Ópera La Traviata, Belo Horizonte, maio de 2010.

http://www.youtube.com/watch?v=ZbMzF5c0T4I

http://www.youtube.com/watch?v=Vs4uHLurdS8

http://www.youtube.com/watch?v=WZtS6Jyufgw

http://www.youtube.com/watch?v=LyL11OoG6Yo

http://www.youtube.com/watch?v=-XF7JYw4xAY

http://globominas.globo.com/GloboMinas/Noticias/MGTV/0,,MUL1594287-9033-21316,00.html

La Traviata – Giuseppe Verdi
Direção Musical e Regência – Roberto Tibiriçá
Concepção e Direção de Cena – Mario Corradi
Assistência Direção – Luciano Oliveira
Cenários e Figurinos – Raul Belém Machado
18, 22, 25, 27 de maio, às 20 h
23 de maio, às 18 h
Informações: http://www.fcs.mg.gov.br/agenda/1527,ila-traviatai-guiseppe-verdi.aspx

Veja a crítica de Marcelo Castilho Avelar:

http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_11/2010/05/20/ficha_teatro/id_sessao=11&id_noticia=24312/ficha_teatro.shtml

Solistas são maior destaque da nova montagem de La traviata

Orquestra sinfônica de MG faz opção acertada em favor do espetáculo – Marcello Castilho Avellar – EM Cultura

Em entrevista ao Estado de Minas publicada segunda-feira, Roberto Tibiriçá, regente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), declarou ter buscado a qualidade musical na preparação da montagem de La traviata em cartaz no Palácio das Artes. Para sorte dos apaixonados pelo canto lírico, o conceito de “boa música” do maestro é próximo do conceito de boa ópera do compositor da Traviata, Giuseppe Verdi. Este afirmava que a boa música (num sentido tradicional) e a boa poesia deveriam ser sacrificadas às necessidades do bom espetáculo. Terça-feira, na estreia de La traviata, a OSMG primou pela discrição. Assumiu sua posição de acompanhante do drama, mesmo em momentos usualmente pensados como cenas para ouvir, como os prelúdios do primeiro e último atos. E fez isso com correção quase absoluta numa apresentação que abriu espaço para o reinado dos protagonistas.

E que solistas! Rosana Lamosa (Violeta) e Martin Muehle (Alfredo) integram uma geração que acredita naquela ideia de Verdi. São intérpretes que cantam, e não cantores que interpretam. Por mais treinadas que sejam suas vozes, atraem-nos à cena pela maneira como compõem personagens e representam suas ações – ou seja, o que se espera de qualquer ator, cantante ou não. Neste contexto, torna-se irrelevante se falharam num ou outro agudo, ou se Rosana Lamosa se atrapalhou nos floreios de Violeta no final do primeiro ato: se a regra é o espetáculo, passamos a pensar até o que poderia ser uma falha musical como parte do sentimento da cena.

A direção de Mario Corradi se constrói sobre saudável contradição, que pode servir de modelo para encenadores que percebem a ópera no contexto da tradição, e não da renovação de linguagens. No conjunto, seu espetáculo é convencional e bem comportado. No detalhe, propõe ousadias que lhe dão uma imprevisibilidade incomum para a tradição. São cenas apresentadas durante os prelúdios, é o uso do coro como massa que dialoga espacialmente com os solistas, é a percepção da individualidade dos solistas (mostrar Violeta se banhando numa cena  ou seu colo quase descoberto em outro só poderia ser feito com uma intérprete de corpo bonito como Rosana Lamosa). Eles ajudam, investigando novas possibilidades para a voz nas cenas (o “Amami, Alfredo”, por exemplo, que todas as intérpretes cantam no máximo de volume, é apresentado por Rosana Lamosa com toda a suavidade possível).

Para isso ajuda, também, a cenografia e o figurino de Raul Belém Machado. Nos quatro atos, o espaço é unificado por objetos vazados, como se quase todas as superfícies fossem incompletas. O cenógrafo não busca o realismo que finge estar a cena em nosso mundo, mas sínteses que insinuam a cena sem preenchê-la. Nos detalhes mais inspirados, agrega bastante sentido à narrativa – é o caso do tabuleiro de xadrez no piso do segundo ato, que nos leva a pensar sua ação como um jogo entre Alfredo, Violeta e Giorgio Germont (na estreia, Lício Bruno, também em ótima performance), leitura incomum mas muito adequada. Nos piores momentos, não se entende com o diretor (o fluxo da saída do coro no primeiro ato é caótico). Nos figurinos, o jogo entre a reconstituição de época e a livre criação induz sutilmente a plateia a enxergar o drama de La traviata como algo universal, que não pertence a este século ou àquele, mas à própria condição humana.

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4 comentários em “Ópera La Traviata, Belo Horizonte, maio de 2010.

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  1. Querido Lu, cumprimento a você e sua equipe pela brilhante apresentação de “La

    Traviata” no Mercado Central em BH. A iniciativa de exibir uma ópera em um

    espaço popular, reflete a sensibilidade, ousadia e criatividade dos artistas em brindar ao

    público uma manifestação artística que até então era reservada a uma elite privilegiada.

    Apesar de o vídeo ser um fragmento da realidade, é possível perceber o quão

    encantador foi o espetáculo…

    As escadas do mercado serviram de palco, onde os artistas pulverizados

    entre a multidão já estavam descortinados e o mistério se revelou apenas com a magia

    da voz.

    O público que não foi selecionado antecipadamente, sem tempo para escolher a

    roupa, fazer o cabelo, as unhas, essas coisas que a gente faz para ir a um teatro.

    Este também surgiu do nada, espontaneamente, surpreso e com olhares hipnóticos, fez

    parte da cena…Um verdadeiro show!

    Eliana Marcolino – Jornalista.

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