Quanto custa o trabalho de um ator em campanhas publicitárias?

Muitos alunos do Curso de Licenciatura em Teatro, assim como atores e atrizes da cena teatral do estado de Rondônia, me procuram para se informarem quanto devem cobrar pelos seus trabalhos em campanhas publicitárias.

Essa não é uma questão fácil de responder, pois, como mencionado no post “Prostituição dos Atores de Rondônia”, são muitas as variáveis. Contudo, dá para se ter uma noção dos valores a serem cobrados aqui em nosso estado tendo como base algumas tabelas de preços encontradas facilmente na internet, principalmente em sites regionais do SATED (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões), como, por exemplo, o do SATED-RS: https://www.satedrs.com.br/valores-referenciais

Usarei como referência a tabela do Sindicato do Rio Grande do Sul porque a realidade profissional no Sudeste, em especial em São Paulo, é muito diferente do resto do país. Acredito que muitas das empresas anunciantes em Rondônia não têm o mesmo poder financeiro que as empresas da região Sudeste do Brasil. Então, essa já é uma variável a ser levada em consideração.

Pois bem, então podemos afirmar que a cena profissional de Rondônia é parecida à do Rio Grande do Sul? Em termos financeiros sim. Já em termos de políticas públicas para a cultura não. Mas este é um assunto para outro momento.

Vamos à pergunta que se pode deferir do assunto principal do post: quanto cobrar? O site do SATED-RS divide os Pisos para Publicidade e Propaganda – Prestação de Serviços em três categorias, de acordo com a classificação dos produtos e conforme a duração de veiculação da propaganda (6 meses e 12 meses). São elas:

CATEGORIA “A”:

CAMA, MESA E BANHO, CIA. DE ALUGUEL, DECORAÇÃO, DROGARIAS, SERVIÇOS DE SAÚDE (ODONTOLÓGICOS E ESTÉTICOS), EDITORAS, EMISSORAS DE RÁDIO, FEIRAS E EXPOSIÇÕES, IMÓVEIS, INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS, LIVRARIAS, LOJAS DE DEPARTAMENTO, LOJAS DE VAREJO, MAGAZINES, MODA E ACESSÓRIOS, ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS, ONGS, RESTAURANTES, LOJAS DE SERVIÇOS VIRTUAIS, SUPERMERCADOS, TVS E CANAIS POR ASSINATURA. 

06 MESES:

ATOR/ATRIZ – PRINCIPAL R$ 6.540,90 + 20%

ATOR/ATRIZ – COADJUVANTE R$ 4.618,20 + 20% 

12 MESES:

 ATOR/ATRIZ – PRINCIPAL R$ 11.432,80 + 20%

ATOR/ATRIZ – COADJUVANTE R$   7.835,80 + 20% 

CATEGORIA “B”:

BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, CIAS. AÉREA, COMESTÍVEIS, ELETRODOMÉSTICOS, ELETRÔNICOS, APARELHOS CELULARES, APARELHOS E COMPONENTES DE INFORMÁTICA, EMISSORAS DE TV ABERTA, FAST-FOODS, HOTÉIS, JORNAIS, LINGERIE, MODA PRAIA, MOTOS, PRODUTOS DE LIMPEZA, PRODUTOS PARA ANIMAIS, REVISTAS, SHOPPINGS, VIAGENS E TURISMO. 

06 MESES:

 ATOR/ATRIZ – PRINCIPAL R$ 9.616,70 + 20%

ATOR/ATRIZ – COADJUVANTE R$ 6.803,00 + 20% 

12 MESES:

ATOR/ATRIZ – PRINCIPAL R$ 16.027,80 + 20%

ATOR/ATRIZ – COADJUVANTE R$ 11.540,00 + 20% 

 

CATEGORIA “C”:

PROVEDORES DA INTERNET, BANCOS, BEBIDAS ALCOÓLICAS E REFRIGERANTES, CARROS, CARTÕES DE CRÉDITO, INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, CIGARROS, HIGIENE PESSOAL, MEDICAMENTOS, PERFUMARIAS, POSTOS E SERVIÇOS AUTOMOTIVOS, PRODUTOS DE BELEZA E COSMÉTICOS, SEGURADORAS, PLANOS DE SAÚDE, TELEFONIA CELULAR E CONVENCIONAL.

06 MESES:

ATOR/ATRIZ – PRINCIPAL R$ 12.822,30 + 20%

ATOR/ATRIZ – COADJUVANTE R$   8.975,60 + 20%

12 MESES:

ATOR/ATRIZ – PRINCIPAL R$ 21.417,90 + 20%

ATOR/ATRIZ – COADJUVANTE R$ 15.006,80 + 20%

Já para FIGURAÇÃO, aquela pontinha que fazemos na propaganda e damos “apenas” um leve sorriso, mas que consome um tempão do nosso tempo no set de filmagem, os preços, para veiculação de uma propaganda de 6 meses, seriam:

– Categoria A – R$ 771,70;

– Categoria B – R$ 451,20 ;

 Categoria C – R$ 320,60.

 

Já para a filmagem de Vídeos Internos/Treinamento/Institucional, com veiculação de até 6 meses, os valores praticados são:

ATOR/ATRIZ – PRINCIPAL: R$ 1.200,00;

ATOR/ATRIZ – COADJUVANTE: R$ 900,00. 

Ah, tem também as empresas e anunciantes que contratam atores e atrizes para serem modelos de Detalhes de Corpo (NARIZ, OLHOS, BOCA, PÉS, MÃO): R$350,00 (por parte exibida). Eu mesmo, quando morava em Belo Horizonte, vivia mandando fotos de mãos e de pés para agências publicitárias que anunciavam produtos para essas partes do corpo como, por exemplo, hidratantes e esmaltes. Já em Florianópolis, conheci um sujeito que era garoto propaganda de bumbum. Sempre via fotos do seu rechonchudo traseiro nas caixas de cuecas que eram vendidas em shoppings e lojas de varejo. Infelizmente, na época, isso em 2009, ele não quis revelar quanto ganhava para realizar tais promoções! Hoje, a partir deste post, já consigo imaginar o cachê dele.

O site do SATED-RS aponta também que “NUDEZ DEVE SER SOB CONSULTA E DE LIVRE NEGOCIAÇÃO DE VALORES” e que ” REEMBOLSO DE DESPESAS PARA TESTE (é de) R$ 60,00″. E esclarece também:

PARÁGRAFO PRIMEIRO: NA CONTRATAÇÃO DO ATOR O VALOR TOTAL DA REMUNERAÇÃO CORRESPONDE AO PAGAMENTO DA(S) DIÁRIA(S) DE SERVIÇOS DO PROFISSIONAL MAIS OS PERCENTUAIS CORRESPONDENTES AO PAGAMENTO DOS DIREITOS CONEXOS (CONCESSÃO DE USO DE IMAGEM E SOM) DO PROFISSIONAL, CONFORME APLICAÇÃO DAS TABELAS ACIMA ESTIPULADAS NESTA CLAUSULA.

PARÁGRAFO SEGUNDO: OS PERCENTUAIS CORRESPONDENTES AO PAGAMENTO DOS DIREITOS CONEXOS (CONCESSÃO DE USO DE IMAGEM E SOM) SERÃO APLICADOS OBRIGATORIAMENTE EM REFERÊNCIA AO VALOR DA PRIMEIRA DIÁRIA, FICANDO AS DEMAIS DIÁRIAS INDEXADAS OU NÃO AOS ÍNDICES PERCENTUAIS REFERIDOS CONFORME LIVRE ACORDO ENTRE EMPREGADO E EMPREGADOR.  

PARÁGRAFO TERCEIRO: A DIÁRIA NORMAL DE TRABALHO DO ATOR SERÁ DE ATÉ, NO MÁXIMO, 8 (OITO) HORAS EFETIVAMENTE TRABALHADAS.

PARÁGRAFO QUARTO: A DIÁRIA DE TRABALHO DO ATOR TERÁ INÍCIO A PARTIR DA HORA EM QUE ELE ESTIVER À DISPOSIÇÃO (APRESENTAÇÃO AO SET DE FILMAGEM) DO CONTRATANTE (PRODUTORA), ATÉ A HORA DO TÉRMINO DOS SERVIÇOS.

PARÁGRAFO QUINTO: O HORÁRIO MARCADO PARA A CHEGADA DO ATOR AO SET DE FILMAGEM DEVERÁ SER O MAIS PRÓXIMO POSSÍVEL DO INÍCIO DAS FILMAGENS, EVITANDO-SE DESSA FORMA OBRIGAR ATOR, ATRIZ A CHEGAR ANTES OU DURANTE A MONTAGEM DO SET. 

PARÁGRAFO SEXTO: PARA SE OBTER O VALOR TOTAL DE DIÁRIAS EXTRAS, MULTIPLICA-SE O VALOR DA UMA DIÁRIA PELO NÚMERO DE DIÁRIAS EXTRAS EFETIVAMENTE TRABALHADAS.

PARÁGRAFO SÉTIMO: AS HORAS E DIÁRIAS EXTRAS INCORPORAM O VALOR TOTAL DO CONTRATO DE TRABALHO DO ATOR E DEVERÃO SER PAGAS JUNTAMENTE COM ESSE CACHÊ.

 – TRABALHO DE ESTAGIÁRIOS: PODERÃO SER ADMITIDOS ESTAGIÁRIOS, DE ACORDO COM A LEI 11.788 DE 25/09/2008.

PARÁGRAFO ÚNICO: FICA VEDADA A UTILIZAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM SUBSTITUIÇÃO AO TÉCNICO PROFISSIONAL.

– CONTRATO DE PROFISSIONAIS: É OBRIGATÓRIO PARA O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DE QUE TRATA O DECRETO Nº 82.385, DE 05 DE OUTUBRO DE 1978, QUE REGULAMENTOU A LEI Nº6.533, DE 24 DE MAIO DE 1978, O PRÉVIO REGISTRO NA DELEGACIA REGIONAL DO TRABALHO E EMPREGO, FICANDO VEDADA A CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAIS POR PRAZO DETERMINADO, TEMPORÁRIO OU EVENTUAL QUE NÃO POSSUAM TAL REGISTRO (sublinhados meus).

 – REGISTRO PROVISÓRIO E CONTRATO DE TRABALHO: SERÁ PERMITIDA A CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAIS COM REGISTRO PROVISÓRIO, CONFORME O ART. 17 DO DECRETO Nº 82.385/78.

 – FIGURANTE EM ATUAÇÃO ESPORÁDICA: A CONTRATAÇÃO DE FIGURANTE NÃO QUALIFICADO PROFISSIONALMENTE, PARA ATUAÇÃO ESPORÁDICA (sublinhado meu), DETERMINADA PELA NECESSIDADE DAS CARACTERÍSTICAS DA OBRA OU LOCAÇÃO, SERÁ FEITA MEDIANTE APROVAÇÃO CONJUNTA DO SINDICATO CONVENIENTE, CONFORME ART. 56 DO DECRETO Nº 82.385/78.

– PROFISSIONAL ESTRANGEIRO: AS EMPRESAS SE COMPROMETEM A RECOLHER A IMPORTÂNCIA DE 10% DO VALOR TOTAL DA REMUNERAÇÃO DE PROFISSIONAL ESTRANGEIRO DOMICILIADO NO EXTERIOR À CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, EM NOME DO SATED/RS, CONFORME ESTABELECEM O ART. 25 DE LEI 6.533/78 E O ART. 53 DO DECRETO Nº 82.385/78.

– UTILIZAÇÃO DE NÃO PROFISSIONAIS: A UTILIZAÇÃO DE NÃO PROFISSIONAIS EM FUNÇÕES PRIVATIVAS DE ARTISTAS E TÉCNICOS EM ESPETÁCULOS DE DIVERSÕES, DEPENDERÁ DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO SATED/RS. (sublinhados meus).

PARÁGRAFO PRIMEIRO: A AUTORIZAÇÃO A QUE SE REFERE O CAPUT DESTA CLAUSULA SERÁ CONDICIONADA AO RECOLHIMENTO, EM FAVOR DO SATED/RS, DA IMPORTÂNCIA DE 15% (QUINZE POR CENTO) DO AJUSTE TOTAL DA CONTRATAÇÃO DE NÃO PROFISSIONAL À CAIXA FEDERAL EM NOME DA ENTIDADE SINDICAL DOS ARTISTAS E TÉCNICOS – SATED/RS”.

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Como pudemos observar nas citações acima, o SATED-RS tem amparo legal para propor os valores referenciais, bem como para cobrar o registro profissional dos atores e atrizes que atuam em campanhas publicitárias. Vimos também que os NÃO PROFISSIONAIS, desde que tenham autorização do sindicato, e que com este contribuam com uma taxa de 15% do valor do cachê, podem atuar em comerciais. Todavia, aqui em Rondônia, devido à desarticulação do SATED-RO, nós atores e atrizes estamos completamente desamparados. Por isso, é importante cobrarmos do nosso sindicato maior atuação frente aos abusos que ocorrem em nosso estado. Abusos estes que se dão em três frentes: 1- o vergonhoso cachê pago aos artistas; 2- a utilização de não profissionais em campanhas publicitárias; 3- A não redação e assinatura de um contrato de trabalho.

Para finalizar este post gigantesco, mas necessário, gostaria de chamar a atenção da classe teatral de Rondônia para a necessidade de uma articulação junto ao SATED-RO (quem são?) a fim de criarmos a nossa tabela de valores e cobrarmos das produtoras maior profissionalismo, respeito e valorização do nosso trabalho. Direitos são para serem respeitados! E os deveres para serem cumpridos!

FONTE DA PESQUISA: https://www.satedrs.com.br/valores-referenciais

FONTE DA IMAGEM: https://asemananews.com.br/2018/12/14/maos-e-pes-como-cuidar-e-manter-hidratados/

Começou o Palco Giratório 2018 – RO

No feriado de 7 de setembro, sexta-feira, iniciou-se em Rondônia a edição 2018 do Palco Giratório, com o Seminário Palco Giratório 2018 – Arte como (Re) Existência.

Artistas, grupos de teatro (Trupe dos Conspiradores, Teatro Ruante, O Imaginário – RO, Wankabuki e Associação Cultural Waraji, dentre outros), professores universitários (UNIR, UFAC e UFPA), alunos, curadores e funcionários do SESC de diversas partes do país, representantes de movimentos sociais e culturais (Coletivo Mina Livre, Setorial de Teatro de Porto Velho, Pró-Cultura Rondônia e #depositaSejucel) e da sociedade civil de Rondônia – e até mesmo crianças – estiveram presentes no Teatro 1 do SESC Esplanada para participar das excelentes mesas de debates realizadas nas tardes e noites de sexta-feira e sábado.

No dia 07/09, de 15h às 16h30, a Mesa 1 – Gestão Cultural na Contemporaneidade: como gerir garantindo a arte o lugar de (Re) Existir? – abriu as sessões de debates com os convidados Daina Leyton, de São Paulo, José Manuel, do SESC Pernambuco, e Keila Barbosa, de Rondônia. A mediação ficou a cargo de Raphael Vianna, do SESC – DN.

Mais tarde, de 17h às 18h30, foi a vez da Mesa 2 – Acessibilidade Cultural: pulverizando as ações em arte, com os convidados Rita Marize, do Sesc Pernambuco, e Suzi Bianchi, do Rio de Janeiro. A mediação foi de José Manuel, do Sesc Pernambuco.

Por fim, e não menos importante, a Mesa 3 – Novos Olhares para a dança na Amazônia, fechou o ciclo de debates do primeiro dia de seminário. Dessa mesa participaram a professora Valeska Alvim, da Universidade Federal do Acre (UFAC), o professor Luiz Lerro, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e a professora Waldete Brito, se não me engano da Universidade Federal do Pará (UFPA). No meio da numerosa plateia, que fazia uma grande festa para receber os convidados, encontravam-se alunos e integrantes do projeto Mediação Cultural – Palco Giratório 2018, que é coordenado pelo professor Júnior Lopes do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR.

O primeiro dia de debates foi muito proveitoso, rico e culturalmente intenso.

No sábado, no dia 08/09, entre 16h e 17h30, também no Teatro 1 do SESC, ocorreu a Mesa 4, com o tema mais que relevante e necessário “O protagonismo feminino na arte”. Para compor a mesa foram convidadas as palhaças Selma Pavanelli, de Rondônia, e Mariana Gabriel, de São Paulo, ademais da professora e bailarina Waldete Brito, do Pará. A mediação foi de Jane Schoninger, do SESC Rio Grande do Sul.

E para encerrar o Seminário Palco Giratório 2018 – Arte como (Re) Existência, aconteceu a Mesa 5 – Festivais de Teatro Independentes: Mapeando Rondônia, com a presença de Valdete Souza, de Vilhena/RO, uma das coordenadoras do Festival Amazônico de Monólogos e Breves Cenas; de Paulo Santos, de Guajará-Mirim/RO, um dos coordenadores do Festin-Açu (Festival Internacional de Teatro de Guajará-Mirim); e de Chicão Santos, de Porto Velho, um dos coordenadores do Festival Amazônia Encena na Rua. A mediação dessa mesa foi de Clarissa Franci, do Sesc Pará.

Assim como o primeiro dia de debates, o segundo também foi muito farto e profícuo. E mais: muito importante para a classe artística do Estado de Rondônia, que carece de efetivas políticas públicas nas áreas de Arte e Cultura e da representatividade feminina.

A programação artística do Palco Giratório de Rondônia começa hoje, às 17 h, na Lona do Palhaço Biribinha (Parque da Cidade), com o espetáculo de circo Magia, da Companhia Teatral Turma do Biribinha, de Alagoas.

Crédito: Foto de Eliane Viana (Agenda Porto Velho).

Haja feijoada pra tanta indigestão! Dança-teatro em Porto Velho

 

Ontem, 23 de novembro, no Teatro 1 do SESC Esplanada de Porto Velho, iniciou-se a Mostra de Danças SESC 2017.

Após três apresentações infanto-juvenis, pelas quais os pais quase sofreram um treco de tanto gritar e aplaudir, eis que “insurge” uma coisa que “destoou” completamente do que até naquele momento acontecera.

Assim perguntou uma criança sentada numa poltrona atrás da minha:

– “Papai, o que está acontecendo?”.

– “Eles estão passando mal!”, explicou ironicamente o pai.

– “Por que, papai?”.

– “Porque eles comeram muita feijoada antes da apresentação!”.

– “Entendi!”, respondeu a inquieta menina.

Os atores-dançarinos, que se vestiam tão “estranhamente” (“muitos deles com trajes árabes”, disse uma espectadora mal humorada sentada ao meu lado), e que dançavam e “teatravam” músicas ainda mais esquisitas – “dissonantes”, disse-me o professor Dr. Luiz Lerro e coordenador do Curso de Extensão Dança-Teatro -, passavam mal no palco de tanto comerem feijoada de paixão, de tanto deglutirem couve de tesão e de tanto ingerirem coca-cola (ou cachaça?) do alabão! (Esta rima pobre e sem sentido é proposital, pois não encontrei nenhuma palavra boa que rime com tesão e paixão e que expresse adequadamente o meu sentimento diante de tanta hipocrisia e ignorância!). Continuando: “estrebuchando” ali no chão, sob os olhares medievais de boa parte da plateia atônita, um grupo de pessoas completamente heterogêneo (estudantes de teatro, bailarinos, bailarinas, homens e mulheres comuns, heterossexuais, homossexuais,  jovens, idosos, etc.) entregavam-se de corpo e alma à tão misteriosa (para uma parte expressiva do público ali presente, quiçá para o público geral de Porto Velho!) Dança-Teatro.

– “O que está acontecendo agora, papai?”, pergunta novamente a criança.

– “Eles estão saindo do palco!”, responde o pai.

– “Por quê”?

– “Para tomar remédio”, finaliza la cu nar mente o pai que não tinha mais nada para passar para a sua pobre criança.

 

E assim o Temer continua no poder!

Rondônia: um Estado de Delícias Culinárias

“Rondônia: um Estado de Delícias Culinárias” trata-se de um documentário de cinco minutos produzido por Luciano Oliveira e Júnior Lopes (professores do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR) e Ivan Souza (publicitário, jornalista e comunicador social de Porto Velho), com participação de discentes do mencionado curso, bem como de artistas e de pessoas da comunidade portovelhense, para ser exibido na Feira Cultural Brasil & Estados Unidos: the best of Brazil and USA, ocorrida em Framingham, Massachusetts, entre os dias 02 e 06 de novembro de 2017. Ele foi exibido também no III Festival UNIR Arte e Cultura, em Porto Velho. Por meio da comicidade e de improvisações dos atores, conta a história de Cassandra Baby, uma mulher de Guajará Mirim, cidade do interior de Rondônia, que vem para a capital em busca de ingredientes para preparar um “banquete” para seu “boy”, um pretendente amoroso italiano que conhecera em um aplicativo de relacionamentos. Cassandra Baby é uma personagem do espetáculo teatral “Cassandra, BR-trans-amazônica”, montado pelo ator Júnior Lopes, e estreado em agosto deste ano.

A ficha técnica do documentário é esta:

– Direção Geral e Cinegrafista: Ivan Souza

– Roteiro e direção de elenco: Luciano Oliveira

– Atuação: Junior Lopes

– Elenco de apoio: Ádamo Teixeira, Jamile Soares, Stephanie Caroline, Gabriel Corvalan, Jaqueline Luquesi, Sheila Souza, Lia Assunção, Guilherme Ferreira, Flaw Naje e Verônica Brasil

– Figurino: Junior Lopes

– Cabelo e maquiagem: Jaqueline Luquesi

– Assistente de maquiagem: Sheila Souza

– Edição (tradução de legenda): Verônica Brasil

– Edição de Imagens: Jéferson Dino

– Produção: Flaw Naje

– Apoio Técnico e Assessoria de Imprensa: Emanuel Jadir Siqueira

Agradecimentos: Ronildo Chaves (Kamilly Panificadora e Confeitaria); Paky’Op (Laboratório de Pesquisa em Teatro e Transculturalidade – UNIR); Luciano Pinheiro e Vanderlei Júnior (pela liberação da música Pra Porto Velho Eu Vou); Ulisses Ferreira (bebezinho); Antonha Cristina Fontinele (Barraca da Cristina); Sr. Nilson (O Rei do Açaí); Sr. Severino; Dona Mimozete; Reinaldo Ribeiro; Cleomar Mendonça e Jonisson (Barraca Rei da Goma); Dona Francisca; Dona Izabel Araújo; Rodrigo Anconi; Denilson; Eberson e Vanessa Cristina (Barraca da Cris).

APOIO: Kamilly Panificadora e Confeitaria

Música: Pra Porto Velho Eu Vou! (Composição, Letra e Música: Luciano Pinheiro e Vanderlei Júnior)

 

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