos. Isso dificulta um pouco o desenho cênico e as atmosferas propostas pelo diretor. Quanto ao Lúcio Honorato, a sua performance como o Professor é “justa, muito justa, justíssima”.

Híbrido como a Serpente, Metaformose joga muito bem a dinâmica das linguagens, que ora se sobrepõem, outrora se complementam, vez se antecipam e em momento nenhum se aniquilam.

Com um cartão de apresentação assim, o Girino sofre metamorfose, torna-se um imponente anfíbio, e entra de vez no circuito teatral de Belo Horizonte.

Luciano Oliveira

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Serviço:

Espetáculo MetaForMose
Direção: Tiago Almeida
Elenco: Aline Midori, Iasmim Marques, Lucio Honorato

Últimos dias: 02 e 03 de junho
Horário: sábados às 21horas e domingos às 20horas
Ingressos a $10,00 inteira e $5,00 meia-entrada

Local: Centro Cultural da UFMG
Av. Santos Dummont 174, Centro, BH

Dia Nacional de Combate à Violência e Abuso Sexual contra Crianças e Adolescentes

Hoje, 18 de maio, é o Dia Nacional de Luta contra o Abuso e a Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes.

O PAIR/AMAS (Associação Municipal de Assistência Social)  realizou um evento, na Praça da Estação de Belo Horizonte, objetivando estimular e encorajar as pessoas a denunciarem situações de violência sexual e criar possibilidades e incentivos para implantação de políticas públicas para enfrentar este tipo de crime.

Com sombrinhas coloridas, dezenas de pessoas formaram um “Banner Humano” com os seguintes dizeres: 18 de maio. Veja fotos em: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2012/05/banner-humano-alerta-sobre-dia-do-combate-exploracao-sexual-em-bh.html.

Essa campanha teve a participação de diversas autoridades e personalidades mineiras, dentre elas Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, madrinha do evento.

O Grupo de Teatro de Mobilização Social da AMAS, do qual sou coordenador/diretor, também esteve presente. Abaixo, encontram-se algumas fotos dos artistas desse grupo juntamente com a madrinha do evento (Fernanda Takai) e com outros membros da AMAS.

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Veja uma reportagem interessante da TV Alterosa:

http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=77500/noticia_interna.shtml

Leia o texto que Fernanda Takai apresentou, emocionada, durante o evento:

“Alguns assuntos merecem ser abordados de uma maneira mais direta e já foi se o tempo em que a gente não podia denunciar fatos agudos que acontecem perto de nós. Não é certo sermos testemunhas de atos de covardia, violência, negligência, exploração e abuso sem tomarmos uma atitude de cidadãos. É preciso dar voz aos que ainda se calam por pressão da família ou de uma realidade bruta. Aqueles que estão à deriva de carinho e atenção. Sou mãe de uma menina de 8 anos e me parte o coração saber que outras garotas e meninos da mesma idade são forçados a amadurecer de uma forma nada natural em sua sexualidade, educação e formação de caráter. Quem puder se juntar a nós a partir de hoje, vai colaborar para construção de uma sociedade solidária, atenta e disposta a se humanizar contra todas as expectativas de competição e anulação do mundo moderno. É preciso ter responsabilidade. Olhar para o outro como se  olhássemos para nós mesmos em outras épocas. Pois uma vida se constrói com amor e dedicação. Com valores de bem. Por favor, todos aqui presentes, multipliquem essa ideia de que  podemos fazer a diferença na vida do próximo. E se esse alguém for uma criança, um jovem, essa diferença será determinante para o resto de sua vida.” (Fonte: http://www.amas.org.br/)

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