Corpos do Prazer ganha prêmio internacional

O vídeo-teatro performativo Corpos do Prazer, produção do Coletivo 2 x 2 – RO, recebeu o prêmio de Melhor Vídeo Teatro no Salão Internacional de Artes Presencial (https://vemsac.com/), ocorrido em dezembro de 2022, em Portugal.

Corpos do Prazer é uma obra artística resultante das investigações empreendidas por Ádamo Teixeira, egresso do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe a lançar-se como artista ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social, da transfobia e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência e o moralismo tão em voga no Brasil.

Estamos deveras contentes com a primeira premiação do Coletivo 2×2 – RO e com a primeira premiação internacional do ator Ádamo Teixeira e dos diretores Luciano Oliveira e Luís Gustavo Aldunate.

Dedicamos esse prêmio à todas as travestis de Porto Velho e de Rondônia que, nos seus cotidianos, enfrentam inúmeras violências e exclusões!

Corpos do Prazer pode ser assistido a partir deste link: https://www.youtube.com/watch?v=j83gbP_xock

Ficha Técnica:

Atuação, figurino, maquiagem, cenografia e iluminação: Ádamo Teixeira

Direção/orientação, técnica e produção: Luciano Oliveira

Publicitário, direção de vídeo e edição: Luís Gustavo Aldunate

Assessoria de imprensa: Dennis Weber

Elenco de apoio: Luciano Oliveira e Luís Gustavo Aldunate

Intérprete de Libras: Jamilly Martins

Mostra de Encenações do Departamento de Artes da Unir exibe nove trabalhos artísticos nesta sexta-feira (22)

Na próxima sexta-feira (22 de julho), às 19h, no Teatro Guaporé, em Porto Velho (RO), mais nove trabalhos artísticos desenvolvidos por acadêmicos e egresso do Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia serão apresentados ao público. A programação integra a 4ª edição da Mostra de Encenações do Departamento de Artes da Unir (MEDU IV), que teve início no dia 15/07.

O evento é gratuito, com classificação indicativa para maiores de 16 anos, e contará com bate-papo com os acadêmicos/artistas após a exibição dos trabalhos. Os ingressos podem ser adquiridos com uma hora de antecedência no local do evento.

Serão apresentados os trabalhos artísticos ao vivo e gravados: Para aceitar a minha deficiência visual (Mayara Camargo); Aterro (Cláudio Zarco); Bacoxum (Dennis Weber, Luís Gustavo Aldunate e Sâmia Pandora); Com-pulsei (Evaristo Corrêa); Reflexo (Luís Gustavo Aldunate); Homo Consumericus (Cláudio Zarco); Rio Poluído (Sabrina Barbosa); Transform(ação) (Emerson Garcia Barros) e Corpos do Prazer (Ádamo Teixeira).

A Mostra

A Mostra de Encenações do DArtes/Unir é um projeto de extensão do Departamento de Artes da Universidade Federal de Rondônia, mais especificamente do Curso de Licenciatura em Teatro, com coordenação do professor Dr. Luciano Oliveira. Esta edição (4ª) integra o Evento Cultural Funcer – 2022, desenvolvido pela Fundação Cultural do Estado de Rondônia (Funcer).

Na Mostra são apresentados ao público os projetos de encenação e artísticos desenvolvidos pelos alunos das disciplinas Linguagem da Encenação Teatral e Fundamentos da Direção Teatral, ministradas por Luciano Oliveira. A programação da 4ª Mostra também conta com breves cenas, contação de história e vídeo-performances desenvolvidas nas disciplinas de Performance, Processos de Ensino em Teatro I, TCC II, Atuação com Objetos e Arte e Educação Ambiental.

“Na IV edição, as novidades são as apresentações no palco do Teatro Guaporé, seguidas das exibições de vídeos de forma presencial, como as que ocorrem num cinema. Assim, teremos um evento que promove o hibridismo de linguagens artísticas: teatro, contação de histórias e vídeos. Os vídeos, por exemplo, contemplam linguagens, estilos e gêneros diversos. Temos desde vídeos resultantes de experimentações teatrais presenciais, portanto antes da pandemia de COVID-19, que passaram por experimentações e adaptações virtuais durante a pandemia; vídeos com características performativas, os chamados vídeos-performances; e até mesmo um vídeo cujo gênero é intitulado como vídeo-teatro performativo, ou seja, um mix de teatro, performance e audiovisual”, explica Luciano.

Saiba mais sobre a Mostra acessando nosso perfil no Instagram, onde compartilhamos os perfis dos artistas, sinopses e outros detalhes do evento.

Sinopses dos trabalhos apresentados na sexta-feira (22/07)

PARA ACEITAR A MINHA DEFICIÊNCIA VISUAL

Atuação: Mayara Camargo

Colaboração: Roberto Ruiz

Sinopse: Em “Para Aceitar a Minha Deficiência Visual” a atriz  Mayara Camargo traz um pouco da sua fase de aceitação da deficiência visual, a negação de aprender o braille e demais adaptações para o cotidiano de uma pessoa cega. A cena é dividida em duas situações: a fase da não aceitação e o desabafo ao final da própria atriz sobre sua deficiência.

ATERRO

Equipe artística e técnica: Cláudio Zarco, Anthony Christian Fernandes, Dani Anjos, Vina Jaguatirica, Patrick de Araújo e Núcleo Curare

Sinopse: A ação “Aterro” apresenta o terreno em que o corpo é soterrado pelas instâncias disciplinares que o poder produz, induz, investe ao sujeito, que trabalha, arregaça as mangas e ara sua vida que não é util. É no cultivo que o corpo aterrado se encontra com sua adjetivação, aterrorizado. O embate brota. Neste processo de enterro e desterro do corpo, terras caídas florescem o pensar em busca de afetos aquíferos, ou ainda, como diria Ailton Krenak: “A Terra pode nos deixar para trás e seguir o seu caminho”.

BACOXUM

Criadores (a) e atuadores (a): Dennis Weberton Vendruscolo Gonçalves, Luís Gustavo Aldunate e Sâmia Pandora

Provocador: Luiz Lerro

Sinopse: Um deus e uma deusa, vindos de terras longínquas através das bocas-pensamentos de imigrantes, mas já acostumados com as transitoriedades e complexidades da terra Rondônia, se cruzam por entre praças e fontes abandonadas de Porto Velho, em um jogo de desejo e repulsa, de vida e morte.

COM-PULSEI

Concepção e realização: Evaristo Corrêa

Provocador: Luiz Lerro

Sinopse: A vídeo-performance “Com-pulsei” apresenta um corpo compulsando entre as paredes de um micro apartamento rodeado dos consumos mais comuns do nosso cotidiano, gerando aflições e desesperos ora silenciosos, ora estrondosos. Sensações ampliadas no contexto político e pandêmico do Brasil de 2018-2022.

REFLEXO

Equipe artística e técnica: Gabriela Aldunate e Luís Gustavo Aldunate

Sinopse: Um homem fica entre escolhas de duas caixas misteriosas e se depara com seu diário contendo lembranças e assuntos nunca resolvidos, o que o deixa perturbado. Reflexo foi filmado por meio do espelho e é um roteiro adaptado do original de Nery Rodrigues.

HOMO CONSUMERICUS

Equipe artística e técnica: Cláudio Zarco, Luiz Lerro, Éder Rodrigues, Teo Nascimento, Raíssa Dourado e Núcleo Curare.

Sinopse: Homo Consumericus é uma performance itinerante, inspirada no poema “Eu Etiqueta”, de Carlos Drummond de Andrade. O Homem-anúncio, protótipo de todas as logomarcas do mercado se desloca pelos centros urbanos, interagindo com vitrines, com espaços comerciais e com o público transeunte. Esta interação promove reflexões sobre a identidade em meio à overdose e selvageria do sistema capital. A proposta é discutir a temática, partindo da instalação de uma poética crítica da arte corporal, passando pela ocupação do espaço público, por movimentos sociais e sua descaracterização da cidadania pela associação da mesma ao consumo. O estranhamento poético e crítico da imagem do Homo Consumericus, no espaço urbano, abre perguntas sobre as liberdades do ser humano sobre a natureza do consumo e do corpo, criando um argumento sobre como essas liberdades são moldadas por convenções estéticas e sociopolíticas.

RIO POLUÍDO

Equipe artística e técnica: Sabrina Barbosa, Tharlles Alef de Oliveira Araújo e Gilca Lobo

Sinopse: “Rio Poluído”, de Sabrina Barbosa, surgiu durante a disciplina “Atuação com Objetos”, ministrada pelo professor Luciano Oliveira. O vídeo mistura teatro com objetos e dança contemporânea. O trabalho é dividido em dois momentos, sendo que no segundo é usado um figurino que simboliza um rio fictício. Para tanto foram estudadas características do Rio Madeira. O trabalho pode ter várias leituras por parte do público e apresenta a poluição dos rios, tema transversal à Educação Ambiental. “Rio Poluído” busca retratar a dor e o sofrimento que a natureza enfrenta, bem como o seu pedido de socorro.

TRANSFORM(AÇÃO)

Equipe artística e técnica: Emerson Barros e João Mariano

Provocador: Luiz Lerro

Sinopse: A vídeo-performance coloca em cena um indivíduo com depressão e vergonha do seu próprio corpo. A frustração afeta a sua saúde mental, jogando-o em lugares obscuros e de desespero, amortizados por uma gula insaciável!

CORPOS DO PRAZER

Equipe artística e técnica: Ádamo Teixeira, Luciano Oliveira, Luís Gustavo Aldunate, Dennis Weber e Jamilly Martins

Sinopse: “Corpos do Prazer” é uma obra artística (vídeo-teatro performativo) resultante das investigações empreendidas pelo discente Ádamo Teixeira, do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe a lançar-se como artista (cantora, atriz e performer) ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência, a transfobia e o moralismo tão em voga no Brasil atual.

Ficha Técnica do MEDU IV:

Coordenação e produção: Luciano Oliveira

Apresentação: Alexandre Falcão e Dennis Weber

Assessoria de Imprensa: Dennis Weber

Publicitário: Luís Gustavo Aldunate

Curadoria artística: Luciano Oliveira, Dennis Weber, Luís Gustavo Aldunate, Sabrina

Barbosa, Aléxia Mille e Jonathan Ignácio

Bolsistas PIBEC: Aléxia Mille, Jonathan Ignácio e Rafa Correia

SERVIÇO

Evento: 4ª Mostra de Encenações do Depatamento de Artes da UNIR

Data: 22/07/2022 (sexta-feira)

Local: Teatro Guaporé, Rua Tabajara, 148 – Olaria, Porto Velho – RO

Horário: 19h (Rondônia)

Classificação indicativa: 16 anos

Valor : Gratuito, mediante retirada de ingressos presencialmente nos dias de evento

Invisibilidade, transfobia e violência são temas abordados no vídeo-teatro performativo “Corpo do Prazer” que estreia no sábado (25/06/2022)

O clima é de expectativa para o acadêmico da Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Ádamo Teixeira. Isso porque neste sábado (25), às 19h (horário de Rondônia), através da plataforma Sympla, ele defenderá publicamente seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado “Corpos do Prazer”. A obra artística, um vídeo-teatro performativo, acompanha fragmentos de vida da personagem Amitaff, uma travesti nordestina que sobrevive em uma Porto Velho marcada por múltiplas violências.

O trabalho, que conta com a orientação do professor Luciano Oliveira, voltará a ser exibido no domingo (26), às 19h (horário de Rondônia), também por meio do Sympla, onde é necessário se cadastrar para adquirir os ingressos gratuitamente. Os dois dias de evento serão transmitidos através do serviço de videoconferência Zoom. A atração, com classificação indicativa para maiores de 16 anos, contará com tradução em LIBRAS. 

O projeto “Corpos do Prazer” é fomentado com recursos da Lei Federal 14.017/2020 – Lei Aldir Blanc, através do Edital nº 34/2021/SEJUCEL-CODEC – 2ª Edição Mary Cyanne – Prêmio de Produção Artístico-Cultural para transmissões ao vivo ou gravadas – Eixo – II [Apresentações Artísticas (ao vivo/gravadas)] – Categoria B – Lives transmitidas ao vivo ou com apresentações gravadas e comentadas, por meio da Superintendência Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL) e Governo do Estado de Rondônia.

Programação

No sábado (25/06), oserá apresentado o vídeo-teatro performativo “Corpos do Prazer”, seguido de exposição do relatório final e parecer da banca examinadora do TCC, formada por: Prof. Dr. Luciano Flávio de Oliveira (orientador), Prof. Dr. Luiz Daniel Lerro (membro), Profa. Dra. Jussara Trindade Moreira (membra) e Prof. Dr. Alexandre Falcão de Araújo (membro suplente).

Já no domingo (26/06), além da exibição de “Corpos do Prazer”, haverá uma roda de conversa com o ator e o diretor da obra (coletivo 2×2 – Rondônia), além da participação de Karen de Oliveira Diogo, representante da Rede Norte de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans vivendo e convivendo com HIV/Aids (RNTTHP) e Comunidade Cidadã Livre (COMCIL).

Sobre os percursos criativos

Ádamo Teixeira, que está há quase quatro anos investigando o universo LGBTQIAP+, encontrou na personagem Amitaff uma potência artística para denunciar as inúmeras violências sofridas por pessoas trans. “A jornada junto a ela é de uma riqueza ímpar, que contribui com minha formação artística e humana. Me transformou e me transforma a cada dia, possibilitando a prática diária da empatia com o próximo”, destaca o artista acrescentando: “A construção desse trabalho me permitiu analisar e refletir sobre o comportamento humano. Percebi o quanto o ser humano é perverso e preconceituoso. O quanto a sociedade é hipócrita e traz em sua base o conservadorismo e o machismo. ‘Corpos do Prazer’ me ajudou a entender que eu, enquanto ser humano e artista, posso contribuir de alguma forma com a comunidade LGBTQIAP+, comunidade da qual faço parte e que precisa ter visibilidade e consolidação de políticas públicas inclusivas, principalmente quando nos referimos às pessoas trans”.

Para Luciano Oliveira, professor da Licenciatura em Teatro da Unir que orienta o TCC, faz-se urgente o aprofundamento do debate sobre as vivências LGBTQIAP+ nas artes como um todo. “No caso de ‘Corpos do Prazer’, em que o foco principal recai sobre o cotidiano das travestis, desejamos possibilitar ao público olhar de forma mais humana e respeitosa essas cidadãs, que se encontram alijadas de políticas públicas que garantam a elas acesso à educação, à cultura, ao mundo do trabalho, à saúde, dentre tantos outros direitos. Corpos do Prazer é um vídeo-teatro performativo com forte caráter de mobilização social. Apresentamos índices estatísticos assustadores, que indicam que o Brasil é o país do mundo que mais mata travestis e pessoas trans”, afirma o docente.

Sobre a interpretação de Ádamo Teixeira em ‘Corpos do Prazer”, Luciano avalia que ela caminha por diversos registros, dentre eles o “dramático, o cômico e o tragicômico. Isso tudo para mostrar às pessoas que as travestis são seres humanos como nós, que sofrem, se emocionam, riem e fazem rir. Então, quando uma obra de arte é repleta de humanidade, é possível romper alguns paradigmas e, até mesmo, com tabus. E isso faz com que o público se aproxime, humanamente, da obra apresentada. Tem mobilização social maior que a expressão do amor e do respeito às diferenças? Essa mensagem é apresentada, constantemente, por Ádamo Teixeira, que é um dos artistas mais amorosos que já trabalhei”.

Sinopse

“Corpos do Prazer” é uma obra artística (vídeo-teatro performativo) resultante das investigações empreendidas pelo discente Ádamo Teixeira, do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe lançar-se como artista ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social, da transfobia e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência e o moralismo. 

Ficha Técnica

Atuação, figurino, maquiagem, cenografia e iluminação: Ádamo Teixeira

Direção/orientação, técnica e produção: Luciano Oliveira

Publicitário, direção de vídeo e edição: Luís Gustavo Aldunate

Assessoria de imprensa: Dennis Weber

Intérpretes de Libras: Jamilly Martins e Emanuel Vítor

Coordenação de plataforma: Stéphanie Matos

Serviço

Evento: Corpos do Prazer – Defesa de TCC de Ádamo Teixeira

Datas: 25/06/2022 (sábado) e 26/06/2022 (domingo)

Local: online, nos seguintes links: https://bit.ly/Corpos-do-Prazer-sábado e https://bit.ly/Corpos-do-Prazer-domingo

Horário: 19h (Rondônia) – 20h (Brasília)

Classificação indicativa: maiores de 16 anos

Valor: Gratuito, mediante cadastro prévio na plataforma de eventos

Vídeo-teatro performativo “Corpos do Prazer” estreia no sábado (25/06)

Invisibilidade, transfobia, violência e moralismo são alguns dos temas que povoam a obra “Corpo do Prazer”, vídeo teatro-performativo do artista Ádamo Teixeira, que será lançado no próximo sábado (25 de junho), às 19h (horário de Rondônia), na plataforma virtual Sympla: https://www.sympla.com.br/corpos-do-prazer—defesa-de-tcc__1617988. A obra é parte integrante de Trabalho de Conclusão de Curso da Licenciatura de Teatro da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e tem orientação do professor Luciano Oliveira.

Outra apresentação está programada para o domingo (26 de junho),  também às 19h (horário de Rondônia), pelo link: https://www.sympla.com.br/corpos-do-prazer__1617996. A atração é gratuita, com tradução em LIBRAS e classificação indicativa para maiores de 16 anos.

O projeto foi contemplado no Edital nº 34/2021/SEJUCEL-CODEC – 2ª Edição Mary Cyanne – Prêmio de Produção Artístico-Cultural para transmissções ao vivo ou gravadas – Eixo – II [Apresentações Artísticas (ao vivo/gravadas)] – CATEGORIA B –  Lives transmitidas ao vivo ou com apresentações gravadas e comentadas.

“Para retirar os ingressos é necessário acessar a plataforma Sympla, cadastrar um e-mail válido e ter acesso ao aplicativo Zoom, onde serão realizadas as atividades do projeto. Esperamos que todos possam assistir ‘Corpos do Prazer’ que cresceu muito desde sua última apresentação em dezembro de 2021”, destaca  Luciano Oliveira, orientador do trabalho e também responsável pela produção do evento. 

Programação

No sábado (25/06), a programação contará com a defesa de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do artista Ádamo Teixeira, que está finalizando a Licenciatura em Teatro na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). A apresentação do vídeo-teatro performativo “Corpos do Prazer” será seguida de exposição do relatório final e parecer da banca examinadora, composta por: Prof. Dr. Luciano Flávio de Oliveira (orientador), Prof. Dr. Luiz Daniel Lerro (membro), Profa. Dra. Jussara Trindade Moreira (membra) e Prof. Dr. Alexandre Falcão de Araújo (membro suplente).

No domingo (26/06), o vídeo-teatro performativo “Corpos do Prazer” voltará a ser exibido, desta vez seguido por uma roda de conversa com ator e diretor da obra, mais a participação de Karen de Oliveira Diogo, representante da Rede Norte de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans vivendo e convivendo com HIV/Aids  (RNTTHP ) e  Comunidade Cidadã Livre (COMCIL).

Processo criativo

Ádamo Teixeira destaca que as pesquisas referentes à performance “Corpos do Prazer” começaram a surgir no segundo semestre letivo de 2018, com suas investigações sobre o universo LGBTQIA+, na disciplina Improvisação I, dentro da Licenciatura em Teatro. “Nela tive meu primeiro contato com uma  personagem travesti, que figurava como uma profissional do sexo numa cena improvisada a partir do texto ‘Entre Quatro Paredes’, de Jean Paul Sartre. Nos anos seguintes, entre 2019 e 2021, essa personagem/figura foi sendo aprofundada em Interpretação I, Improvisação  II, Linguagem da Encenação Teatral e Fundamentos da Direção Teatral, disciplinas ministradas pelo professor Dr. Luciano Oliveira,  bem como em Performance, ministrada pelo professor Dr. Luiz Lerro. Já o nome Amitaff, surgiu durante a disciplina Fundamentos da Direção Teatral, no segundo semestre letivo de 2019.”, relembra o artista.  

Sinopse

Corpos do Prazer é uma obra artística (vídeo-teatro performativo) resultante das investigações empreendidas pelo discente Ádamo Teixeira, do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR, durante o seu Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação do professor Luciano Oliveira. Nesse trabalho, a travesti Amitaff propõe lançar-se como artista (cantora, atriz  e performer) ao mesmo tempo em que divulga um pacote promocional de fotos e vídeos eróticos. Acompanhada pelo seu produtor (e cliente), que filma e transmite “ao vivo” as imagens do evento, ela sente na pele as consequências da exclusão social, da transfobia e do machismo. O trabalho denuncia ainda a invisibilidade, a violência e o moralismo tão em voga no Brasil atual.

Ficha Técnica

Atuação, figurino, maquiagem, cenografia e iluminação: Ádamo Teixeira

Direção/orientação, técnica e produção: Luciano Oliveira

Publicitário, direção de vídeo e edição: Luís Gustavo Aldunate

Assessoria de imprensa: Dennis Weber

Intérpretes de Libras: Jamilly Martins e Emanuel Vítor

Coordenação de plataforma: Stéphanie Matos

Serviço

Evento: Corpos do Prazer – Defesa de TCC de Ádamo Teixeira

Datas: 25/06/2022 (sábado) e 26/06/2022

Local: online, via Zoom/Sympla nos seguintes links: https://www.sympla.com.br/corpos-do-prazer—defesa-de-tcc__1617988 e https://www.sympla.com.br/corpos-do-prazer__1617996

Horário: 19h (Rondônia) – 20h (Brasília)

Classificação indicativa: 16 anos

Valor : Gratuito, mediante cadastro prévio na plataforma de eventos

Acadêmico de Teatro da Unir apresenta performance sobre vivência travesti nesta segunda-feira (20/12)

“Corpos do Prazer” é desenvolvida pelo acadêmico Ádamo Teixeira , que em cena apresenta a persona Amitaff, travesti cearense que sobrevive em Porto Velho e denuncia a invisibilidade e a violência sofridas diariamente

Com o objetivo de denunciar aos espectadores e às autoridades as agressões e cerceamentos que as travestis sofrem no seu cotidiano e divulgar os índices sociais excludentes que essas cidadãs são submetidas ao longo de suas vidas, o acadêmico da Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia, Ádamo Teixeira, realiza na noite desta segunda-feira (20), mostra do processo criativo da performance “Corpos do Prazer”.

 No encontro marcado para às 19h (horário de Rondônia), em plataforma digital, o artista traz à cena a persona Amitaff, uma travesti cearense que sobrevive em Porto Velho (RO), denunciando a invisibilidade, a violência, a transfobia e o moralismo tão em voga no Brasil atual. A apresentação é gratuita, tem classificação indicativa de 16 anos e contará com tradução em LIBRAS.

A mostra será apresentada na plataforma Google Meet com a participação máxima de 100 pessoas. Os interessados em assistir deverão entrar em contato com o artista, por meio dos e-mails: adamo_blek@hotmail.com e luciano.oliveira@unir.br.  Após a performance  os espectadores serão convidados a participar de um bate-papo com o ator Ádamo Teixeira e também com o orientador e diretor da performance, professor do Departamento de Artes da Unir (DArtes), Luciano Oliveira.

Oprojeto foi contemplado no Edital de Chamada Pública para Premiação ao Setor Cultural –  nº 008/2021 Lei Aldir Blanc nº 14.017/2020, Art. 2º Inciso III – da Fundação Cultural do Município de Porto Velho – Categoria A) Apresentação de Performance Artística ou Musical: conteúdo de caráter performático. A performance “Corpos do Prazer” está em desenvolvimento enquanto Trabalho de Conclusão de Curso (TCC I e TCC II) da Licenciatura em Teatro cursada por Ádamo, a ser concluído em março de 2022. 

A pesquisa artística no universo LGBTQIA+ começou em 2018 e seguiu sendo aperfeiçoada em várias disciplinas do curso e também através de participações em eventos artísticos. Enquanto objeto educacional, o trabalho visa contribuir para a formação de público em Porto Velho e região, assim como para a criação de indivíduos mais conscientes e sensíveis às causas e direitos das minorias, em especial dos LGBTQIA+.

“Além de alertar e denunciar aos espectadores as violências diversas, inclusive assassinatos, que as travestis sofrem no seu dia-a-dia, é importante mostrar ao público que as travestis são seres humanos e que, enquanto cidadãs, merecem respeito e acesso a todos os bens sociais garantidos pela Constituição Federal brasileira de 1988, bem como pela Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1948”, reforça Ádamo.

Sinopse

“Corpos do Prazer” é uma performance-denúncia, que está em processo de criação, e de mobilização social. Trata-se de mais um meio a partir do qual as travestis de Porto Velho − silenciadas pelo sistema machista, homofóbico e patriarcal, bem como pela falta de políticas públicas efetivas em âmbito federal, estadual e municipal − podem ter voz para gritar contra a invisibilidade frente à sociedade e contra as violências que sofrem.

Serviço

Evento – Mostra do processo criativo da performance “Corpos do Prazer”, do acadêmico da Licenciatura em Teatro da UNIR, Ádamo Teixeira

Classificação indicativa – Para maiores de 16 anos

Datas – Dia 20 de novembro de 2021, às 19h (horário de Rondônia)

Local  – On-line, na plataforma Google Meet

Quanto? – Gratuito, mediante contato prévio com o artista


Texto e assessoria de imprensa: Dennis Weber

Arte: Luís Gustavo Aldunate

Performance teatral “Corpos do Prazer” será apresentada no próximo domingo (19/12)

Processo criativo é desenvolvido pelo acadêmico da Licenciatura em Teatro da Unir, Ádamo Teixeira e traz para a cena a persona Amitaff, travesti cearense que sobrevive em Porto Velho

Quero te contar alguns segredos! Você aceita uma sessão exclusiva comigo?”, convida a travesti Amitaff, persona criada pelo acadêmico da Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Ádamo Teixeira, que entra em cena no próximo domingo (19/12), às 19h (horário de Rondônia), para uma curta temporada de mostras do processo criativo da performance “Corpos do Prazer”. Serão dois encontros (outra apresentação acontecerá na segunda-feira – 20/12, às 19h), em plataforma digital, totalmente gratuitos,  com tradução em LIBRAS e classificação indicativa de 16 anos.

Para acessar as sessões (limitadas a 100 participantes), os interessados deverão entrar em contato com o artista, através dos e-mails: adamo_blek@hotmail.com e luciano.oliveira@unir.br. Após cada apresentação, os espectadores serão convidados a rodas de conversa. “Esses momentos de diálogos serão muito importantes para o trabalho que ainda está em processo de desenvolvimento. Portanto, depoimentos e sugestões da plateia serão bem-vindos”, informa o orientador e diretor da performance, professor do Departamento de Artes da Unir (DArtes), Luciano Oliveira.

                O projeto foi contemplado no Edital de Chamada Pública para Premiação ao Setor Cultural –  nº 008/2021 Lei Aldir Blanc nº 14.017/2020, Art. 2º Inciso III – da Fundação Cultural do Município de Porto Velho – Categoria A) Apresentação de Performance Artística ou Musical: conteúdo de caráter performático. “Vejo como fundamental esta premiação, uma vez que possibilita o financiamento de parte do trabalho, que até o presente momento não conta com nenhum apoio financeiro. Além disso, é urgente para a classe artística, pois gera renda emergencial, em tempos de pandemia da Covid-19, para os artistas e técnicos do município”, pontua Ádamo. 

Quem é Amitaff?

  Amitaff, travesti cearense que sobrevive em Porto Velho (RO), é figura central da performance “Corpos do Prazer”, que está em processo de desenvolvimento enquanto Trabalho de Conclusão de Curso do ator Ádamo Teixeira. “Minha pesquisa no universo LGBTQIA+ começou em 2018 e seguiu sendo aperfeiçoada em várias disciplinas da Licenciatura em Teatro e também por meio de participações em eventos artísticos. Já o nome Amitaff, surgiu durante a disciplina Fundamentos da Direção Teatral, no segundo semestre letivo de 2019, e faz referência ao nome de uma familiar”, relembra o acadêmico.

Ádamo relata que, a partir das ações da persona, é possível descortinar o sistema machista, transfóbico e patriarcal, que silencia travestis, obrigadas a se ocultarem nas margens da sociedade moralista. “Esta obra, que está em desenvolvimento, é uma performance-denúncia, e considero que seja mais um meio a partir do qual as travestis de Porto Velho podem ter voz para gritar contra a invisibilidade e contra as violências que sofrem diariamente”, aponta.

Serviço

Evento – Mostra do processo criativo da performance “Corpos do Prazer”, do acadêmico da Licenciatura em Teatro da UNIR, Ádamo Teixeira

Classificação indicativa – Para maiores de 16 anos

Datas – Dias 19 e 20 de novembro de 2021, às 19h (horário de Rondônia)

Local  – On-line, na plataforma Google Meet

Quanto? – Gratuito, mediante contato prévio com o artista

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Texto e Assessoria de Imprensa: Dennis Weber

As teias de uma estética dos restos em Rondônia

Notas sobre quatro vídeo-performances de Amanara Brandão:

1- Seu lixo vídeo-performance (https://youtu.be/j5JNwadPW_M): excelente trabalho, com trilha sonora potente e edição poderosa e precisa. Trata-se de um novo produto artístico da web-performer Amanara Brandão, produzido na era pandêmica, de característica tecnovivial, citando o filósofo teatral argentino Jorge Dubatti; criado a partir de um produto artístico vivial, ou seja, desde uma experiência performativa realizada no presente, num mesmo espaço físico, em que ocorre o encontro de corpos, parafraseando esse filósofo, entre espectadores e performer;

2- Vídeo-performance 1 – Uma estética dos restos (https://youtu.be/4uDYWEKB0mQ):  Primeiro trabalho da trilogia “Uma estética dos restos”, é uma obra forte, tocante, profunda e vertical. As escolhas poéticas e estéticas feitas tanto pela performer quanto pelo editor do vídeo, assim como pelo compositor da trilha sonora desse trabalho foram extremamente precisas. O ritmo do vídeo é alucinante! Conclusão: um trabalho digno dos mais importantes festivais e mostras internacionais, seja da área do audiovisual seja da área da performance;

3- Vídeo-performance 2 – Uma estética dos restos (https://youtu.be/-Nk_jqwc6CU):  vídeo-trabalho com climas e atmosferas místicas, que reflete a transcendência da natureza em relação ao “Homo sapiens”, que, pela destruição causada, regrediu ao “Homo erectus” e, consequentemente, ao “Homo habilis”. Ao centro da narrativa performativa e audiovisual, mas em status inferior às árvores, à terra e ao rio, uma imponente mulher – que não nasceu da costela de Adão! -, performando com resíduos plásticos, em busca de arejar, com ar puro, os seus alvéolos pulmonares;

4- Vídeo-performance 3 – Uma estética dos restos (https://youtu.be/qtG8rdbsV7U): uma mulher negra e imponente, de cabelos avermelhados, trajando um figurino de onça – que tem manchas pretas, brancas e marrons claras -, dependura num varal, de forma cotidiana e relaxada, uma grande sequência de sacolas plásticas: brancas, cinzas e azuis; que são presas por grampos de madeira marrons. Também se despoja de algumas peças do seu traje cênico-performativo, que são percebidas nas duas vídeo-performances anteriores: capa de chuva plástica transparente, óculos pretos de natação de silicone, um par de meias de tecidos brancos e pretos e um par de botas de borracha pretas com solados emborrachados amarelos. Em seguida, sentada, concentrada e impassível, desata os nós da sua teia/rede constituída de plásticos reutilizados multicoloridos. Aquela, com a qual tentava “pescar os botos do Rio Madeira”. Nós, web-espectadores, sob efeitos alucinógenos produzidos por mais uma trilha sonora de João Belfort, observamos essa ação, que os desantenados podem acreditar se tratar de mais uma banalidade comunista, que nos instiga a pensar sobre o destino que continuamos a dar ao nosso lixo. Este, de forma singela e assustadora, cria o fundo e a forma de uma estética dos restos. Como que numa instalação caseira, realizada fora dos centros museológicos sagrados e consagrados, ou das obras artísticas feitas de sucatas e sobras dos brasileiros Vik Muniz e Arthur Bispo do Rosário. Lembro-me, com o que me resta de memória, de algo que li, ou assisti em algum lugar, não sei quando nem onde, de algo do tipo … Enunciado sobre jogar longe: “Não existe fora do planeta Terra”!

19 ________ Distâncias: dezeNoveDias, diA 19, 19 h

Como funciona a plataforma virtual enquanto ferramenta de trocas de experiências artísticas em momento de isolamento social? De que maneira um processo pedagógico de dezenove dias, com apresentações de dezenove web-performances no dia 19 de junho de 2020 (sexta-feira, dia do Cinema Brasileiro, Dia Internacional para Eliminação da Violência Sexual em Conflito e Dia Nacional do Luto), às 19 h (horário de Porto Velho), pode aproximar as distâncias criativas e fazer os web-espectadores esquecerem por alguns minutos as angústias criadas pela pandemia de COVID-19 no Brasil e no mundo?

19Distâncias, evento web-performativo do projeto “Fórum Performance-arte Norte”, competentemente coordenado pelo professor Luiz Lerro, do Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), e produzido por Andressa Batista e Betânia Avelar, é  uma ação do Paky’Op (Laboratório de Pesquisa em Teatro e Transculturalidade), grupo de pesquisa acadêmica também coordenado por esse professor, que contou com o apoio do Departamento de Artes (DArtes) da UNIR. Ocorrido no Google Meet, um software que conecta salas de reunião ou espaço virtual a videochamadas, a ação, inédita em Rondônia, quiçá no Brasil, aproximou web-performers e professores-artistas de diferentes cidades do país (Porto Velho, Vilhena, Brasília, Ouro Preto, Belo Horizonte, Rio Branco e Belém) à 101 web-espectadores de diferentes regiões do Brasil (Sul, Sudeste, Norte e Nordeste), bem como do exterior (Portugal).

Enquanto espaço virtual, o Google Meet propiciou aos participantes o que Jorge Dubatti, importante filósofo teatral argentino, chama de Experiencia Tecnovivencial. Ou seja, pensando nesse ambiente de mediação tecnológica, experiências artísticas e relacionais entre web-artistas e web-espectadores. Nesse sentido, 19Distâncias contou com apresentações (e não representações!) de 19 web-performances-tecnovivenciais. E como toda tecnologia nos oferece ganhos e perdas, bem como problemas e soluções (ainda mais em se tratando da região Norte do Brasil, onde o sinal de internet é ainda precário), o web-evento obteve, no sentido artístico-pedagógico, um grande êxito.            

No dia anterior ao web-evento, no “18Distâncias”, portanto, ocorreu um ensaio técnico/ensaio geral em que se definiu a sequência de apresentações, bem como se fez uma análise estético-poética das web-performances ensaiadas. Algumas dificuldades técnicas foram identificadas, principalmente em relação à variação de frequência do sinal de internet. Tal variação fez com que algumas imagens transmitidas chegassem com atraso em relação ao som, ou que essas imagens perdessem qualidade (pixealizando-se), que certas entradas (ao vivo) de web-performers atrasassem dentro da plataforma (isso comprometeu o fluxo da sequência de apresentações), etc. Mas, a despeito desses pequenos problemas, o ensaio transcorreu muito bem e deixou a todos os participantes esperançosos de um ótimo trabalho no dia seguinte. Agora, antes de entrar na crítica propriamente dita do evento, segue uma observação fundamental e de grande valor profissional: um ensaio técnico é muito importante para a observação de como as diferentes partes dos elementos do produto artístico ensaiado, que até então estavam isoladas, funcionam quando colocadas juntas num mesmo espaço-tempo da criação. Isso quer dizer, amados alunos e artistas envolvidos, o que é ensaiado no último dia que antecede a apresentação é para ser apresentado tal qual foi ensaiado. Grandes mudanças produzem enormes incertezas. E estas induzem ao erro, principalmente quando vários dos envolvidos no projeto têm pouca, ou até mesmo nenhuma experiência artística anterior. Obviamente que pequenas mudanças podem ser necessárias, principalmente em detalhes técnicos que foram apontados pelo coordenador e pelos demais como sendo problemáticos.  Agora, mudança radical na estrutura da web-performance – alterando, inclusive, a sua narrativa textual, visual e/ou sonora -, é de matar de infarto qualquer artista que preza pelo mínimo de organização. Feita essa pequena advertência, passemos à alguns depoimentos críticos ao décimo nono dia do intrigante projeto 19Distâncias.

A professora Jussara Trindade, também do Curso de Teatro da UNIR, deu o seguinte depoimento por e-mail:

Eu gostei muito de “19Distâncias”! Foi bom demais ver como o entusiasmo do professor Luiz Lerro contagiou tantos estudantes-artistas de Teatro de Porto Velho, e um público de quase uma centena de pessoas que participaram até o final desta magnífica experiência cênica. Performances diversas, divertidas, tristes, surpreendentes, críticas, inteligentes. Algumas apresentando um alto grau de refinamento técnico; outras mais singelas, quase toscas. Algumas, inacabadas. Todas, porém, indistintamente, compartilhando uma enorme vontade de “dizer algo” por meio do teatro!

Creio que “19Distâncias” inaugurou uma nova forma de fazer teatro nestes tempos de interatividade tecnológica. Uma forma que se coloca, acredito, para além das “tecnologias da informação e da comunicação” apesar de serem, estas, as suas ferramentas óbvias. Uma forma tão curiosa, tão “real” embora “virtual”, que o público pode inclusive competir com o/a performer em sua presença cênica… ou até mesmo tentar sabotar a apresentação!

Já Walterlina Brasil, Diretora do Núcleo de Ciências Humanas (NCH) da UNIR e figura sempre presente nas produções do DArtes, seja como espectadora seja como artista, perguntada no WhatsApp se havia gostado das web-performances de 19Distâncias, escreveu o seguinte:

Em parte. Parte boa: a surpresa, algumas perspectivas de espaço a partir do uso do celular. Em alguns momentos: cansativo, óbvio ou confuso. Quem assiste nem sempre quer ser assustado, pode querer ser envolvido…

Nesse dia-noite inesquecível para muitos, por diversos motivos, como nas citações anteriores elencadas, o Brasil alcançou o escandaloso e vergonhoso número de 48.954 mortes dentre 1.032.913 casos confirmados de coronavírus. A sexta-feira registrou, só no estado de Rondônia, mais 549 infecções e mais 17 mortes. Logo, aqui, os números somados chegaram a 14353 infectados com 391 óbitos. Sobre algumas dessas cifras alarmantes, o web-performer Almício Fernandes, aluno do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR e importante ator rondoniense, em seu inteligente trabalho Normose nos deu alguns detalhes, por meio de uma alucinante dinâmica rítmico-vocal e close-ups oculares esquizofrênicos. Começando pelo número 1, ou seja, pela primeira morte por infecção de coronavírus no país, ele passou pelos dados numéricos mais marcantes, intercalando essas informações com o dito “Novo Normal”. Sobre esse conceito, Maria Aparecida Rhein Schirato, professora do Insper, em entrevista dada ao site dessa instituição, disse isto:

O novo normal, na verdade, seria a proposta de um novo padrão que possa garantir nossa sobrevivência. Faço um paralelo com a experiência que tive de ter vivido uma parte da minha vida em locais com neve. Para viver em um centro urbano com essa condição climática, você tem um kit neve, composto por gorro, cachecol, luva, bota, capote e lenço de papel. Sem esse kit, você está absolutamente desprotegido e corre sérios riscos de ficar doente. Esse kit neve dá um pouco de trabalho. Nos primeiros dias, você estranha muito. A tendência é você ficar mais encolhido por causa do frio, ter um certo mal-estar ao entrar em uma loja aquecida ou ao ter que tirar as luvas ao manusear um cartão bancário. Aos poucos, você se acostuma com o kit. Não por ser agradável, mas por te dar segurança. Rapidamente, neste caso, nós, que vivemos em um país tropical, entramos em um novo normal. O que está sendo proposto, agora, é um kit Covid. Um kit de segurança. Vamos ter que andar com máscara, mais contidos, menos expansivos, como se estivéssemos no frio. Guardando certa distância, talvez com luvas e, de certa forma, nos primeiros dias, vamos achar tudo muito estranho, mas a garantia da segurança de que não vamos ficar doentes e não transmitiremos doenças fará com que assimilemos esse kit de uma forma indolor. Ou seja, entraremos em um novo padrão de normalidade. Reforçando, normalidade é o padrão que me garante sobrevivência dentro de um grupo. Logo vamos nos habituar com esse kit Covid e, certamente, sentiremos falta se não o utilizarmos.

Disponível em: <https://www.insper.edu.br/noticias/novo-normal-conceito/>. Acesso em: 21 jun. de 2020.

Questões relacionadas à essa nova normalidade, causada pelo COVID-19, perpassaram, além da web-performance de Almício Fernandes, inúmeros trabalhos apresentados em 19Distâncias. Inclusive, quatro artistas envolvidos no evento sofreram na pele, na alma e no coração, as dores físicas e psicológicas desse terrível vírus. Jamile Pereira, também aluna de Teatro da Unir e atriz da Trupe dos Conspiradores, do Teatro Ruante e da Cia Peripécias, infelizmente, nem conseguiu apresentar-se, porque estava com fortes sintomas da doença. Ela, gentilmente, e de forma emocionada, me deu um precioso depoimento, no WhatsApp, sobre essa experiência:

Ficar de fora foi difícil, pois queria muito ter participado e me esforcei pra isso. Essa doença parece que tira o que mais nos deixa feliz. Mas vai passar! Aliás, já está terminando. Ficar isolada e ainda não poder fazer o que gostamos é difícil, mas fiquei feliz em ver os resultados, me deu alegria e esperança.

Vai passar, Jamile! Vai passar! Na próxima apresentação, muitas outras virão, sua web-performance constará da programação. Fica aqui a nossa gratidão e homenagem por todo o seu esforço e comprometimento com o projeto.

Imagem 1: Entre Paredes, processo criativo de Jamile Soares.

Foto: Jamile Soares.

Ainda dentro da temática COVID-19, Ádamo Teixeira, meu companheiro de vida e das artes, discente do Curso de Teatro da Unir e ator da Trupe dos Conspiradores, apresentou sua web-performance “Travesti Covidada” ainda com traços de coronavírus em seu organismo. E eu, crítico-cronista que vos escreve, que ajudei na organização cênica dessa web-performance, também contraí o vírus. O trabalho de Ádamo Teixeira traz em seu bojo imagens relacionadas à doença: máscara, luvas, álcool gel e faca-ameaçadora-cortante. Em sua elegante sala de atendimento, a travesti cigana – ainda sem nome – prepara seus objetos sexuais para brincar com seu hipotético cliente. Web-performando a partir da recém-lançada canção Não Esqueça, interpretada pela cantora amapaense-mineira Fernanda Takai, a travesti contaminada desfila pelo espaço com seu elegante vestido branco (que foi confeccionado pelo próprio ator) e com sua maquiagem intensa, colorida e bem desenhada que, sob o efeito de luz negra, leva o web-espectador a um universo onírico (ou de pesadelo?). A apresentação, que durou apenas 3 minutos – aliás, é importante mencionar que todas as web-performances apresentadas foram curtas, variando de 1 a 5 minutos -, é simples e tem uma narrativa bastante teatral, seguindo a seguinte sequência de ações: sob o efeito de luz negra levantar do sofá cor de rosa-vermelho; sentar-se de perna aberta e mostrar o que há por baixo (hum!); exibir as luvas brilhantes; levantar e aproximar o rosto da lâmpada de luz negra (realçando a maquiagem); acender as luzes vermelhas do cômodo; pegar o álcool gel e limpar o frasco de lubrificante sexual, higienizar o consolo de borracha e chupá-lo, e, por último, ameaçar o seu cliente com a faca-ameaçadora-cortante. Porém, antes de supostamente cortá-lo, devido à sua consciência social, ela limpa o objeto com o caro e difícil de encontrar álcool em gel 70. A web-performance encerra-se juntamente com os últimos versos da canção Não Esqueça, de Nico Nicolayewski:

Não esqueça que a vida é pra viver
Lembre sem medo de esquecer
Não espere saber como vai ser
Saiba que nunca vai saber

Não esqueça que é tudo ilusão
Não esqueça de lavar as mãos

Disponível em: <https://www.letras.mus.br/fernanda-takai/nao-esqueca/>. Acesso em: 21 jun. de 2020.

Imagens 2 a 13: Travesti Covidada, de Ádamo Teixeira.

Fotos: Luciano Oliveira

Prints: Raíssa Dourado

Sobre Travesti Covidada, a já citada Walterlina Brasil, escreveu o seguinte:

A parte escura com o efeito da pintura facial foi inquietante. Me deu aflição a relação álcool em gel e o falo. Se não tivesse o nome e não tivesse acendido a luz eu não o reconheceria. (…) [Quanto ao] falo, há variações mais modernas… 😇.

Já Júnior Lopes, professor do Curso de Teatro da UNIR, e um dos web-performers a se apresentar em 19Distâncias, disse, por telefone, que a forma intensamente colorida do trabalho do Ádamo se aproxima do que os colombianos chamam de “Estética Narcos”. Sobre essa estética, há vários artigos disponíveis (tanto em português quanto em espanhol) na internet.

Outra web-performance relacionada ao universo do coronavírus é Ponte, de Teoginis Nascimento, também aluna do Curso de Teatro da UNIR e atriz do Grupo Teatral Sentidos. O delicado trabalho dessa web-performer, que talvez tenha sido o de maior duração, constou da colocação de várias cruzes coloridas no espaço performático, enquanto cantava belamente cantigas de cunho religioso, moral e humano. Tais cruzes eram de tecidos e, provavelmente, foram confeccionadas por ela mesma, que ainda é costureira e figurinista. Enquanto cantarolava letras melancólicas – mais ou menos assim: “O mundo tá muito doente! (…) Você me trata mal e eu te trato bem. (…) As coisas são como salada russa e esfihas de carne” -, Teoginis, que perdeu um ente querido recentemente, assassinado de forma bárbara no interior de Rondônia, dispunha suavemente pelo espaço fileiras de cruzes, provocando nos web-espectadores memórias e sensações da violência da morte.

Imagem 14: Ponte, de Téo Nascimento.

Foto: Téo Nascimento

Por sua vez, Taiane Sales, ex-aluna do Curso de Teatro da UNIR, atriz e performer de vários projetos artísticos de Porto Velho, com a web-performance Sagrada Vida, resgatou, de forma lírico-poética, imagens de mulheres-fantasmas como, por exemplo, a Mulher de Branco, Mulher do Algodão, Noiva do Banheiro e Loira do Banheiro. Mas engana-se quem acha que se trata de um trabalho ingênuo, superficial e clichê. Muito pelo contrário, trata-se de um fazer artístico extremamente plástico, com imagens sonoro-visuais fortíssimas, cujas locações (o quintal da sua casa) e paisagens auditivas (cricris de grilos) foram escolhidas por ela com muito zelo. Arrepiou-me a frase “- Você foi escolhido para compartilhar desse momento!”, pois, afinal, somos sobreviventes da guerra do coronavírus que pôs fim à vida do seu amado pai, o Sr. Nélio da Costa Nunes. Mais uma vez, minhas condolências!

Imagens 15 a 17: Sagrada Vida, de Taiane Sales.

Prints: Maísa Mayara

Outra web-performer que abordou o universo do coronavírus foi Paulina Descry, funcionária do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia e estudante do Curso de Ciências Jurídicas da Faculdade Católica de Rondônia. Diferentemente do que apresentou no ensaio técnico/ensaio geral – e isso é um problema, ainda mais em se tratando de uma não-profissional das artes cênicas -, o seu trabalho começou com um pequeno texto verbal, mais especificamente sobre o COVID-19. No ensaio geral, ela não havia pronunciado nenhuma palavra. O jogo apresentado foi apenas imagético. Durante sua apresentação no dia 19, após o texto inicial, Paulina foi mostrando aos web-espectadores pequenas placas de papel, escritas à mão, e lendo as informações nelas constantes: “subnotificação, falta de testes, ‘I daí?’, censura, etc”. Ela fazia uma clara crítica à equivocada política de enfrentamento do presidente Jair Bolsonaro ao novo vírus. De repente, um silêncio inesperado! Logo, entra, nesse espaço sem palavras, o web-performer Júnior Lopes, com seu trabalho O Olho Mágico. Num primeiro momento, o web-espectador pode até ter pensado que se tratava de um jogo ensaiado de simultaneidade, porque o encontro de imagens foi bastante interessante e preciso (fica a sugestão para a próxima apresentação do evento!). Contudo, Júnior Lopes, ademais de ser professor de Teatro da UNIR, é um ator experiente. Em pouco tempo sua imagem dominou o espaço virtual, quase que silenciando por completo a imagem-som da jovem aprendiz de teatro. Então, retomando o que eu escrevi anteriormente, reforço a importância de manter a estrutura do trabalho que foi mostrado no ensaio técnico/ensaio geral para que não ocorra problemas como esse.

Mais uma web-performance que estava tratando sobre a temática coronavírus, foi Transolamento, de Gilmar Soares, aluno do Curso de Teatro da UNIR e criador da importante performance Pelo [Lourinho]. Esta ganhou prêmio em um festival de teatro de Minas Gerais e foi exibida no PerforArtNet, um festival virtual de performances da Colômbia. Pelo que vi no ensaio geral, Transolamento é uma web-performance descolada, alegre e divertida, em que uma transexual, em isolamento social, cria uma boate em casa e dança uma Música Disco (Disco Music) em frente ao seu computador. Num dado momento da sua diversão, ela coloca uma máscara branca sobre o rosto e desenha, com batom, uma boca vermelha. Em seguida, retira do soutien um par de camisinhas e, com elas, faz um par de luvas para proteger as mãos. Por último, com plástico filme, cria um equipamento de proteção para a cabeça, uma espécie de máscara de acrílico. Infelizmente, por problemas de conexão com a internet, a apresentação de Gilmar Soares durou apenas alguns segundos. Por isso, publico, a seguir, uma grande sequência de prints de tela feitos durante o ensaio técnico.

Imagens 18 a 38: Transolamento, de Gilmar Soares.

Outros três trabalhos apresentados abordaram assuntos ligados à pandemia que assola o planeta. São eles: Sufocando, de Stéphanie Matos, Streaptease Pandêmica no Breu, de Amanara Brandão, e Cala Boca, de Janaína Valente.

Sufocando, de Stéphanie Matos, aluna concluinte do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR e atriz da Trupe dos Conspiradores e da Cia Peripécias, pareceu-me, por um lado, uma tentativa de crítica ao consumismo exacerbado de produtos alimentícios em tempos de pandemia. Isso porque a web-performer trouxe para os web-espectadores uma partitura de ação que consistia em colocar, uma por vez, e ao som de batidas de funk, várias sacolas de plástico de supermercado na cabeça, até o processo total de sufocamento. É importante mencionar que as sacolas são de uma rede de supermercado muito famosa, e cara, do estado de Rondônia. Por outro lado, as batidas de funk poderiam ser associadas ao sufocamento (mercadológico) que uma forma de expressão cultural que é consumida massivamente pode acarretar ao mundo da arte, em especial à música, em suas diferentes linguagens. Por fim, um ponto a ser refletido por Stéphanie Matos é sobre o acabamento, em termos estéticos, da sua web-performance.

Imagem 39: Sufocando, de Stéphanie Matos.

Foto: Walterlina Brasil.

Streaptease Pandêmica no Breu, de Amanara Brandão, também discente do Curso de Teatro da Unir e atriz do Imaginário-RO, faz uma crítica bem-humorada ao uso, ideológico, da máscara neste período complexo de pandemia de coronavírus. A máscara apresentada seria comunista, por ser vermelha, e indecorosa (aliás, coisa muito comum entre os comunistas!), pois é retirada do rosto de maneira muito sexy; quiçá de modo pornográfico, porque deixam à mostra (nus) os lábios carnudos e suculentos da web-performer. Para “lacrar”, Amanara Brandão saca de sua língua, também molhada e sem vergonha, uma tampinha de garrafa de refrigerante (ou de cerveja?) com o seguinte dizer: “- Fora Bolsonaro”.

Imagens 40 a 45: A indecorosa Streaptease Pandêmica no Breu, de Amanara Brandão.

Prints: Ana Clara Martins

A última web-performance que toca questões referentes ao coronavírus (e eu estou em dúvida dessa assertiva!) é Cala Boca, de Janaína Valente, caloura do Curso de Teatro da UNIR e produtora da Trupe dos Conspiradores. O seu trabalho é uma live de celular, tipo de influencer que não tem muito o que fazer e precisa gerar conteúdo para os seus seguidores, em que a web-performer mostra o seu rosto com uma máscara branca enquanto caminha pela casa. De rebarba, os seguidores têm lampejos visuais do seu imóvel e da rua que mora. Ao final da exibição, Janaína Valente profere a frase: “- Cala a boca!”. Seria essa uma crítica à truculência de Jair Bolsonaro ou eu estou com pensamentos demasiadamente comunistas? Por fim, importa observar, e isto não vale como justificativa para a falta de acabamento estético do trabalho, que essa web-performer estava sem luz e sem sinal de wi-fi em sua residência, desde o dia anterior, pois um caminhão baú arrebentou cabos de energia e de internet da rua em que mora. Inclusive, por esse motivo, ela nem pode participar do ensaio técnico/ensaio geral. Uma sugestão: por que não acrescentar esse ocorrido (que é hilário!) como informação visual ao trabalho?

Imagens 46 a 54: Cala boca, de Janaína Valente.

Prints: Raíssa Dourado.

Outra temática recorrente nas web-performances apresentadas em 19Distâncias foi a violência contra a mulher. Andressa Silva, com E daí?, Selma Pavanelli, com (Des)Velando e Valdete Sousa, com Ensaios sobre Ausências responsabilizaram-se, assim se poderia dizer, por apresentar esse importante assunto no evento.

E daí? , de Andressa Silva, bailarina, professora de ballet e atriz da Beradera Companhia de Teatro, de Porto Velho, é uma fortíssima web-performance baseada na experiência da artista com a dança. Andressa apresentou uma figura – uma mulher – nervosa, com medo, ameaçada e agredida psicológica e fisicamente por seu companheiro. E daí? tem como linguagem predominante uma dança expressiva em que a web-performer performativa belamente pelo espaço da ação. Com a ajuda do seu companheiro (e é muito bom poder contar com o auxílio de outrens nos nossos trabalhos!), a artista conseguiu produzir, além das imagens frontais – características comuns nas lives -, imagens de cima. Isso propiciou aos web-espectadores outra experiência de olhar e chegou a ser até uma surpresa agradável para quem assistia. Agora, um ponto negativo, e isso, nesse caso específico pode ser considerado um paradoxo, foi a mudança total de direção que a artista deu em relação ao trabalho que apresentou no ensaio técnico/ensaio geral. Já escrevi anteriormente, por duas vezes até, que alterações abruptas em um processo artístico, de um dia pro outro, e sem o devido conhecimento do coordenador/diretor, pode ser muito prejudicial, haja vista a grande quantidade de trabalhos que foram apresentados no evento.

Imagens 55 a 70: E daí?, de Andressa Silva.

Prints: Raíssa Dourado

(Des)Velando, de Selma Pavanelli, atriz e palhaça do Teatro Ruante, com música de Adailtom Alves (professor do Curso de Teatro e membro fundador do Ruante) e de Alexandre Falcão (também docente desse curso), transita, esteticamente, pelas artes visuais e pelo cinema (em preto e branco, com música ao vivo). Aliás, essa poderia ser uma nova categoria conceitual para caracterizar outras web-performances de 19Distâncias. A saber: Ensaios sobre Ausências, de Valdete Sousa, Pele que não Habito, de Rafael Brito, Café Preto, de Maycon Moura, e Canto Quieto, de Andrea Melo.

Voltemos ao (Des)Velando. O significado de desvelar, segundo o Dicio (Dicionário Online de Português), é: “Colocar em exposição, removendo o véu que revestia: desvelar uma obra de arte”. Então, me pergunto: o que foi desvelado por Selma Pavanelli ao longo do seu trabalho? Ora, a resposta não é tão simples assim, pois alguns estudos de recepção apontam que os sentidos da obra de arte são dados, em primeiro momento, por quem frui, ou seja, pelo fruidor (Umberto Eco – Obra Aberta). Desta feita, enquanto crítico-fruidor, me permitirei uma aproximação imagética para (Des)Velando. Esta seria: “Como água para Vinho” (parafraseando o excelente filme mexicano Como Água para Chocolate, de 1992), em que a água seria o Adailtom Alves, o chocolate a Selma Pavanelli, e a pimenta o Alexandre Falcão. A estética de (Des)Velando poderia ainda ser aproximada a de muitos filmes (ou até teatro) de animação que assisti. Nesse caso, uma animação-política, para aludir ao universo do teatro-político recorrente nos espetáculos de rua dos ruantes. A crítica sócio-política mais marcante nesse trabalho é a violência contra a mulher, cujos números aumentaram consideravelmente, em Rondônia, neste período de isolamento social que estamos vivendo. As gotas de vinho que caem, pari passu, na taça, e, depois, nos recortes de jornais, representariam o sangue de dezenas de mulheres que são agredidas e/ou assassinadas diariamente em nosso estado. Finalmente, um ponto a ser observado pelos envolvidos em (Des)Velando é sobre a necessidade de uma melhor equalização sonora do trabalho, pois há uma disparidade entre o volume da guitarra e o canto do professor Adailtom. Quase não se ouve a letra da música, tanto é que não me arrisquei redigir ao menos uma estrofe do que foi cantado.

Imagens 71 a 74: (Des)Velando, de Selma Pavanelli.

Fotos: Bruna Pavanelli.

Imagens 75 a 79: (Des)Velando, de Selma Pavanelli.

Prints: Gabriel Corvalin

Ensaios sobre Ausências, de Valdete Sousa, atriz e diretora do Grupo de Teatro Wankabuki, de Vilhena, apostou altíssimo na visualidade e na poesia da imagem. E a aposta foi ganha! Essa web-performance, além de todo o lirismo audiovisual, traz aos web-espectadores uma denúncia da violência contra a mulher. Utilizando-se de um interessante jogo de espelhos, em que uma poça de água reflete o rosto sofrido e repleto de medo de uma mulher, o trabalho evolui sob (ou sobre) uma camada de trilha sonora em que se ouvem respirações ofegantes, lamentos e o gotejar de um líquido que chora sobre o outro. Mas nem tudo são flores quando se depende de internet em Rondônia. Um sinal fraco prejudicou a conclusão da belíssima web-performance que estava sendo apresentada.

Imagens 80 a 83: Ensaios sobre Ausências, de Valdete Sousa.

Prints: Valdete Sousa

Pele que não Habito, de Rafael Brito, aluno do Curso de Teatro da UNIR e sonoplasta da Trupe dos Conspiradores, é outra web-performance que poderia ser colocada dentro de uma linguagem performática que une artes visuais e cinema. Tratar-se-ia de um filme de terror, no qual um monstro de boca de proporções enormes cria medo nos web-espectadores. Essa figura monstruosa, toda vestida de preto (o que produz uma imagem belíssima!), lembrou-me de alguns filmes de terror que já assisti como, por exemplo, [REC],  filme espanhol dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza, lançado em 2007. Já a trilha sonora me fez recordar de filmes de terror de bonecas, a exemplo de Annabelle e a Boneca do Mal. Sem sombra de dúvidas, Pele que não Habito é um dos melhores trabalhos que vi de Rafael Brito enquanto aluno do Curso de Teatro. Nessa web-performance ele soube, em termos estético-poéticos, unir imagem, som e presença cênica em frente ao olho amedrontador da câmera que nos fita pela janela.

Imagens 84 a 87: Pele que não Habito, de Rafael Brito.

Prints: Rafael Brito

Imagens de tiroteios dos dois volumes de Kill Bill, de Quentin Tarantino, é que vieram à minha cabeça ao assistir à forte web-performance Café Preto, de Maycon Moura, aprendiz de teatro e membro do Teatro Ruante. Utilizando uma caneca de cor preta como revólver, o artista encarava ameaçadoramente os web-espectadores, disparando contra eles. Enquanto projéteis imaginários eram disparados contra nós, atrás da figura do web-performer era projetado um vídeo, muito bom por sinal, no qual via-se escorrendo um líquido preto. O trabalho desse artista é forte, masculino e constitui-se também como uma potente e necessária crítica à violência contra os negros. Além de presente nas ações, esta pode ser notada ainda nas cores predominantes do seu trabalho: branca, preta e vermelha; sendo que essas duas últimas conotariam o sangue negro que escorre pelos planos das desigualdades sociais, racismo e intolerância. Terminando suas ações performáticas, a caneca deixa de ser revólver (função terciária do objeto) e retoma a sua função primária (caneca para tomar café) (Luciano F. Oliveira. Eid Ribeiro e o Armatrux em Processo: o objeto flutuante entre a poética e a estética teatral). É justamente essa última parte que eu não acho interessante, pois ela me parece enfraquecer o forte sentido que é dado quando o objeto em nível terciário é usado para matar e silenciar.

Imagens 88 a 91: Café Preto, de Maycon Moura.

Prints: Maycon Moura

Andrea Melo, dançarina contemporânea que criou Canto Quieto, é daquelas artistas que queremos ter em nossas equipes para montagem de qualquer trabalho. Mulher madura e mãe, artisticamente, ela é também uma explosão de emoções técnico-estético-poéticas. Em seis anos de Porto Velho, ainda não vi nenhum trabalho frágil dela. Por esse motivo, foi mais do que justo, e necessário, que a belíssima web-performance Canto Quieto abrisse a série de apresentações de 19Distâncias. Necessário porque espera-se muito dela, e ela sempre corresponde às expectativas. Necessário porque ela tem presença e sabe muito bem conduzir o olhar do espectador. Necessário porque, em cena, e não somente nela, ela é linda e produz imagens corporais sempre muito potentes. Mesmo que, cenicamente, ela não objetive a beleza, a estética do belo a persegue. Canto Quieto é assim, pois é marcante, é simples-complexo, com movimentos harmonicamente criados. Estes produzem sombras que lembram o Expressionismo Alemão, que trazem à memória as distorções de Nosferatu e do Gabinete do Dr. Caligari. E me recordam também a minha finada Vó Olga, balançando-se em sua cadeira e, de pernas sempre cruzadas, fazendo seu chinelo de borracha bater, ritmicamente, no chão e no calcanhar: “chilept, chilept, chilept”. E ela, minha avó, quietinha em seu canto, lá no interior de Minas Gerais (em João Monlevade), e nós ouvindo: “chilept, chilept, chilept”.

Imagens 92 a 95: Canto Quieto, Andrea Melo.

Fotos: Lua Clara

Peito, Sagrado Peito, de Jaqueline Luchesi, aluna do Curso de Teatro da UNIR, mas que está morando em Brasília, nos coloca frente a frente com mais uma mulher poderosa de 19Distâncias. Aliás, a força do sexo feminino é temática recorrente nos trabalhos dessa artista, que é assumidamente feminista. Mãe de Ulisses, que já tem 3 anos, Jaque (como carinhosamente a chamamos) mostrou para os web-espectadores a força dos peitos, seja como um dos símbolos do poder e da sensualidade da mulher, seja como importante órgão para a amamentação dos filhos. Ou seja, ela faz uma homenagem ao seu amado “bebê” e também à todas as mulheres e crianças. E mais, faz uma análise inteligente e delicada sobre a excessiva sexualização dos seios que, para ela, são sagrados, e à objetificação do corpo feminino. Desenvolvendo ações sensuais, tendo como pano de fundo uma música infantil, quase uma canção de ninar, a web-performer nomeia seu corpo de corpo sem juízo, sem freios e que se constitui como uma mensagem de tolerância de gênero e um pedido (ou uma ordem?) de respeito, nem que seja à base de porrada: “pow”! Para finalizar, importa mencionar a belíssima e competente maquiagem (facial e corporal) feita por Jaque Luchesi para uma figura feminina que coloca no cerne da sua performance o hierático corpo da mulher. Vivas às mulheres!

Imagens 96 a 99: Peito, Sagrado Peito, de Jaqueline Luchesi.

Foto 96: Jéssica Gotlib. Prints 97 e 98: Raíssa Dourado. Print 99: Jaque Luquesi.

O professor e ator Júnior Lopes, com o seu Olho Mágico, envereda, pelo menos para mim, por um caminho que ainda não o tinha visto traçar em Porto Velho: a seriedade do drama (ou, se não quisermos colocar os gêneros em uma caixinha, por algo que não seja a comédia). Reconhecido pelo excelente trabalho cômico realizado em Tabule, bem como pelo trabalho consistente de atuação em Cassandra, BR-trans-amazônica, Júnior Lopes vai dar braçadas em outros mares cênicos, mas sem deixar, ao menos por completo, a comicidade de lado. Sabemos que o olho mágico de uma porta nos permite enxergar o que há do outro lado sem sermos vistos. Assim, evitamos visitas indesejadas. Contudo, o dispositivo de “vigilância” apresentado por esse web-performer em 19Distâncias o coloca em risco extremo, haja vista mais de cem pessoas o “vigiar” ao mesmo tempo, como uma espécie de Grande Irmão (Big Brother),  de George Orwell, em que “o Grande Irmão zela por ti” ou “o Grande Irmão está te observando”. Sendo zelado ou ameaçado pelos web-espectadores, o ator desenrola suas ações performáticas confinado, literalmente, em sua casa. Mas ele não se intimida e tenta ver o que tem por trás daquele olho que o vê. A comicidade no seu trabalho “sério” é sentida na divertida transmissão radiofônica de uma novela (brasileira, mexicana ou árabe?). Todavia, essa rádio-novela, bem como o passeio pelo seu “quartinho vagabundo”, é interrompida, por diversas vezes, por problemas de sintonia da “rádio-internet”.

Imagens 100 a 105: Olho Mágico, de Júnior Lopes.

Prints: Raíssa Dourado e Edilson Schultz

Cláudio Zarco, ex-aluno do Curso de Teatro da UNIR e mestrando do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto, com sua web-performance HTML – BLUE – HTML – PINK traz para o centro do seu trabalho as artes visuais, mais especificamente as cores e a argila. Por que não a pintura? “Azul e rosa sobre argila marrom e fundo branco” talvez seja uma boa tradução para o título por ele proposto e até mesmo uma síntese estética do seu trabalho. Plasticidade na forma e qualidade no movimento são os pontos fortes da sua web-performance, que brinca com a dicotomia limpeza-sujidade, tendo o corpo como tela de pintura. O pronto fraco do trabalho é a música que, por problemas técnicos, foi difícil de ouvir.

Imagens 106 a 108: HTML – BLUE – HTML – PINK, de Cláudio Zarco.

Foto 106: João Pedro Zuccolotto; Prints 107 e 108: Raíssa Dourado.

Rafael Barros, jovem artista portovelhense – que não é mais promessa no campo da performance, com Tudo que Cai faz lembrar alguns trabalhos marcantes dos primórdios da performance dos Estados Unidos na década de 1960 como, por exemplo, o Voom Portraits: Brad Pitt, de Robert Wilson, no qual o ator Brad Pitt, ainda moço, aparece em um vídeo tomando banho seminu, apenas calçando meias brancas, vestindo uma ceroula branca e portando um revólver em uma das mãos. O web-performer Rafael Barros, por sua vez, ao se molhar no chuveiro da sua casa, investe na expressividade do seu interessante corpo magro, em que se vêem as costelas saltadas, e dos cabelos compridos e molhados que cobrem o seu rosto, como um véu negro encaracolado. Enquanto se banha, Rafael Barros bebe algo negro em uma taça (creio que seja Coca-Cola) e a água que cai lava seu corpo, bem como enche a taça em sua mão. Então, os líquidos formam uma mistura homogênea que escorrega corpo a fora, seguindo rumo ao Rio Madeira e alcançando o longínquo Oceano Atlântico.

Imagem 109: Tudo que cai, de Rafael Barros.

Foto: Ana Clara Martins.

Feitas algumas observações sobre cada uma das 19 web-performances apresentadas, passo a alguns corolários.

O primeiro diz respeito a como um web-performer pode “ficar fora de cena” em um evento on-line. Se fosse num teatro, os artistas esconder-se-iam, em silêncio, nas coxias, concentrando-se para entrarem em cena no momento adequado. Então, quais seriam os modos mais eficazes para que os artistas de 19Distâncias pudessem aguardar os web-espectadores chegarem ao evento, tomarem lugar e se fazerem presentes para cada trabalho a ser apresentado? Pensem sobre isso.

O segundo trata-se de uma constatação. Face às dezenas de eventos artísticos que estão ocorrendo durante a pandemia de coronavírus, observo que muitos não foram pensados, tecnicamente, para serem apresentados em plataformas digitais como o Google Meet e Zoom. Este não é o caso de 19Distâncias, mesmo que os web-performers tenham enfrentado problemas técnicos como velocidade de internet e acesso a bons equipamentos tecnológicos. Assim, não basta apenas que exibamos os vídeos e filmagens de tais eventos para que eles sejam considerados como virtuais. É preciso, antes de qualquer coisa, pensar nessas plataformas digitais como espaços específicos que necessitam de linguagens adaptadas a esses espaços. E não somente de linguagens, mas também de equipamentos e de profissionais capacitados para essa nova realidade que estamos experimentando. Assim, nós das artes cênicas (teatro, dança, performance, circo e ópera), temos muito a aprender com especialistas da publicidade e propaganda, do cinema, do vídeo e da televisão.

Por último, nota-se que, mesmo tendo um caráter pedagógico, 19Distâncias apresenta e consolida a web-performance no estado de Rondônia, configurando-se como um evento de sucesso. O futuro é o aprimoramento e o aprofundamento dessa linguagem, e de outras correlatas, para que muitas web-circulações ao vivo aconteçam e conectem a capital rondoniense ao mundo. Vida longa ao “Fórum Performance-arte Norte”!

Vídeo do evento: https://youtu.be/j1fLCpwvq80

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