06/11/2018 – Teatro Guaporé, 15 h. Apresentação no IV Festival Unir Arte e Cultura, voltada para uma escola da Rede Estadual de Ensino de Porto Velho (Ensino Médio).
24/11/2018 – Teatro Guaporé, 20 h – Apresentação na II Mostra de Encenações do Dartes/UNIR.
25/11/2018 – Teatro Guaporé, 19 h – Reapresentação na II Mostra de Encenações do Dartes/UNIR.
06/12/2018 – Teatro Guaporé, 15 h. Apresentação para uma escola da Rede Estadual de Ensino de Porto Velho (Ensino Médio).
Espetáculo teatral contemporâneo (que mistura teatro, teatro de formas animadas, dança, música, vídeos e projeções) livremente inspirado na obra “Um Inimigo do Povo” (1882), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. O processo de montagem desse espetáculo iniciou-se dentro do Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e hoje é uma ação do Projeto de Extensão Trupe dos Conspiradores: pesquisa e prática em encenação e em atuação. Nosso espetáculo traça um paralelo entre as temáticas do texto de Ibsen com acontecimentos político-sociais do Brasil atual. Por meio de Inimigos do Povo conspiramos contra a corrupção, homofobia, hipocrisia, unanimidade, racismo, machismo, partidarismo, intolerância religiosa e de gênero, ditadura, mau-caratismo, fome, reforma trabalhista, reforma da previdência e precarização da saúde e da educação.
O projeto Inimigos do Povo – Trupe dos Conspiradores foi contemplado pelo PRÊMIO DE TEATRO JANGO RODRIGUES – 2017 e tem o apoio do Governo do Estado de Rondônia e da SEJUCEL (Superintendência Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer).
A Trupe dos Conspiradores conta também com o apoio da FUNCER (Fundação Cultural do Estado de Rondônia), da PROCEA (Pró-reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis da UNIR), do Departamento de Artes da UNIR, da Banda Tuer Lapin, da Sol Maior Escola de Música, da Panificadora Kamilly e da Arte Gesso.
FICHA TÉCNICA:
Encenação – Luciano Oliveira
Texto – Criação Coletiva (livremente inspirada em Um Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen)
Direção Musical, preparação vocale piano – Jussara Trindade Moreira
Preparação Corporal – Luiz Lerro
Assistência de Encenação e Maquiagem – Sheila Souza
Cenografia – Elcias Villar
Iluminação – Edmar Leite e Raoni Amaral
Assistência de Cenografia – Emerson Garcia
Cenotécnicos – Amanda de Souza, Emerson Garcia e Sâmia Pandora
Indumentária – Teo Nascimento e Selma Pavanelli
Assistência de Indumentária – Michele Castro e Vinícius Brito
Direção, produção de vídeoe fotografia – Raissa Dourado
Confecção de cases (sacolas de lona) – Ismael Neves
Contrarregragem – Vinícius Brito
Produção – Flaw Naje
Execução de Trilha Sonora – Rafael Correia
Execução da Marchinha – Anderson Benvindo
Diagramação – Leandro Almeida
Assessoria de Imprensa – Emanuel Jadir Siqueira
Elenco – Ádamo Teixeira, Andrelina Paiva, Enderson Vasconcelos, Jamile Soares, Stephanie Matos e Vavá de Castro
Elenco coringa – Alexia Dantas, Jonathan Ignácio e Teo Nascimento
MÚSICAS DO ESPETÁCULO:
Te Arreda – Paródia de Adoleta (Cantiga de Roda) – Letra de Jussara Trindade
Mulher Eu Sei – Chico César (Por Caio Prado e Johnny Hooker)
Marchinha – Anderson Benvindo
Fermento pra Massa – Crioulo
Efeitos Sonoros de Cinema
Mortem Submersi – Tuer Lapin
Esse prefeito é mesmo uma piada! – Paródia de De Nada (Filme Moana) – Letra de Enderson Vasconcelos e Jussara Trindade
O país de uma nota só – Musicalização de trecho de poesia de Carlos Marighella – Arranjo para piano de Jussara Trindade
A Terceira Lâmina – Zé Ramalho
Lacrimosa – Wolfgang Amadeus Mozart
Água – Uakti
Sem título – Uakti
AGRADECIMENTOS: A Trupe dos Conspiradores e os artistas de Inimigos do Povo agradecem imensamente: Governo do Estado de Rondônia, SEJUCEL (Superintendência Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer), FUNCER (Fundação Cultural do Estado de Rondônia), PROCEA (Pró-reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis da UNIR), Departamento de Artes, Banda Tuer Lapin, Escola de Música Sol Maior (em especial à professora Sílvia Freire de Carvalho), Arte Gesso, Kamilly Panificadora e Confeitaria (Sr. Ronildo Chaves), Sr. Rodrigo Framil, Sr. Fabiano Barros, Sr. Paulo José Roman e a todos os demais funcionários do Complexo Teatral Palácio das Artes, Marcelle Pereira, Marcela Bonfim, Selma Pavanelli, Adailtom Alves, Junior Lopes, Paky’Op (Laboratório de Pesquisa em Teatro e Transculturalidade), João Branco e a todos do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, Paulo Santos e Thaiz Lucksis (Associação Cultural Waraji), Jaqueline Luquesi, Dona Antônia, Amanara Brandão, Hitalo Yuri Yamashita, Gilca Lobo e aos integrantes do #depositaSejucel. O encenador Luciano Oliveira agradece com muito amor a todos os artistas que emprestam seus talentos para a existência de Inimigos do Povo.
Como montar um belo e engraçadíssimo espetáculo de rua em tempo recorde? Sinceramente, como encenador, não sei responder a essa pergunta. Perguntem, por favor, aos artistas do Teatro Ruante.
Em pouco mais de dois meses (ou em pouco menos?), Adailtom Alves, Selma Pavanelli, Jamile Soares, Bruno Selleri e companhia receberam do SESC o dinheiro pela premiação no Prêmio Sesc de Incentivo às Artes Cênicas e, como corcéis negros do período elisabetano, saíram em disparada pelo árido e cálido “deserto” de Porto Velho e cruzaram exitosos a faixa de chegada da sensibilidade artística.
A muy lamentável e cruel história de Píramo e Tisbe estreou, às 19 hs, no dia 27 de setembro de 2018, na área de convivência do Sesc Esplanada, dentro da programação do mais que excelente Palco Giratório.
Ao chegar no lugar da apresentação fomos recebidos pelos belíssimos (e um pouco nervosos, dada a aceleração do coração pela estreia!) palhaços do Ruante. Escrevo belo no superlativo pela primeira impressão que causou em mim o figurino: que primor! E mais beleza e funcionalidade cênica estava guardada para o segundo momento do espetáculo. Nenhuma linha solta para dar motivos para este “crítico cruel” que vos escreve reclamar. Assim não dá, ruantes! Desse jeito não posso copiar, com a minha crítica, o feroz e amargo professor Nazareno.
E o que falar da interpretação? Como professor dessa difícil disciplina do teatro dou nota 100 para o elenco: Jamile Soares (palhaça Tuminga – que mais parece com o Pateta de Walt Disney), Bruno Selleri (palhaço Mazela) e Selma Pavanelli (palhaça Tinnimm). A nota não podia ser diferente, pois um dos objetivos do palhaço é fazer rir. E o público riu à beça com as confusões desse trio clownesco. Dentre tantas piadas ouvidas, vai entrar para a história da palhaçaria de Rondônia a baralhada de Tuminga, que confunde fio vital com fio dental. Nesse momento, a área de vivência do Sesc Esplanada vai abaixo com tantas gargalhadas da plateia. Foi difícil parar de rir por um bom tempo. Confesso que, depois disso, perdi uns três minutos de espetáculo. Jamile, você está me devendo essa!
E o que escrever sobre a encenação? Ah, professor Adailtom, com sua brilhante direção o senhor está ameaçando “tirar a minha cadeira” na Unir! Isso não se faz com um colega e amigo de profissão, professor! Como explicar – sem metáforas – para os nossos alunos que o palhaço Magrila abandonou a cena e deu um gancho no adversário? Em apenas dois meses de ensaio, Adailtom Alves? Agora entendi o seu esgotamento físico e mental, meu amigo! Tente descansar um pouco. Deite em uma cama de plumas de ganço e goze do merecido sucesso.
E a dramaturgia de A muy lamentável e cruel história de Píramo e Tisbe? Que “confusão” gostosa foi essa que vocês fizeram nestes dias de escuridão política que vivemos? Misturar Shakespeare, Brecht, gags cômicas, improvisos e #s (hashtags) é coroar um amadurecimento dramatúrgico que o Teatro Ruante vem tendo desde “Era uma vez João e Maria… e ainda é”. Aliás, aproveito este espaço para parabenizar Adailtom Alves, mais uma vez, pelo Prêmio Funarte de Dramaturgia 2018, na categoria infantojuvenil, com o texto Pedro.
O cenário do espetáculo, realizado por Ismael Barreto, também merece destaque e elogios. Ele cumpre muito bem suas funções na encenação. E mais: ajuda a criar a famigerada poesia cênica que encanta crianças e adultos. Penso que, com uma iluminação inventiva e potente, o onirismo de um “sonho de uma noite de verão” seria alcançado.
Não posso deixar de redigir algumas linhas para lembrar a importância sem tamanho da produtora Val Barbosa para o espetáculo, bem como para o Teatro Ruante. Parabéns pelo seu trabalho excelente!
Por fim, é importante lembrar que um espetáculo teatral nunca está completamente pronto. Sempre há algumas arestas a serem trabalhadas. O contato com o público é fundamental para a descoberta dos fios de Ariadne. E no complexo labirinto do Minotauro de A muy lamentável e cruel história de Píramo e Tisbe ainda é preciso dar um nó entre a primeira e a segunda parte desse engraçadíssimo trabalho.
Vida longa ao Ruante! Vida longa ao SESC, ao Palco Giratório e ao Prêmio Sesc de Incentivo às Artes Cênicas!
No feriado de 7 de setembro, sexta-feira, iniciou-se em Rondônia a edição 2018 do Palco Giratório, com o Seminário Palco Giratório 2018 – Arte como (Re) Existência.
Artistas, grupos de teatro (Trupe dos Conspiradores, Teatro Ruante, O Imaginário – RO, Wankabuki e Associação Cultural Waraji, dentre outros), professores universitários (UNIR, UFAC e UFPA), alunos, curadores e funcionários do SESC de diversas partes do país, representantes de movimentos sociais e culturais (Coletivo Mina Livre, Setorial de Teatro de Porto Velho, Pró-Cultura Rondônia e #depositaSejucel) e da sociedade civil de Rondônia – e até mesmo crianças – estiveram presentes no Teatro 1 do SESC Esplanada para participar das excelentes mesas de debates realizadas nas tardes e noites de sexta-feira e sábado.
No dia 07/09, de 15h às 16h30, a Mesa 1 – Gestão Cultural na Contemporaneidade: como gerir garantindo a arte o lugar de (Re) Existir? – abriu as sessões de debates com os convidados Daina Leyton, de São Paulo, José Manuel, do SESC Pernambuco, e Keila Barbosa, de Rondônia. A mediação ficou a cargo de Raphael Vianna, do SESC – DN.
Mais tarde, de 17h às 18h30, foi a vez da Mesa 2 – Acessibilidade Cultural: pulverizando as ações em arte, com os convidados Rita Marize, do Sesc Pernambuco, e Suzi Bianchi, do Rio de Janeiro. A mediação foi de José Manuel, do Sesc Pernambuco.
Por fim, e não menos importante, a Mesa 3 – Novos Olhares para a dança na Amazônia, fechou o ciclo de debates do primeiro dia de seminário. Dessa mesa participaram a professora Valeska Alvim, da Universidade Federal do Acre (UFAC), o professor Luiz Lerro, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e a professora Waldete Brito, se não me engano da Universidade Federal do Pará (UFPA). No meio da numerosa plateia, que fazia uma grande festa para receber os convidados, encontravam-se alunos e integrantes do projeto Mediação Cultural – Palco Giratório 2018, que é coordenado pelo professor Júnior Lopes do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR.
O primeiro dia de debates foi muito proveitoso, rico e culturalmente intenso.
No sábado, no dia 08/09, entre 16h e 17h30, também no Teatro 1 do SESC, ocorreu a Mesa 4, com o tema mais que relevante e necessário “O protagonismo feminino na arte”. Para compor a mesa foram convidadas as palhaças Selma Pavanelli, de Rondônia, e Mariana Gabriel, de São Paulo, ademais da professora e bailarina Waldete Brito, do Pará. A mediação foi de Jane Schoninger, do SESC Rio Grande do Sul.
E para encerrar o Seminário Palco Giratório 2018 – Arte como (Re) Existência, aconteceu a Mesa 5 – Festivais de Teatro Independentes: Mapeando Rondônia, com a presença de Valdete Souza, de Vilhena/RO, uma das coordenadoras do Festival Amazônico de Monólogos e Breves Cenas; de Paulo Santos, de Guajará-Mirim/RO, um dos coordenadores do Festin-Açu (Festival Internacional de Teatro de Guajará-Mirim); e de Chicão Santos, de Porto Velho, um dos coordenadores do Festival Amazônia Encena na Rua. A mediação dessa mesa foi de Clarissa Franci, do Sesc Pará.
Assim como o primeiro dia de debates, o segundo também foi muito farto e profícuo. E mais: muito importante para a classe artística do Estado de Rondônia, que carece de efetivas políticas públicas nas áreas de Arte e Cultura e da representatividade feminina.
A programação artística do Palco Giratório de Rondônia começa hoje, às 17 h, na Lona do Palhaço Biribinha (Parque da Cidade), com o espetáculo de circo Magia, da Companhia Teatral Turma do Biribinha, de Alagoas.
Crédito: Foto de Eliane Viana (Agenda Porto Velho).
Há quatro anos estou em Porto Velho ensinando Teatro na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). A cada dia que passa descubro novas técnicas e metodologias de ensino que me fazem aproximar afetivamente ainda mais dos meus alunos. Os aprendizados e trocas, em todos os sentidos, são constantes. Por vezes somos “desarmados” por aqueles que, teoricamente, seriam as partes frágeis da relação aluno-professor. Então, a fragilidade se inverte!
Neste semestre (2018/1) estão sendo muitas as surpresas. E a turma do primeiro período é uma delas. Falante, desconcentrada e ingênua são alguns dos adjetivos que acreditei caracterizar tal turma. Ledo engano! Tais características, hoje, terminada a disciplina Laboratório de Improvisação Teatral 1, mostram que tudo não passava de euforia, ânimo, alegria e vontade dos jovens estudantes de estarem cursando Teatro na UNIR. Quiçá a realização de um sonho!
Jovens? Nem tanto, mestre! Nas palavras de Dennis Weber, ele “era o tio da sala, a anciã, a idosa, como mais tarde me chamariam os colegas, hehehehe”. Mais velho que ele, somente eu. Esse aluno trouxe para turma a experiência profissional adquirida no Grupo de Teatro Wankabuki, de Vilhena, e também como jornalista do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), de Porto Velho. Porém, devido a “idade avançada”, ele sofreu um acidente quando ensaiava para uma prova prática da disciplina Expressão Corporal 1, ministrada pelo professor Luiz Lerro, fraturou um dos pés, e foi “cortado” de última hora da Cena Final da minha disciplina. Em ano de Copa do Mundo, querido Dennis, isso, infelizmente, não pode acontecer! Tamanha foi a tristeza dele, e da turma – e minha também, pois tive que substituí-lo na “curingagem” da cena de Teatro-Fórum que começou a surgir no seminário do grupo que ele participava, como veremos mais adiante, por meio das suas próprias palavras – que tive que propor um desafio a ele. Foi mais ou menos assim: “- Se você escrever um texto sobre o segundo seminário da minha disciplina e ele ficar a contento, o publico em meu blog em homenagem a você e à turma”. Desafio aceito pelo aluno e muito bem realizado. Sendo assim, cumpro a minha promessa.
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“Avaliação Final – Relatório sobre a apresentação do 2°Seminário da Disciplina
O tema escolhido para este seminário foi o Teatro do Oprimido de Augusto Boal. A turma foi dividida em três equipes que deveriam pesquisar sobre: 1) Arsenal de jogos teatrais; 2) Teatro-imagem; 3) Teatro-fórum. A data escolhida para a apresentação foi o dia 19 de abril. Os grupos deveriam apresentar as técnicas utilizadas em cada um dos métodos apresentados por Augusto Boal, destacados para esta segunda avaliação.
O primeiro grupo, composto por Flávia, Dalvan e Emerson, desenvolveu junto aos outros colegas de classe jogos teatrais que tiveram como objetivo aquecer os corpos dos jogadores, além de estimular a criatividade e a desinibição. Antes da aplicação dos jogos, os integrantes do grupo apresentaram uma pequena biografia do autor, destacando suas obras e contribuições para o ensino e pesquisa de teatro. Entre os jogos do arsenal de Boal estavam “Círculo Máximo e círculo mínimo”, “dividir o movimento” e “dança da maçã”.
O primeiro jogo consistia na formação de uma grande roda, em que os participantes deveriam, através das forças de seus braços, esticarem e se sustentarem através desta tensão, criando a imagem, que no meu ponto de vista, parecia uma flor desabrochada. Já o segundo jogo cobrava dos jogadores que os mesmos criassem um movimento que deveria ser replicado pelos demais jogadores. No terceiro jogo, duplas de jogadores deveriam dançar com uma maçã ligando os dois corpos, sem que as mãos tocassem a maçã, que no caso foi substituída por um balão.
O segundo grupo composto por Jonathan, Vinícius e Pandora ficou responsável por desenvolver os jogos propostos no Teatro-Imagem. Antes disso, os participantes da equipe explicaram as origens do método, além de realizarem uma apresentação modelo do Teatro-Imagem.
Após a parte teórica, os outros alunos da classe sortearam o tema “machismo”. Dois jogadores entraram em cena e ficaram imóveis como massas de modelar. Os demais jogadores, um de cada vez, entravam em cena e modelavam as duas massas com o intuito de transformá-las em uma representação “real” do que seria uma situação de machismo. Ao final, o personagem masculino apontava com autoritarismo para a personagem feminina, que varria o chão. Após esse primeiro momento, os jogadores deveriam transformar essa imagem “real” em uma imagem “ideal”. Nessa perspectiva, os participantes moldaram um casal apaixonado, sentado no chão e de mãos dadas. Percebi que os colegas da turma tiveram certa dificuldade para entender a proposta do jogo, fato que confirmei na segunda sessão do Teatro-Imagem.
O tema da segunda rodada foi “homofobia”. Em cena Rafael e Amanda, um representando o oprimido e o outro o opressor, respectivamente. Nessa nova situação, os jogadores moldadores demoraram a construir tanto a cena real quanto a ideal. Além disso, alguns desrespeitaram as regras do jogo, como a de fazer apenas um movimento nas massas. Na última sessão, todos os jogadores viraram massa e, ao comando dos representantes do grupo, construíram uma imagem, a partir da palavra “violência”.
Por fim, apresentamos nosso tema: o Teatro-fórum. O grupo, composto por Alexia, Amanda, Rafael e eu, se reuniu fisicamente três vezes para estudo e elaboração das propostas de atividades para o seminário. Lemos o livro “Arco-íris do desejo” de Augusto Boal, com o qual foi possível identificar as características do Teatro-Fórum. Além disso, pesquisamos artigos científicos na internet e vídeos com exemplos de cenas realizadas a partir do Teatro-Fórum. Com essa carga de material, construímos nosso resumo sobre o assunto para situar o restante dos colegas de classe durante nossa apresentação. No resumo destacamos as funções do Teatro-Fórum, a importância dos espect-atores e também do curinga, ressaltando a função social deste tipo de proposta e do seu poder transformador da realidade, uma vez que coloca a plateia em cena para resolver um problema.
Elaboramos também dois roteiros de cenas que poderiam ser abordadas na parte prática do seminário. Uma delas tinha como tema a “homofobia” e a outra “violência doméstica”. A escolha dos temas se deu por aproximação da realidade de muitos colegas de classe. Adorei essa parte do trabalho, pois amo contar histórias e esse momento exigiu muito da nossa criatividade: pensamos nas variantes que a história poderia ter. Segue a sinopse da primeira cena, intitulada “O que eu fiz para merecer isto?”:
“No ano de 2020, após elegerem Temenaro como presidente do Brasil, inicia-se uma caçada aos homossexuais, bissexuais e todos que fogem aos padrões heteronormativos. Muitas famílias são estimuladas, através de recompensas, a entregarem familiares que apresentem condutas suspeitas. Nossa cena se passa em uma casa de família onde uma mãe telefona secretamente para a polícia, enquanto o filho está na sala lendo um livro.”
A partir desta sinopse definimos que Amanda seria o filho gay, Alexia seria a mãe, Rafael seria o policial e eu seria o curinga, aquele que estimula a plateia a entrar em cena, propõe novos caminhos para a narrativa e estabelece algumas regras no jogo.
Na outra cena, intitulada “O segredo dos seus olhos”, chegamos à seguinte sinopse:
Um casal discute por ciúmes. O namorado expulsa Flávia de casa e a jovem liga para a amiga Pandora para conversar sobre o ocorrido. As amigas se encontram em uma praça e são seguidas por Jonatan. O namorado começa a discutir com as duas ameaçando bater nas mulheres.
Os papéis foram distribuídos da seguinte forma: Alexia faria a namorada, Amanda seria a amiga Pandora, Rafael seria o curinga e eu interpretaria o namorado agressor.
Repassamos as cenas algumas vezes até o ponto de virada das tramas e seguimos para nossa apresentação. Conseguimos desenvolver somente a primeira proposta, visto que investigamos várias maneiras de intervir na trama. Dos alunos que estavam na plateia, somente Flávia, Emerson e Vinícius, entraram em cena como espect-atores.
Os demais não reagiram às opressões apresentadas em cena. Flávia ocupou o lugar do policial, apresentando um agente mais humano, que considerou como louca a mãe que estava delatando o filho. Já Emerson ocupou o lugar do filho, e apresentou um jovem decidido sobre sua sexualidade, interrogando a mãe sobre sua capacidade de não sentir compaixão pelo próprio filho. Vinícius entrou em cena em duas ocasiões: uma como filho revoltado e assumido e a outra como mãe conciliadora.
Percebendo que a trama já não estava andando, entrei em cena e apresentei uma nova versão do personagem “filho” que, desta vez, questionou as sexualidades da mãe e do policial, saindo da condição de oprimido para opressor. A partir desses novos elementos narrativos foi possível se chegar a um acordo, com a mãe dispensando o policial e tendo uma conversa mais sincera com o filho.
Durante o desenrolar da cena, percebi muita tensão na plateia. Alguns dos colegas estavam até emocionados, pois provavelmente viveram ou presenciaram a opressão representada. No círculo de avaliação do seminário perguntei para Pandora e Jonathan porque eles não entraram em cena. Pandora disse que ficou sem reação diante do que estava vendo. Já Jonathan disse que aquela realidade apresentada não tinha relação com o seu cotidiano. Mais tarde Emerson veio me confidenciar que a história mexeu muito com ele, por ter passado situação semelhante em casa.
Posso afirmar que me senti confortável na condição de curinga, mas o fato da plateia interagir pouco me deixou inseguro. Estar em cena foi desafiador, mas ao mesmo tempo, revigorante. Virar o jogo, mostrar outros caminhos para a narrativa sempre é estimulante. Uma experiência que vou guardar para o resto da vida!” (Dennis Weberton Vendruscolo Gonçalves).
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Como não se apaixonar pelos alunos quando eles nos surpreendem? Quando ensinar se torna uma paixão, a saudade da família, dos amigos e de Minas Gerais machuca menos!
A seguir, apresento um trechinho do vídeo do aquecimento para a Cena Final (Teatro-Fórum), bem como fotos dessa cena, da qual o aluno Dennis não pode participar por motivo de afastamento médico:
Preparativos para a Cena Final
Teatro-Fórum (Casos de Família – Violência Doméstica)
Teatro-Fórum (Casos de Família – Violência Doméstica)
Teatro-Fórum (Casos de Família – Violência Doméstica)
04 de março de 2017. Depois de um hiato teatral de três meses, e também da falta de artigos neste blog, eis que em um entardecer agradável no Parque da Cidade de Porto Velho irrompe o aconchegante espetáculo teatral “Era uma vez João e Maria… & ainda é”, do Teatro Ruante. Nesse belo espaço democrático da capital rondoniense conviveram pacificamente (e em tempos de trevas isso é admirável!) arte teatral, música gospel, rappers, skatistas, famílias, drogados, héteros, homossexuais, burgueses, brincantes, populares, trabalhadores, comunistas e fascistas.
Após esse período, em que tal grupo merecidamente também aproveitou as férias, o espetáculo, que fora estreado em dezembro do ano passado, passou por algumas notáveis mudanças: o figurino e o cenário estão mais belos; alguns objetos de cena foram aprimorados e o/a personagem “Coisa”, uma máscara popular do nordeste, ou, dependendo do uso que se faz dela em cena, um boneco habitável, está mais coloridamente vibrante. Nesse viés de mudanças, o diretor da peça, o professor Adailtom Alves, entrou na cena como ator e músico trazendo nova sonoridade e experiência para o sutil ato teatral.
Por sua vez, Selma Pavanelli, uma das fundadoras do grupo em São Paulo ao lado do marido Adailtom Alves, constitui, enquanto atriz, a espinha dorsal do divertido jogo que se vê em cena. No entanto, é assombroso observar o crescimento profissional e artístico de Bruno Selleri. Também a atuação da jovem atriz e estudante do Curso de Licenciatura em Teatro da UNIR Jamile Soares, que se aperfeiçoa a cada apresentação, não deixa muito a desejar em relação aos demais colegas de cena.
“Era uma vez João e Maria… & ainda é”, como aponta a sinopse do espetáculo constante no útil material de divulgação do grupo, trata-se da “conhecida história de Hansel e Gretel, colhida pelos irmãos Grimm, e divulgada entre nós como João e Maria, [que] ganha a adaptação do Teatro Ruante pra espaços abertos. A peça conta a história de duas crianças abandonadas por seus pais na floresta, onde se deparam com A/O Coisa”.
Intriga-nos no título, porém, a expressão “& ainda é”. Qual o por quê disso? O que continua sendo em João e Maria? O que aproxima e distancia a história europeia do século XIX dos irmãos Grimm do atual momento brasileiro?
A história original de João e Maria remonta à dureza da vida na Idade Média. Por motivo da fome e da constante falta de comida, o assassinato de crianças era uma prática comum no Medievo. Nessa história os irmãos são deixados pelos pais na floresta para que morram ou sumam, porque não podem ser por eles alimentados.
Panelas vazias lá e barrigas famintas aqui. Ficção e realidade se misturam no complexo e atual vasilhame histórico do Teatro Ruante que aponta que, como na Idade Média, o maior poder de compra continua sendo das classes socialmente privilegiadas. A manutenção do capitalismo, e consequentemente da fome, é um dos sintomas da doença do capital que segue até o nosso tempo. O/A “Coisa”, como é cantado pelos artistas ruantes, persiste em explorar a mão de obra dos pobres “João e Maria” que trabalham em troca de migalhas insuficientes para encher “seus barrigões”. Política, teatro, música e brincadeiras populares se misturam dialeticamente na encenação de Adailtom Alves para, além de nos divertir, nos fazer pensar e compartilhar sobre essas e outras questões sócio-políticas da atualidade brasileira. João, Maria, Isabela, José, Antonieta, Nazaré, Expedito, Jacinto, Joana, Ubiraci e tantos outros brasileiros batem as panelas de fome enquanto ouvimos ressoar ainda as panelas do Fora Dilma. Contudo, não se ouve nada das ricas panelas do “Coisa/Temer”. A fome persiste e gruda, enquanto a democracia voa para longe. E crianças e pensamentos continuam a serem exterminados a todo momento, espelhando-se no ocorrido da floresta dos irmãos Grimm.
Corolário: um espetáculo com temperos e aromas diversos para ser visto, ouvido, cantado e dançado no espaço da democracia por todos aqueles e aquelas que querem se emocionar enquanto desfrutam de ideias construídas artisticamente por meio de fragmentos narrativos históricos e contemporâneos à luz da tolerância e da diversidade.