A “memória” na construção da cena teatral

Texto de Rogério Santos de Oliveira – Professor Adjunto-Universidade Federal de Ouro Preto – Doutor pela Universidad de Alcalá – e Luiz Carlos Costa Sarto – Graduando do Curso de Bacharelado em Direção Teatral-Bolsista de Iniciação Científica da Universidade Federal de Ouro Preto.

RESUMO: Este texto relata os resultados obtidos durante um projeto de pesquisa realizado sob nossa orientação: o projeto em questão buscou compreender como se manifesta a “memória teatral”, tanto em seu conteúdo teórico, a partir de uma pesquisa bibliográfica sobre o assunto, como na pratica teatral, durante o processo de construção de uma cena teatral, que teve como centro de análise e investigação a função da referida “memória teatral” na elaboração dos sentidos da cena teatral, que se constroem nas relações estabelecidas com outros elementos cênicos durante o processo criativo de um objeto cênico.

Palavras-chave: Memória teatral, Prática teatral, Processo criativo, Elementos cênicos, Pesquisa bibliográfica

RESUMEN: Este texto presenta los resultados obtenidos durante un proyecto de investigación realizado bajo nuestra orientación. El proyecto buscó comprender cómo se manifiesta la “memoria teatral”, tanto en su contenido teórico, a partir de una investigación bibliográfica sobre el tema, como en la práctica teatral, durante el proceso de construcción de una escena. Se tuvo como centro de análisis e investigación la función de dicha “memoria teatral” en la elaboración de los sentidos de la escena teatral, los cuales se construyen en las relaciones establecidas con otros elementos escénicos durante el proceso creativo de un objeto escénico.

Palabras clave: Memoria teatral, Práctica teatral, Proceso creativo, Elementos escénicos, Investigación bibliográfica

ABSTRACT: This text reports the results obtained during a research project carried out under our guidance. The project sought to understand how “theatrical memory” manifests itself, both in its theoretical content, based on a literature review on the subject, and in theatrical practice, during the process of constructing a scene. The analysis and investigation focused on the role of said “theatrical memory” in developing the meanings of the theatrical scene, which are built through the relationships established with other scenic elements during the creative process of a scenic object.

Keywords: Theatrical memory, Theatrical practice, Creative process, Scenic elements, Literature review

O fluxo da ação

OLIVEIRA, Rogério Santos. O “fluxo de Ação”. Ouro Preto: Universidade
Federal de Ouro Preto. Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas do
Instituto de Filosofia, Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto.
Professor Adjunto III.

RESUMO:
Este texto relata os resultados obtidos durante um projeto de pesquisa
realizado sob nossa orientação. O projeto em questão buscou compreender
como se manifesta o que chamamos de “fluxo de ação” a partir de uma
pesquisa pratica durante o processo de construção de uma cena teatral, que
teve como centro de análise e investigação a função do referido “fluxo de
ação” na elaboração dos sentidos da cena teatral, que se constroem nas
relações estabelecidas com outros elementos cênicos durante o processo
criativo de um objeto cênico.


PALAVRAS CHAVE: Teatro: Fluxo de ação: Cena Teatral.

RESUMEN:
Esse texto habla sobre los resultados durante un proyecto de investigación
hecho sob nuestra orientación: el proyecto en cuestión ha buscado
compreender como se manifiesta lo que llamamos de “fluxo de ação” a partir
de una investigación practica durante el proceso de construcción de una
escena teatral, que tuve como centro de analisis y investigación la función del
referido “fluxo de ação” en la elaboración de los sentidos de la escena teatral,
que se construye en las relaciones establecidas con los otros elementos de la
escena durante el processo creativo de uno objeto escenico.


PALABRAS CLAVE: Teatro: Fluxo de ação: Escena Teatral.

A partir da prática teatral, buscamos compreender como se pode desenvolver
novas ferramentas para o trabalho do ator e suas relações com outros
elementos cênicos. Assim pensando, organizamos uma abordagem do
processo atoral pensado a partir da “escrita automática” surrealista.

A primeira questão que se colocou foi: como transpor o “fluxo de escrita” para
um possível “fluxo de ação” e quais as relações que se poderia estabelecer
com os demais elementos cênicos que constituem a dinâmica da criação
atoral.

A primeira parte do trabalho então, deveria ser a disponibilidade física dos
atores para uma imersão num fluxo diferenciado de percepção da realidade
de seu entorno de trabalho, a sala de ensaio.

Trabalhamos com a relação entre as estruturas orgânicas dos corpos e suas
relações entre a estrutura física do espaço, suas possíveis dinâmicas e as
interações entre os outros corpos.

A desestruturação dos “modus operandis” dos corpos se fez claramente
necessária, uma vez que percebemos que as dinâmicas físicas e as formas
de utilização do corpo para expressar as relações culturais de cada indivíduo,
se encontravam muito cristalizadas nas suas formas de desenvolver as ações
no espaço e nas relações que de aí se multiplicavam entre os elementos
cênicos.

Um procedimento que nos pareceu interessante utilizar foi voltar a trabalhar
com os atores a percepção sobre o próprio corpo e seu entorno imediato, a
sala de ensaio e todos os elementos aí dispostos. Tanto no sentido interno
das relações físicas, como no sentido externo de relacionar o corpo com o
espaço e suas estruturas.

Utilizamos o trabalho de descontinuidade de ações e de dinâmicas a partir da
movimentação física no espaço de trabalho, através da alternância de ritmos,
velocidades e pulsações respiratórias.

Isso provocou uma liberação dos impulsos dos atores em relação ao seu
próprio corpo e, de maneira orgânica, uma outra forma de percepção do
espaço e suas relações criativas com os outros elementos cênicos.

Partindo deste ponto começamos a trabalhar possíveis maneiras de entender
essa nova abordagem física e suas reverberações na maneira de
compreender o processo de criação atoral.


Ficou claro que tendo essa parte do trabalho concluída – a desestruturação
física dos atores, isto é: uma outra percepção de suas potências corpóreas –
se fazia necessário também uma nova forma de abordagem da percepção da
narrativa cênica. Posto que a consciência do entorno dos atores, a partir de
uma nova forma de abordagem física no espaço, os levava a uma outra
maneira de perceber a realidade e outra dinâmica em relação aos seus
impulsos criativos.


Isso nos obrigou a repensar as relações entre a consciência espaço/temporal
dos atores e seus fluxos mentais. Entendemos que o pensar e o agir se
integram em alternâncias de consciência e ação, e posteriormente de
consciência sobre a ação realizada.


A forma que entendemos ser a mais positiva, foi construir um entorno criativo,
a partir da transformação da sala de ensaio em um ambiente mais acolhedor,
que possibilitasse aos atores agirem livremente e de maneira confortável pelo
espaço, gerando uma confiança para que pudessem trabalhar a nova forma
de entender todas essas questões, sem receio de parecerem desconectados
com seus próprios impulsos criativos.


Assim criamos um clima de confiabilidade entre os atores e seu trabalho
atoral, propiciando a eles liberdade suficiente para interagir com os
elementos cênicos e entre si.


A partir desse momento, o “fluxo de ação” ficou cada vez mais potente e
orgânico, potencializando uma nova narrativa física sobre o espaço/tempo da
criação. Já não importava se as estruturas narrativas, por parte dos atores,
faziam sentido lógico ou não, revertemos a lógica da ação, o que importava é
se havia uma lógica interna entre os impulsos sentidos e as ações realizadas.
Sentir e agir passou a ser a mesma coisa para os atores e as reverberações
entre as ações e seu entorno imediato, como num jogo de espelho, passou a
corresponder a um mesmo processo de relação entre as ações e seus efeitos
no espaço/tempo criado.


A narrativa então já se organizava sozinha, sem a necessidade de
interferência nossa sobre o trabalho dos atores. Ao “entrar” no “fluxo de
ação”, os atores automaticamente já iam criando uma narrativa também em
fluxo, ou seja, as relações entre os atores e os elementos cênicos, se
produzia de maneira orgânica e sem mediações afetivas.


Assim nossa função no trabalho criativo da cena também se modificou. A
partir do momento que percebemos a autonomia do processo de trabalho dos
atores, reorientamos nossa ação no sentido, não de construir uma narrativa
que desse lógica a cena, mas numa ação contínua sobre o espaço/tempo de
ação dos atores.


Assim fomos agindo sobre o trabalho criativo da cena, a partir das relações
entre os elementos cênicos e os atores. Na verdade, os atores passaram a
se configurar como um elemento a mais da cena e não o foco principal da
nossa ação criativa. Organizar o espaço/tempo passou então a ser interferir
esteticamente no espaço e criar ambiências para o trabalho dos atores.


A cada interferência nossa, novas relações criativas surgiam naturalmente, e
a percepção de como essas modificações iam criando novas possibilidades
de interferência estética sobre o trabalho como um todo ficou sendo a nossa
função no processo.


A autonomia dos atores em relação a narrativa da cena e a uma ordenação
dessa narrativa por parte da direção, também provocou uma autonomia na
direção em relação a ação dos atores, produzindo uma nova forma de
abordagem dos problemas da cena.


Nesse momento, a direção passou a agir cada vez mais intensamente na
estética da cena. Criar já não era organizar os elementos cênicos, mas agir
sobre eles de forma independente da estruturação de uma narrativa lógica da
cena, seguindo nossos próprios impulsos criativos, em consonância com o
“fluxo de ação”.


A direção se apropriou então da técnica do “fluxo” para construir sua criação,
integrada com todos os elementos cênicos e os atores. Inclusive se
movimentando dentro da área de criação para perceber os ritmos internos
dos movimentos narrativos da cena, o que propiciou uma outra percepção
sobre a função da direção dentro do trabalho.


Assim entendemos que toda maneira de abordagem de um trabalho, deve
caminhar integrada entre todos os elementos criativos do mesmo. Uma nova
orientação em relação ao trabalho da direção se faz necessária toda vez que
os procedimentos criativos se alternam.


Tentar elaborar uma cena sem perceber como ela se organiza internamente,
é o mesmo que trabalhar apenas a partir da superfície, omitindo a
importância das percepções subjetivas do trabalho de criação. Fato que não
se pode desassociar das relações criativas que se produzem no momento de
criação da cena.


A partir dessa reflexões sobre nosso trabalho de criação teatral, entendemos
que construímos, para a continuidade de nosso processo criativo, uma ponte
entre o fazer e o pensar a obra. Elaborando um material de pesquisa para o
nosso próprio fazer e contribuindo para uma discussão mais ampliada sobre
os processos da criação teatral.


Bibliografia:


BRAUN, Edward (1986). El Director y la Escena. Buenos Aires: Editorial
Galerna.
CEBALLOS, Edgar (1992). Princípios de Direción Escénica. México: Grupo
Editorial Gaceta, SA.
CHEKHOV, Michael (1986). Para o ator. São Paulo, Martins Fontes.
FISCHER-LICHTE, Erika (1999). Semiótica del Teatro. España: Arco/Libros,
S.L.
GALIZIA, Luiz Roberto (1986). Os processos criativos de Robert Wilson. São
Paulo, Editora Perspectiva.
SANTOS, Milton (2002). A Natureza do Espaço. São Paulo: Editora EDUSP.

Naurú, o poeta das guerras, da arte e da vida

Os ecos de Naurú continuam reverberando nos nossos sentidos.

A natureza pede socorro: me salvem dos “negócios”, dos “negócios”, dos “né.gó.ci.os”.

O sangue nos olhos; o sangue no arame farpado; o sangue na terra desértica pelo desmatamento; o sangue que corre nas veias dos rios intoxicados; que jorra pela boca dos animais; que, como lágrima de borracha, se derrama das árvores, e pelas árvores.

Flor.Esta. Flo.Resta!

Os gritos de Naurú ainda ecoam nos nossos ouvidos!

Naurú é força. É arte. É vida. Naurú é espetáculo que flui grandemente, como poesia, pelo grande palco arredondado da experiência. Que com seus olhos vê o céu sem fumaça, repleto de luzes coloridas, de estrelas e de aves noturnas que gorjeiam.

Naurú também é dia. Naurú é bebê e criança. Brincadeira. É ainda adulto que se fere e doente que se cura. Naurú é preto. Naurú é mulher. Naurú é afeminado. É minoria.

Naurú é ancestral, seja do vasto e rico continente africano, seja dos povos originários das américas feridas pela cobiça europeia.

A flor.que.resta da Amazônia é Naurú. É puro poema, diria Carlos Drummond de Andrade. Mas, infelizmente, essa vastidão de verde tem versos em branco: seria o cerrado ou os desmatamentos?

Naurú não é guerra. Todavia, luta as batalhas da guerra para salvar a vida.

O “Xapiri Pê” é um guerreiro Naurú: um coletivo de artistas democratas que, como um manifesto, combate a violência institucional. Esta, que como monstros sombrios, vem de dentro. Que luta contra a grilagem de terras. Os maus políticos. Os ditadores e as suas ditaduras. Que combate a má polícia e apoia os bons policiais. Que a.ti.ra na bu.rri.ce. Ditadura nunca mais. Precisamos de verdade, memória, justiça… E reparação!

A força e a poesia de Narú se vê emblematicamente na bandeira. No suor do trabalho do agricu-Ator.

Narú é rito, caboclagem, dança, linguagem desconexa, dialeto. Marcação. Demarcação já!

O coral da floresta, composto por naipes de onças, cantos de pássaros e roçar das folhas, também é Naurú.

Mas em nome do progresso, do comércio e do agronegócio, querem calá-lo.

As ordens militares, os tiros de escopeta e de metralhadora, os roncos de motores de tratores e de hélices de helicóptero não calarão a sabedoria do “Poeta das GuErras”. Censura nunca mais!

A arte é para todos e para os mais diferentes lugares, diria Naurú frente a negação do espaço público pelas forças que querem o silenciamento. Não, o sábio poeta não se calará! E exigirá o que é seu de direito: a terra, as águas, as riquezas e o teatro.

Ah, o teatro! Naurú convoca Brecht e Artaud. Chama, dialeticamente, a loucura deliciosa para a criação. Requer uma dose de insanidade. Até um pouco de cachaça. E muito axé!

Naurú aclama os mortos pela ditadura e os ambientalistas assassinados pelos gananciosos dos frutos da terra. Cuidado, estes pertencem à natureza. E ela se vinga!

Naurú é história, filosofia, dramaturgia, biologia. São os conhecimentos amazônicos (e “amazônidos”). É Rondônia. Brasil. América Latina. É “mundo, mundo, vasto mundo”!

Naurú é teatro contemporâneo.

“Naurú *** Poeta das GuErras” é um espetáculo de 2025 criado pelo “Coletivo Xapiri Pê”, de Porto Velho, que dialoga com o presente. Mas não esquece o passado. E se preocupa com o futuro.

Créditos das imagens: Fotos de Raquel Melyssa, Thales Gomes e Matheus Duarte.

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Corpos do Prazer ganha prêmio internacional

O vídeo-teatro performativo Corpos do Prazer, produção do Coletivo 2 x 2 – RO, recebeu o prêmio de Melhor Vídeo Teatro no Salão Internacional de Artes Presencial (https://vemsac.com/), ocorrido em dezembro de 2022, em Portugal.

Corpos do Prazer é uma obra artística resultante das investigações empreendidas por Ádamo Teixeira, egresso do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe a lançar-se como artista ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social, da transfobia e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência e o moralismo tão em voga no Brasil.

Estamos deveras contentes com a primeira premiação do Coletivo 2×2 – RO e com a primeira premiação internacional do ator Ádamo Teixeira e dos diretores Luciano Oliveira e Luís Gustavo Aldunate.

Dedicamos esse prêmio à todas as travestis de Porto Velho e de Rondônia que, nos seus cotidianos, enfrentam inúmeras violências e exclusões!

Corpos do Prazer pode ser assistido a partir deste link: https://www.youtube.com/watch?v=j83gbP_xock

Ficha Técnica:

Atuação, figurino, maquiagem, cenografia e iluminação: Ádamo Teixeira

Direção/orientação, técnica e produção: Luciano Oliveira

Publicitário, direção de vídeo e edição: Luís Gustavo Aldunate

Assessoria de imprensa: Dennis Weber

Elenco de apoio: Luciano Oliveira e Luís Gustavo Aldunate

Intérprete de Libras: Jamilly Martins

Corpos do Prazer será exibido em Portugal

O vídeo-teatro performativo Corpos do Prazer (https://www.youtube.com/watch?v=j83gbP_xock&list=PLJlPTUTgz-Y6T__wPBSiXQlM9muFFrBTC&index=6), produção do Coletivo 2 x 2 – RO (https://www.instagram.com/coletivo2x2rondonia/), do qual eu também faço parte, será exibido, em dezembro de 2022, no Salão Internacional de Artes Presencial (https://vemsac.com/) em Lisboa, Portugal.

“Corpos do Prazer” é uma obra artística resultante das investigações empreendidas pelo discente Ádamo Teixeira, do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe a lançar-se como artista ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social, da transfobia e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência e o moralismo.

Estamos muito felizes com a primeira exibição internacional do nosso trabalho!

Ficha Técnica:

Atuação, figurino, maquiagem, cenografia e iluminação: Ádamo Teixeira

Direção/orientação, técnica e produção: Luciano Oliveira

Publicitário, direção de vídeo e edição: Luís Gustavo Aldunate

Assessoria de imprensa: Dennis Weber

Elenco de apoio: Luciano Oliveira e Luís Gustavo Aldunate

Intérprete de Libras: Jamilly Martins

Mostra de Encenações do Departamento de Artes da Unir exibe nove trabalhos artísticos nesta sexta-feira (22)

Na próxima sexta-feira (22 de julho), às 19h, no Teatro Guaporé, em Porto Velho (RO), mais nove trabalhos artísticos desenvolvidos por acadêmicos e egresso do Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia serão apresentados ao público. A programação integra a 4ª edição da Mostra de Encenações do Departamento de Artes da Unir (MEDU IV), que teve início no dia 15/07.

O evento é gratuito, com classificação indicativa para maiores de 16 anos, e contará com bate-papo com os acadêmicos/artistas após a exibição dos trabalhos. Os ingressos podem ser adquiridos com uma hora de antecedência no local do evento.

Serão apresentados os trabalhos artísticos ao vivo e gravados: Para aceitar a minha deficiência visual (Mayara Camargo); Aterro (Cláudio Zarco); Bacoxum (Dennis Weber, Luís Gustavo Aldunate e Sâmia Pandora); Com-pulsei (Evaristo Corrêa); Reflexo (Luís Gustavo Aldunate); Homo Consumericus (Cláudio Zarco); Rio Poluído (Sabrina Barbosa); Transform(ação) (Emerson Garcia Barros) e Corpos do Prazer (Ádamo Teixeira).

A Mostra

A Mostra de Encenações do DArtes/Unir é um projeto de extensão do Departamento de Artes da Universidade Federal de Rondônia, mais especificamente do Curso de Licenciatura em Teatro, com coordenação do professor Dr. Luciano Oliveira. Esta edição (4ª) integra o Evento Cultural Funcer – 2022, desenvolvido pela Fundação Cultural do Estado de Rondônia (Funcer).

Na Mostra são apresentados ao público os projetos de encenação e artísticos desenvolvidos pelos alunos das disciplinas Linguagem da Encenação Teatral e Fundamentos da Direção Teatral, ministradas por Luciano Oliveira. A programação da 4ª Mostra também conta com breves cenas, contação de história e vídeo-performances desenvolvidas nas disciplinas de Performance, Processos de Ensino em Teatro I, TCC II, Atuação com Objetos e Arte e Educação Ambiental.

“Na IV edição, as novidades são as apresentações no palco do Teatro Guaporé, seguidas das exibições de vídeos de forma presencial, como as que ocorrem num cinema. Assim, teremos um evento que promove o hibridismo de linguagens artísticas: teatro, contação de histórias e vídeos. Os vídeos, por exemplo, contemplam linguagens, estilos e gêneros diversos. Temos desde vídeos resultantes de experimentações teatrais presenciais, portanto antes da pandemia de COVID-19, que passaram por experimentações e adaptações virtuais durante a pandemia; vídeos com características performativas, os chamados vídeos-performances; e até mesmo um vídeo cujo gênero é intitulado como vídeo-teatro performativo, ou seja, um mix de teatro, performance e audiovisual”, explica Luciano.

Saiba mais sobre a Mostra acessando nosso perfil no Instagram, onde compartilhamos os perfis dos artistas, sinopses e outros detalhes do evento.

Sinopses dos trabalhos apresentados na sexta-feira (22/07)

PARA ACEITAR A MINHA DEFICIÊNCIA VISUAL

Atuação: Mayara Camargo

Colaboração: Roberto Ruiz

Sinopse: Em “Para Aceitar a Minha Deficiência Visual” a atriz  Mayara Camargo traz um pouco da sua fase de aceitação da deficiência visual, a negação de aprender o braille e demais adaptações para o cotidiano de uma pessoa cega. A cena é dividida em duas situações: a fase da não aceitação e o desabafo ao final da própria atriz sobre sua deficiência.

ATERRO

Equipe artística e técnica: Cláudio Zarco, Anthony Christian Fernandes, Dani Anjos, Vina Jaguatirica, Patrick de Araújo e Núcleo Curare

Sinopse: A ação “Aterro” apresenta o terreno em que o corpo é soterrado pelas instâncias disciplinares que o poder produz, induz, investe ao sujeito, que trabalha, arregaça as mangas e ara sua vida que não é util. É no cultivo que o corpo aterrado se encontra com sua adjetivação, aterrorizado. O embate brota. Neste processo de enterro e desterro do corpo, terras caídas florescem o pensar em busca de afetos aquíferos, ou ainda, como diria Ailton Krenak: “A Terra pode nos deixar para trás e seguir o seu caminho”.

BACOXUM

Criadores (a) e atuadores (a): Dennis Weberton Vendruscolo Gonçalves, Luís Gustavo Aldunate e Sâmia Pandora

Provocador: Luiz Lerro

Sinopse: Um deus e uma deusa, vindos de terras longínquas através das bocas-pensamentos de imigrantes, mas já acostumados com as transitoriedades e complexidades da terra Rondônia, se cruzam por entre praças e fontes abandonadas de Porto Velho, em um jogo de desejo e repulsa, de vida e morte.

COM-PULSEI

Concepção e realização: Evaristo Corrêa

Provocador: Luiz Lerro

Sinopse: A vídeo-performance “Com-pulsei” apresenta um corpo compulsando entre as paredes de um micro apartamento rodeado dos consumos mais comuns do nosso cotidiano, gerando aflições e desesperos ora silenciosos, ora estrondosos. Sensações ampliadas no contexto político e pandêmico do Brasil de 2018-2022.

REFLEXO

Equipe artística e técnica: Gabriela Aldunate e Luís Gustavo Aldunate

Sinopse: Um homem fica entre escolhas de duas caixas misteriosas e se depara com seu diário contendo lembranças e assuntos nunca resolvidos, o que o deixa perturbado. Reflexo foi filmado por meio do espelho e é um roteiro adaptado do original de Nery Rodrigues.

HOMO CONSUMERICUS

Equipe artística e técnica: Cláudio Zarco, Luiz Lerro, Éder Rodrigues, Teo Nascimento, Raíssa Dourado e Núcleo Curare.

Sinopse: Homo Consumericus é uma performance itinerante, inspirada no poema “Eu Etiqueta”, de Carlos Drummond de Andrade. O Homem-anúncio, protótipo de todas as logomarcas do mercado se desloca pelos centros urbanos, interagindo com vitrines, com espaços comerciais e com o público transeunte. Esta interação promove reflexões sobre a identidade em meio à overdose e selvageria do sistema capital. A proposta é discutir a temática, partindo da instalação de uma poética crítica da arte corporal, passando pela ocupação do espaço público, por movimentos sociais e sua descaracterização da cidadania pela associação da mesma ao consumo. O estranhamento poético e crítico da imagem do Homo Consumericus, no espaço urbano, abre perguntas sobre as liberdades do ser humano sobre a natureza do consumo e do corpo, criando um argumento sobre como essas liberdades são moldadas por convenções estéticas e sociopolíticas.

RIO POLUÍDO

Equipe artística e técnica: Sabrina Barbosa, Tharlles Alef de Oliveira Araújo e Gilca Lobo

Sinopse: “Rio Poluído”, de Sabrina Barbosa, surgiu durante a disciplina “Atuação com Objetos”, ministrada pelo professor Luciano Oliveira. O vídeo mistura teatro com objetos e dança contemporânea. O trabalho é dividido em dois momentos, sendo que no segundo é usado um figurino que simboliza um rio fictício. Para tanto foram estudadas características do Rio Madeira. O trabalho pode ter várias leituras por parte do público e apresenta a poluição dos rios, tema transversal à Educação Ambiental. “Rio Poluído” busca retratar a dor e o sofrimento que a natureza enfrenta, bem como o seu pedido de socorro.

TRANSFORM(AÇÃO)

Equipe artística e técnica: Emerson Barros e João Mariano

Provocador: Luiz Lerro

Sinopse: A vídeo-performance coloca em cena um indivíduo com depressão e vergonha do seu próprio corpo. A frustração afeta a sua saúde mental, jogando-o em lugares obscuros e de desespero, amortizados por uma gula insaciável!

CORPOS DO PRAZER

Equipe artística e técnica: Ádamo Teixeira, Luciano Oliveira, Luís Gustavo Aldunate, Dennis Weber e Jamilly Martins

Sinopse: “Corpos do Prazer” é uma obra artística (vídeo-teatro performativo) resultante das investigações empreendidas pelo discente Ádamo Teixeira, do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe a lançar-se como artista (cantora, atriz e performer) ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência, a transfobia e o moralismo tão em voga no Brasil atual.

Ficha Técnica do MEDU IV:

Coordenação e produção: Luciano Oliveira

Apresentação: Alexandre Falcão e Dennis Weber

Assessoria de Imprensa: Dennis Weber

Publicitário: Luís Gustavo Aldunate

Curadoria artística: Luciano Oliveira, Dennis Weber, Luís Gustavo Aldunate, Sabrina

Barbosa, Aléxia Mille e Jonathan Ignácio

Bolsistas PIBEC: Aléxia Mille, Jonathan Ignácio e Rafa Correia

SERVIÇO

Evento: 4ª Mostra de Encenações do Depatamento de Artes da UNIR

Data: 22/07/2022 (sexta-feira)

Local: Teatro Guaporé, Rua Tabajara, 148 – Olaria, Porto Velho – RO

Horário: 19h (Rondônia)

Classificação indicativa: 16 anos

Valor : Gratuito, mediante retirada de ingressos presencialmente nos dias de evento

Vídeo-teatro performativo “Corpos do Prazer” estreia no sábado (25/06)

Invisibilidade, transfobia, violência e moralismo são alguns dos temas que povoam a obra “Corpo do Prazer”, vídeo teatro-performativo do artista Ádamo Teixeira, que será lançado no próximo sábado (25 de junho), às 19h (horário de Rondônia), na plataforma virtual Sympla: https://www.sympla.com.br/corpos-do-prazer—defesa-de-tcc__1617988. A obra é parte integrante de Trabalho de Conclusão de Curso da Licenciatura de Teatro da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e tem orientação do professor Luciano Oliveira.

Outra apresentação está programada para o domingo (26 de junho),  também às 19h (horário de Rondônia), pelo link: https://www.sympla.com.br/corpos-do-prazer__1617996. A atração é gratuita, com tradução em LIBRAS e classificação indicativa para maiores de 16 anos.

O projeto foi contemplado no Edital nº 34/2021/SEJUCEL-CODEC – 2ª Edição Mary Cyanne – Prêmio de Produção Artístico-Cultural para transmissções ao vivo ou gravadas – Eixo – II [Apresentações Artísticas (ao vivo/gravadas)] – CATEGORIA B –  Lives transmitidas ao vivo ou com apresentações gravadas e comentadas.

“Para retirar os ingressos é necessário acessar a plataforma Sympla, cadastrar um e-mail válido e ter acesso ao aplicativo Zoom, onde serão realizadas as atividades do projeto. Esperamos que todos possam assistir ‘Corpos do Prazer’ que cresceu muito desde sua última apresentação em dezembro de 2021”, destaca  Luciano Oliveira, orientador do trabalho e também responsável pela produção do evento. 

Programação

No sábado (25/06), a programação contará com a defesa de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do artista Ádamo Teixeira, que está finalizando a Licenciatura em Teatro na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). A apresentação do vídeo-teatro performativo “Corpos do Prazer” será seguida de exposição do relatório final e parecer da banca examinadora, composta por: Prof. Dr. Luciano Flávio de Oliveira (orientador), Prof. Dr. Luiz Daniel Lerro (membro), Profa. Dra. Jussara Trindade Moreira (membra) e Prof. Dr. Alexandre Falcão de Araújo (membro suplente).

No domingo (26/06), o vídeo-teatro performativo “Corpos do Prazer” voltará a ser exibido, desta vez seguido por uma roda de conversa com ator e diretor da obra, mais a participação de Karen de Oliveira Diogo, representante da Rede Norte de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans vivendo e convivendo com HIV/Aids  (RNTTHP ) e  Comunidade Cidadã Livre (COMCIL).

Processo criativo

Ádamo Teixeira destaca que as pesquisas referentes à performance “Corpos do Prazer” começaram a surgir no segundo semestre letivo de 2018, com suas investigações sobre o universo LGBTQIA+, na disciplina Improvisação I, dentro da Licenciatura em Teatro. “Nela tive meu primeiro contato com uma  personagem travesti, que figurava como uma profissional do sexo numa cena improvisada a partir do texto ‘Entre Quatro Paredes’, de Jean Paul Sartre. Nos anos seguintes, entre 2019 e 2021, essa personagem/figura foi sendo aprofundada em Interpretação I, Improvisação  II, Linguagem da Encenação Teatral e Fundamentos da Direção Teatral, disciplinas ministradas pelo professor Dr. Luciano Oliveira,  bem como em Performance, ministrada pelo professor Dr. Luiz Lerro. Já o nome Amitaff, surgiu durante a disciplina Fundamentos da Direção Teatral, no segundo semestre letivo de 2019.”, relembra o artista.  

Sinopse

Corpos do Prazer é uma obra artística (vídeo-teatro performativo) resultante das investigações empreendidas pelo discente Ádamo Teixeira, do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe lançar-se como artista (cantora, atriz  e performer) ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social, da transfobia e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência e o moralismo tão em voga no Brasil atual.

Ficha Técnica

Atuação, figurino, maquiagem, cenografia e iluminação: Ádamo Teixeira

Direção/orientação, técnica e produção: Luciano Oliveira

Publicitário, direção de vídeo e edição: Luís Gustavo Aldunate

Assessoria de imprensa: Dennis Weber

Intérpretes de Libras: Jamilly Martins e Emanuel Vítor

Coordenação de plataforma: Stéphanie Matos

Serviço

Evento: Corpos do Prazer – Defesa de TCC de Ádamo Teixeira

Datas: 25/06/2022 (sábado) e 26/06/2022

Local: online, via Zoom/Sympla nos seguintes links: https://www.sympla.com.br/corpos-do-prazer—defesa-de-tcc__1617988 e https://www.sympla.com.br/corpos-do-prazer__1617996

Horário: 19h (Rondônia) – 20h (Brasília)

Classificação indicativa: 16 anos

Valor : Gratuito, mediante cadastro prévio na plataforma de eventos

Texto teatral foi escrito pelo professor da Unir, Luciano Oliveira

Membros da Trupe dos Conspiradores e bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Extensão e Cultura (PIBEC) da Universidade Federal de Rondônia, ligados ao Curso de Licenciatura em Teatro dessa universidade, reuniram-se virtualmente na quinta-feira (06/01/2022), das 18h às 19h30, no Google Meet, para começarem a produção do projeto Leituras Dramatizadas do Texto Teatral Fegues, aprovado no Edital  Nº 34/2021/SEJUCEL-CODEC – 2ª EDIÇÃO MARY CYANNE [EIXO – II – Apresentações Artísticas (ao vivo/gravadas) – Categoria B], da Lei Aldir Blanc do Estado de Rondônia.

O projeto consiste na exibição de duas leituras dramatizadas do texto teatral contemporâneo “Fegues”, escrito pelo professor Luciano Oliveira, nos dias 02 e 03 de abril de 2022. O evento será transmitido ao vivo via plataforma digital (Youtube), com duas noites de exibição do vídeo da leitura encenada, ou dramatizada, dessa obra. “Ao final de cada dia de exibição, teremos um bate-papo, também ao vivo, que contará com tradução em LIBRAS e audiodescrição, com os artistas envolvidos no projeto [atores, encenador, direção musical, produção, etc.], para que relatem o processo criativo da dramatização, bem como as temáticas abordadas no texto teatral”, detalha Stephanie Matos, produtora do projeto.  

O projeto tem como objetivos específicos: promover debate sobre sexualidade e gênero; alertar o público-alvo (maiores de 16 anos) sobre as complexidades da homofobia e sobre os preconceitos em relação à diversidade sexual;  denunciar, por meio do evento, a homofobia corporativa e social, o racismo e o preconceito contra homossexuais deficientes, afeminados, doentes crônicos e migrantes; divulgar para a sociedade que existe felicidade, amor, inteligência, competência, respeito e fortes laços familiares no mundo homossexual e que ser “fegue” não é nenhum demérito para o homem, tampouco uma aberração demoníaca. 

FICHA TÉCNICA DOS INTEGRANTES: 

Encenação e dramaturgia: Luciano Oliveira 

Produção e coordenação de plataforma virtual: Stephanie Matos 

Publicitário: Luís Gustavo Aldunate 

Assessoria de comunicação: Dennis Weberton Vendruscolo Gonçalves 

Direção musical: Jussara Trindade 

Edição de vídeo e filmagem: Luís Gustavo Aldunate 

Elenco: Ádamo Teixeira, A Black Z, Dennis Weber, Luís Gustavo Aldunate, Luciano Oliveira e Rafa Correia. 

Bolsistas PIBEC: Alexia Mille, Jonathan Ignácio e Rafa Correia.

As teias de uma estética dos restos em Rondônia

Notas sobre quatro vídeo-performances de Amanara Brandão:

1- Seu lixo vídeo-performance (https://youtu.be/j5JNwadPW_M): excelente trabalho, com trilha sonora potente e edição poderosa e precisa. Trata-se de um novo produto artístico da web-performer Amanara Brandão, produzido na era pandêmica, de característica tecnovivial, citando o filósofo teatral argentino Jorge Dubatti; criado a partir de um produto artístico vivial, ou seja, desde uma experiência performativa realizada no presente, num mesmo espaço físico, em que ocorre o encontro de corpos, parafraseando esse filósofo, entre espectadores e performer;

2- Vídeo-performance 1 – Uma estética dos restos (https://youtu.be/4uDYWEKB0mQ):  Primeiro trabalho da trilogia “Uma estética dos restos”, é uma obra forte, tocante, profunda e vertical. As escolhas poéticas e estéticas feitas tanto pela performer quanto pelo editor do vídeo, assim como pelo compositor da trilha sonora desse trabalho foram extremamente precisas. O ritmo do vídeo é alucinante! Conclusão: um trabalho digno dos mais importantes festivais e mostras internacionais, seja da área do audiovisual seja da área da performance;

3- Vídeo-performance 2 – Uma estética dos restos (https://youtu.be/-Nk_jqwc6CU):  vídeo-trabalho com climas e atmosferas místicas, que reflete a transcendência da natureza em relação ao “Homo sapiens”, que, pela destruição causada, regrediu ao “Homo erectus” e, consequentemente, ao “Homo habilis”. Ao centro da narrativa performativa e audiovisual, mas em status inferior às árvores, à terra e ao rio, uma imponente mulher – que não nasceu da costela de Adão! -, performando com resíduos plásticos, em busca de arejar, com ar puro, os seus alvéolos pulmonares;

4- Vídeo-performance 3 – Uma estética dos restos (https://youtu.be/qtG8rdbsV7U): uma mulher negra e imponente, de cabelos avermelhados, trajando um figurino de onça – que tem manchas pretas, brancas e marrons claras -, dependura num varal, de forma cotidiana e relaxada, uma grande sequência de sacolas plásticas: brancas, cinzas e azuis; que são presas por grampos de madeira marrons. Também se despoja de algumas peças do seu traje cênico-performativo, que são percebidas nas duas vídeo-performances anteriores: capa de chuva plástica transparente, óculos pretos de natação de silicone, um par de meias de tecidos brancos e pretos e um par de botas de borracha pretas com solados emborrachados amarelos. Em seguida, sentada, concentrada e impassível, desata os nós da sua teia/rede constituída de plásticos reutilizados multicoloridos. Aquela, com a qual tentava “pescar os botos do Rio Madeira”. Nós, web-espectadores, sob efeitos alucinógenos produzidos por mais uma trilha sonora de João Belfort, observamos essa ação, que os desantenados podem acreditar se tratar de mais uma banalidade comunista, que nos instiga a pensar sobre o destino que continuamos a dar ao nosso lixo. Este, de forma singela e assustadora, cria o fundo e a forma de uma estética dos restos. Como que numa instalação caseira, realizada fora dos centros museológicos sagrados e consagrados, ou das obras artísticas feitas de sucatas e sobras dos brasileiros Vik Muniz e Arthur Bispo do Rosário. Lembro-me, com o que me resta de memória, de algo que li, ou assisti em algum lugar, não sei quando nem onde, de algo do tipo … Enunciado sobre jogar longe: “Não existe fora do planeta Terra”!

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